Errata
14/04/2026
Após a publicação desta reportagem, o governador Ricardo Ferraço anunciou a suspensão e o afastamento de todos os militares que acomapnharam o PM que matou o casal de mulheres.
Os colegas do cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que foram com ele até Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na ocasião em que o agente matou um casal de mulheres, foram afastados das funções operacionais e estão realizando atividades administrativas. A informação foi divulgada pelo major Torezani, da Corregedoria da PM, nesta terça-feira (14).
A atuação dos demais militares também será analisada, eles já foram afastados da atividade operacional e vão trabalhar na esfera administrativa interna. Também será analisada a culpabilidade e responsabilidade de cada um no fato em si
Os policiais foram ao local, no dia 8 de abril, após a ex-esposa do cabo Luiz Gustavo informar que havia discutido com as vizinhas, Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto. Luiz Gustavo estava de serviço como guarda em uma Companhia da PM, em Itacibá, mas não atuava no policiamento ostensivo, pois estava afastado enquanto era investigado pela morte de uma mulher trans ocorrida em 2022. Ainda assim, ele foi até o endereço acompanhado de colegas.
Em novas imagens do crime (veja acima), o cabo desce da viatura e segue em direção às vítimas, que estavam sentadas na calçada. Ele atira primeiro contra uma delas. A outra tenta fugir, mas também é atingida. Os militares que estavam com Luiz não esboçam reação nem tentam impedir a ação. Em seguida, o policial retira o colete e a arma e os entrega a um colega.
Desde o crime, Luiz Gustavo está preso. Na ocasião, o governador do Estado, Ricardo Ferraço, afirmou que o caso (do duplo homicídio) será encaminhado à Justiça comum, por não se tratar de crime militar. A Corregedoria da PM também apura possíveis infrações disciplinares, como o fato de o policial ter deixado o posto acompanhado de outros militares.
Possível responsabilização
Segundo o professor e mestre em Segurança Pública, Henrique Herkenhoff, os colegas não deveriam ter acompanhado o militar após ele ser acionado pela ex-esposa.
"Os colegas que foram apoiá-lo, se não estavam sob comando adequado, também estavam cometendo irregularidades que precisam ser apuradas pela Corregedoria e pelo Ministério Público. Se a ex-esposa de um policial tem um problema, ela deve acionar o Ciodes (Centro Integrado de Operações de Defesa Social), como qualquer cidadão. O policial que atender à ocorrência precisa agir com isenção, não para apoiar um colega e pressionar ainda mais", declarou Henrique Herkenhoff, em entrevista ao telejornal Bom Dia Espírito Santo.
Poderia estar armado?
De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Rubim, Luiz Gustavo estava afastado do policiamento ostensivo e atuava internamente enquanto respondia ao processo pela morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, no bairro Alto Lage, também em Cariacica. Nesse período, exercia a função de guarda em uma Companhia da corporação, em Itacibá.
Segundo Herkenhoff, nessa função o policial poderia portar arma, mas não deveria ter deixado o posto. “Mesmo que não tivesse cometido os homicídios, ele já estaria errado, praticando infrações gravíssimas, passando por improbidade administrativa e infrações administrativas graves e crime militar por ter abandonado o posto”, explicou.
Policial pode ser demitido
Em entrevista coletiva, o coronel Ríodo Rubim, comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, afirmou que o caso será investigado e que Luiz pode ser demitido. "A Justiça vai dar o melhor encaminhamento. Ele pode ser demitido, mas aí quem decidirá será a Justiça. A parte que cabe à Polícia Militar está sendo realizada com todo o rigor que o caso merece", disse.
Discussão por ar-condicionado
A ex-esposa do policial e as duas vítimas moravam no mesmo prédio, em andares diferentes, e já tinham histórico de desentendimentos. No último dia 8, segundo apuração da TV Gazeta, a discussão teria começado por causa de um ar-condicionado.
A mulher relatou ainda que as vizinhas teriam ofendido seu filho autista, de 8 anos, o que a levou a ligar para o ex-marido. Ela admitiu que desceu com uma faca durante a confusão. "Quando desci com a faca, elas me jogaram contra a parede, me agrediram e começaram a me bater", afirmou. Ela não quis se identificar.
Uma testemunha confirmou o que mostram imagens de câmeras de segurança. “Ele já chegou com a arma em punho, subiu e atirou nas meninas na calçada”, disse, também sem se identificar. “Não é porque ele é policial que poderia agir assim. Tirou a vida de duas mulheres. Poderia ter resolvido de outra forma. No bairro, todos veem isso como abuso.”