Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Desde 2021

Armas e ameaças: como agia grupo de herdeiros acusado de grilagem na Serra

Segundo a Polícia Civil, algumas pessoas portavam armas de fogo, faziam ameaças e chegavam a colocar placas nos locais invadidos com a seguinte mensagem: "Entrada proibida"

Publicado em 05 de Julho de 2023 às 17:07

Alberto Borém

Publicado em 

05 jul 2023 às 17:07
Sete pessoas foram detidas após terem sido identificadas como integrantes de uma organização criminosa que, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, patrocinou e promoveu invasões de propriedades privadas na Serra desde 2021. Entre os integrantes, há um ex-servidor da prefeitura do município, um ex-vereador da cidade, dois policiais militares da reserva e comerciantes. A justificava usada por eles é que o grupo seria formado por herdeiros das terras, por serem familiares de antigos donos dos terrenos. De acordo com a Polícia Civil, algumas pessoas portavam armas de fogo, faziam ameaças e chegavam a colocar placas nos locais invadidos com a seguinte mensagem: "Entrada proibida"
Segundo apurado pela reportagem de A Gazeta, o grupo suspeito de invadir as terras seria formado por mais pessoas. A polícia, porém, identificou e prendeu sete pessoas. Nomes não foram divulgados oficialmente, mas A Gazeta apurou que são eles:
  • Davi Duarte, ex-vereador da Serra
  • Guilherme Ribeiro de Souza Lima, assessor comunitário exonerado pela Prefeitura da Serra nesta quarta-feira (5)
  • Dois militares da reserva, sem nomes divulgados até o momento
  • Outras três pessoas (a "maioria é comerciante", segundo a polícia)
De acordo com o titular do 12º Distrito Policial da Serra, delegado Josafá da Silva, o líder da organização criminosa responde por tentativa de homicídio e mora em Cariacica, cidade vizinha ao município que sofreu com as invasões. O nome dele não foi informado pela polícia.
Ainda segundo Josafá da Silva, o grupo atua na Serra desde 2021. Desde então, segundo a Polícia Civil, quatro ou cinco famílias teriam sido expulsas de casa. Uma delas é a família de um pescador, que morava na mesma casa havia 30 anos. Um vídeo divulgado pela polícia mostra um dos locais invadidos. A construção que havia no local foi quebrada, e as pessoas, expulsas.
"O grupo vem agindo na Serra desde 2021. Algumas ocorrências, que foram encaminhadas à Justiça, mostram que havia uma apropriação de terras sem documento, invasão a força. Verificamos que o crime se repetia"
Josafá da Silva - Delegado titular do 12º Distrito Policial da Serra
A Operação Grabbing (no inglês, pegar ou agarrar, em tradução livre) foi realizada nessa terça-feira (4) para cumprimento de mandados de busca e apreensão contra a organização criminosa. Durante a ação, foram detidas seis pessoas. A sétima pessoa foi presa na quarta-feira (5), segundo a Polícia Civil. Foram apreendidos celulares, armas de fogo e computadores. A ação ocorreu nos municípios de Serra, Vitória e Cariacica.
Polícia apreendeu computadores e armas em operação contra grilagem na Serra
Polícia apreendeu computadores e armas em operação contra grilagem na Serra Crédito: Divulgação | Polícia Civil

Ponto a ponto: como agia o grupo de herdeiros 

01

QUEM SÃO?

A Polícia Civil não divulgou quantas pessoas fazem parte do grupo, mas a reportagem de A Gazeta apurou com o advogado de defesa dos acusados que o grupo de herdeiro é formado por aproximadamente 60 pessoas, entre filhos, netos e parentes. Nem todos os herdeiros estão envolvidos na invasão. Eles estão, porém, interessados nas terras que acabaram invadidas pelos acusados, segundo a polícia.

02

POR QUE HERDEIROS?

O delegado Josafá da Silva afirmou que o grupo é formado por herdeiros das terras. O detalhe, compreendido pela polícia, mas refutado pelos acusados, é que a área foi vendida formalmente, não havendo qualquer direito de apropriação. As terras pertenceriam a Fernando Rodrigues da Silva. Segundo a defesa dos acusados, o homem foi dono de algumas terras até a década de 1970. Os acusados e envolvidos são, portanto, parentes de Fernando e gostariam de ter as terras de volta. "A venda das terras foi feita de forma legal no cartório. Tivemos cuidado de pesquisar tudo isso. Agora os tais herdeiros reclamam da posse, inclusive com ações na Justiça", disse o delegado.

03

EM QUE ÁREA ATUAVAM?

De acordo com a Polícia Civil, a atuação do grupo tinha uma área definida: Civit I, na Serra. "Eles agiam muito na área do polo industrial de Civit I, invadiam propriedades privadas de pessoas, mas também de empresas", detalhou o delegado Josafá da Silva.

04

COMO AGIA O GRUPO, SEGUNDO A POLÍCIA

Conforme as investigações, o grupo invadia e usava da força para ter as terras. O modus operandi era o seguinte: com armas e ameaças, os suspeitos expulsavam as famílias das terras. Eles utilizavam a justificativa de serem herdeiros para manter os donos das terras fora dos locais. "Se diziam herdeiros, ameaçavam as pessoas e inclusive portavam armas de fogo, agindo como se fossem uma milícia particular. O grupo se organizava para dominar território por meio de ameaças, como uma milícia, praticando terrorismo", afirmou o delegado.

05

HÁ QUANTO TEMPO AGIAM?

Ainda segundo Josafá da Silva, o grupo atua na Serra desde 2021. Desde então, segundo a Polícia Civil, quatro ou cinco famílias teriam sido expulsas de casa.

Polícia pediu prisão preventiva

De acordo com Josafá da Silva, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva de todos os acusados, mas o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) teria concedido apenas os mandados de busca e apreensão. Apesar de os sete terem sido presos, ao menos seis deles foram liberados com o uso de tornozeleira eletrônica.

O que diz o MPES

Procurado pela reportagem, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Regional de Investigação Criminal e Controle Externo da Atividade Policial, informou que "a partir do que foi exposto pela Autoridade Policial e pelas vítimas, requereu a necessidade de prisão para um dos investigados."
Segundo o MPES, para os demais investigados, além da busca e apreensão nos locais por eles utilizados, com o objetivo de apreender objetos que interessam à prova da materialidade dos delitos e à instrução criminal, foram requeridas outras medidas cautelares, como a proibição de acesso e frequência ao Bairro Civit I e a proibição de contato com as vítimas e seus familiares, para garantir a ordem pública.

O que diz a Prefeitura da Serra

Após a Polícia Civil efetuar a prisão dos acusados, a reportagem apurou que um deles seria um assessor comunitário. Guilherme Ribeiro de Souza Lima foi exonerado nesta quarta-feira (5), conforme publicado no Diário Oficial do município.
Procurada, a Prefeitura da Serra emitiu nota informando que "não pactua com má conduta, e, diante das denúncias envolvendo um servidor, optou pela exoneração imediata, enquanto as possíveis irregularidades estão sendo apuradas. A Prefeitura reforça que o cargo até então ocupado pelo servidor era o de assessor comunitário".
Em uma rede social, o prefeito da Serra, Sergio Vidigal, também publicou uma nota: "Fomos surpreendidos com a notícia de prisão de um servidor comissionado da Prefeitura da Serra, acusado de grilagem. Diante disso, determinamos a sua exoneração imediata e vamos colaborar amplamente com as investigações. Somos intransigentes e intolerantes com qualquer ato ilícito".

O que diz a defesa dos acusados

A reportagem de A Gazeta procurou a defesa dos acusados após a coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (5) pela Polícia Civil para tratar do caso. Após apurar sobre o modus operandi dos acusados, a reportagem questionou a defesa considerando as informações da polícia.
Em conversa por telefone, o advogado Caio Dal Col informou que aproximadamente 50 ou 60 pessoas fazem parte do grupo de herdeiros de Fernando Rodrigues e Ana Penha, antigos donos das terras na região. Caio afirmou à reportagem que os acusados seriam, na verdade, vítimas de grilagem no passado e que estariam tentando ter as propriedades de direito deles.
O advogado de defesa contestou as informações da polícia. "A defesa deve ingressar com ações para comprovar o direito de uso das terras. Eles sofreram com a grilagem. São idosos, pessoas sérias. O processo é um absurdo, estão lesando gravemente a família", disse. Caio Dal Col refutou que os acusados tenham usado armas de fogo e feito ameaças contra os ocupantes das terras.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Esgoto
Água, esgoto e saúde pública: desafio urgente que o ES precisa enfrentar
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Eis o tempo de acabar com a neoescravidão
Heliene Del Esposti, Tia Penha e Penha Colodetti
Pantaneiras celebram aniversariantes do mês com jantar em Vitória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados