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Crime em Vila Velha

A estratégia que namorado da ex de professor de jiu-jítsu fez para esconder assassinato no ES

Rhaylan adulterou imagens do sistema de câmeras da loja e tentou esconder a arma, uma pistola; Stanley Stein foi morto a tiros no bairro Araças no dia 28 de fevereiro deste ano

Publicado em 14 de Maio de 2025 às 18:50

Nayra Loureiro

Publicado em 

14 mai 2025 às 18:50
Nicole Aparecida Muniz Liberato, de 23 anos, e Rhaylan Moraes de Almeida, de 35 anos, foram presos pelo assassinato do professor de Stanley Stein, de 48 anos, morto a tiros no bairro Araçás, em Vila Velha
Nicole Aparecida Muniz Liberato, de 23 anos, e Rhaylan Moraes de Almeida, de 35 anos, foram presos pelo assassinato do professor de Stanley Stein, de 48 anos, morto a tiros no bairro Araçás, em Vila Velha Crédito: Arquivo pessoal | Sesp
Após matar o professor de jiu-jitsu Stanley Stein a tiros no bairro Araças, em Vila Velha, Rhaylan Moraes de Almeida, de 35 anos, agiu para tentar esconder a participação dele no crime. A Polícia Civil revelou que o suspeito, que mantinha um relacionamento com a ex-namorada da vítima, Nicole Aparecida Muniz Liberato, de 23 anos, apagou imagens de segurança da loja onde trabalhava, escondeu a arma usada no homicídio e tentou criar gravações falsas. O crime, segundo a Polícia Civil, foi motivado por ciúmes. Nicole e Rhaylan foram presos em março deste ano.
Rhaylan era funcionário antigo do local e ocupava o cargo de gerente. Com acesso ao sistema interno de câmeras, adulterou o gravador de vídeo e apagou os registros do dia 28 de fevereiro — data em que o crime aconteceu. Ele também criou pastas com imagens em que aparecia na loja em outro horário e com roupas diferentes, tentando simular que estava no trabalho no momento do assassinato. As imagens falsas foram descobertas durante as investigações.
o assassino utilizou uma arma registrada no nome dele, uma pistola calibre 9 mm, para cometer o crime
O suspeito utilizou uma arma registrada no nome dele — uma pistola calibre 9 mm — para cometer o crime Crédito: Divulgação | Sesp
Além disso, o suspeito escondeu a arma do crime — uma pistola 9 mm registrada no nome dele — dentro de uma área de estoque da loja, de difícil acesso. Ao ser questionado pelos policiais, ele indicou inicialmente que a arma estaria em um cofre em casa, mas, ao abrir o compartimento, o armamento não foi encontrado. Diante disso, tentou alegar que a arma havia sido furtada, o que não se confirmou. O confronto balístico da Polícia Científica confirmou que os disparos que mataram Stanley partiram da pistola de Rhaylan.
A investigação também apontou que o autor do crime passou a monitorar a rotina de Stanley após receber informações da namorada, Nicole Aparecida Muniz Liberato, ex-companheira da vítima. Os dois foram presos em 17 de março.  Rhaylan irá responder por homicídio qualificado por motivo torpe, com impossibilidade de defesa da vítima e fraude processual, já que ele tentou esconder a arma do crime. A companheira dele, Nicole, irá responder pelo mesmo crime de homicídio.

Motivação 

Segundo o chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, delegado Daniel Fortes, Stanley e Nicole haviam se relacionado entre abril e dezembro do ano passado. Já no mês de janeiro, ela começou a namorar Rhaylan. Em depoimento, ela disse que, mesmo após o fim, o ex-companheiro continuava indo atrás dela. “Então, ela relatou ao Rhaylan que estava se sentindo incomodada. Após isso, a partir do dia 23 de janeiro, ele começou a monitorar o professor e Nicole indicou o local onde a vítima morava, fornecendo detalhes da rotina dele para Rhaylan”, detalhou.
A partir dessas informações, Rhaylan passou a monitorar a vítima. Ele chegou a ir ao local do crime no dia anterior, mas desistiu ao ver Stanley acompanhado da filha. No dia 28 de fevereiro, no entanto, voltou armado, esperou o professor sair de casa e atirou quatro vezes, sendo dois disparos fatais. Imagens de câmeras de segurança mostram a vítima sendo atingido pelas costas.

PRF ajudou a identificar o carro do crime

A investigação avançou após a Polícia Civil conseguir imagens que mostravam o carro usado pelo executor. Com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, foi possível confirmar que o veículo, um Fiat Siena, não era clonado e pertencia à família de Rhaylan. A PRF também contribuiu com a análise de imagens e o cruzamento de dados, permitindo identificar o suspeito e apontar que o carro foi usado no dia e horário do crime.
A partir daí, os policiais descobriram que Nicole trabalhava na mesma loja que Rhaylan, o que estabeleceu o vínculo entre os dois e a vítima. De forma complementar, a Polícia Científica foi responsável por realizar o confronto balístico que confirmou o uso da arma no homicídio.
Durante a investigação, a polícia descobriu ainda que, após o crime, Rhaylan tentou apagar rastros que o ligavam ao homicídio. Ele adulterou o sistema de câmeras da loja onde trabalhava, apagando as imagens do dia do assassinato e criando pastas com vídeos falsos que o mostravam no trabalho, em outro horário, usando roupas diferentes. O objetivo seria criar um álibi, mas os investigadores localizaram esse material durante a análise do sistema de gravação.
Quando a equipe da Polícia Civil foi até a casa de Rhaylan para apreender a pistola, ele indicou que ela estaria guardada em um cofre. No entanto, ao abrir o compartimento, a arma não foi encontrada. Diante disso, ele alegou que a pistola teria sido furtada, sem saber explicar como ou por quem. A versão foi descartada depois que a arma foi encontrada escondida no estoque da loja onde ele trabalhava.

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