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Na contramão, professores e escolas lutam por melhores resultados no ES

O Pisa 2018 revela o baixo desempenho do país em Educação, mas há muitos educadores comprometidos em mudar essa realidade, inclusive no Espírito Santo

Publicado em 04/12/2019 às 04h00
Atualizado em 04/12/2019 às 04h02
Jovens ouvindo explicação na sala de aula: professor é figura central para o aprendizado. Crédito: shutterstock
Jovens ouvindo explicação na sala de aula: professor é figura central para o aprendizado. Crédito: shutterstock

Responsável pela coordenação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) no Brasil, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) decidiu, neste ano, não divulgar o desempenho dos alunos por Estado. Assim, o Espírito Santo contribui, de igual forma a outros Estados, para o mau resultado. Mas, na contramão desse caminho, há escolas e professores comprometidos em mudar a realidade.

A Secretaria de Estado da Educação (Sedu), por nota, diz que diversas ações são realizadas visando o bom desempenho da rede em Leitura, Matemática e Ciências, que são avaliadas pelo Pisa.

Entre as iniciativas estão o teste de fluência em leitura, a formação continuada de professores da rede nessas áreas, e a aplicação do Paebes Tri (avaliação trimestral) para o ensino fundamental, como ferramenta para intervenção pedagógica. Isso significa dizer que, se são identificados problemas de aprendizagem, eles podem ser corrigidos ao longo do ano, em vez de esperar a prova final.

"Outras ações, como aumento do quadro administrativo das escolas, formação e seleção técnica de diretores, melhorias da infraestrutura da rede e a ampliação das escolas de tempo integral também são ferramentas importantes nesse processo", conclui a Sedu, na nota.

Uma das escolas da rede que buscam a melhoria da qualidade é a Almirante Barroso, com turmas da 1ª à 3ª série do ensino médio, em Goiabeiras, Vitória. A diretora Ana Beatriz Ribeiro Ferreira conta que uma das estratégias, adotada no ano passado, já começou a dar resultado.

Em Língua Portuguesa e Matemática, uma das cinco aulas da semana é destinada exclusivamente à revisão de conteúdo. Uma medida simples, com o apoio dos professores, e que, segundo Ana Beatriz, melhorou a proficiência dos alunos nas duas disciplinas, contribuindo para o aumento da taxa de aprovação e também  do desempenho em avaliações de larga escala, como o Saeb.

A ação tem dado tão certo que professores de outras disciplinas passaram a adotar a medida, mas Ana Beatriz diz que, a partir de 2020, essa prática se tornará sistematizada, assim como é em Português e Matemática, para as áreas de Ciências da Natureza e Ciências Humanas. 

Outra iniciativa da escola é incentivar os alunos a participar de olimpíadas educacionais, nas mais diversas áreas, promovendo o aprendizado de uma maneira diferenciado. 

"Também temos trabalhado o incentivo à leitura, trazendo escritores para falar com os alunos, parando a escola em um dia para todo mundo ler, apresentando livros diferentes. Tem ainda o desafio de slam (campeonato de poesia) que estamos realizando e é algo de que os alunos gostam bastante", aponta.

Mas o incremento de resultados passa, também, por melhorias na ambiência das unidades de ensino. Um caso emblemático é o da Escola Jones José do Nascimento, em Central Carapina, na Serra, que era lugar de muitos conflitos e pouco aprendizado. Até a chegada da diretora Juliana Rohsner, em 2016, que deu os primeiros passos para mudar a realidade da comunidade escolar. 

Uma série de iniciativas, da limpeza à criação de regras, passando por sessões de cinema, elevou a escola a um novo patamar. De convivência e de aprendizagem. No Programa de Avaliação da Educação Básica do Espírito Santo (Paebes), em 2016, 67% dos alunos tinham nível de conhecimento abaixo do básico. No ano passado, o índice havia caído para 13%.  Todo o esforço e dedicação levaram Juliana a conquistar, agora em 2019, o prêmio nacional "Educador Nota 10".

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