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Mais um professor acusado de assédio sexual na Serra é afastado

Este é o terceiro servidor afastado desde que as denúncias de assédio começaram. Alunos relataram piadas de cunho sexual

Publicado em 02/07/2019 às 20h37
Alunos da escola Clóvis Borges Miguel iniciaram um movimento de denúncias de assédio contra professores da unidade. Crédito: Iara Diniz
Alunos da escola Clóvis Borges Miguel iniciaram um movimento de denúncias de assédio contra professores da unidade. Crédito: Iara Diniz

Mais um professor da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, na Serra, foi afastado por suspeita de assédio sexual. Este é o terceiro servidor da unidade denunciado por estudantes, que iniciaram um movimento de denúncias nas redes sociais em junho deste ano. Desta vez, a vítima é um aluno de 15 anos, diagnosticado com deficiência intelectual. Os assédios teriam acontecido em maio.

O afastamento do professor foi divulgado pela Secretaria de Educação (Sedu) nesta terça-feira (2). De acordo com o secretário Vitor de Angelo, o servidor foi afastado da instituição para garantir a segurança dele e dos alunos. A acusação de assédio será apurada.

Vitor de Angelo, secretário de Educação

Cargo do Autor

"Se comprovada a culpa dele, não podemos ter corrido o risco de ter deixado o professor ter permanecido mais algum tempo em sala de aula convivendo com o aluno que o acusa. O afastamento é para resguardar aluno e professor; é uma integridade lado a lado"

A DENÚNCIA

denúncia foi feita pela mãe do aluno à diretora da unidade há quase dois meses, porém o caso não foi reportado à Secretaria de Educação. Na época, trocas de mensagens entre estudante e professor foram entregues a escola. Segundo de Angelo, a diretora será ouvida nesta quarta-feira (3) para explicar porque não reportou a denúncia.

O caso veio à tona após outros dois professores da unidade serem denunciados por assédio por alunas da unidade. Com a repercussão, a mãe do adolescente procurou a Comissão  de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia Legislativa na última segunda-feira (01).

Em depoimento, ela contou que no dia 5 de maio encontrou conversas de cunho sexual do filho com o professor em uma rede social. Nas mensagens, o professor insinuava que queria encontrar com o garoto e dizia, por diversas vezes, que gostava muito dele. Assustada, ela procurou a diretora da escola, denunciando caso.

Mensagens mostram que mãe de aluno encaminhou denúncias à diretora, e que as mensagens foram lidas e respondidas. Crédito: Reprodução | WhatsApp
Mensagens mostram que mãe de aluno encaminhou denúncias à diretora, e que as mensagens foram lidas e respondidas. Crédito: Reprodução | WhatsApp

Segundo a mãe do aluno, ela encaminhou uma cópia das conversas para diretora, que chegou a sugerir que o estudante fosse trocado de turno. Como a mãe não aceitou, ela disse que tomaria as providências necessárias e daria retorno à família. Porém, o aluno continuou tendo contato com o funcionário.

Lorenzo Pazolini, deputado e presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente

Cargo do Autor

" É inaceitável e chocante que esta criança continua convivendo com o assediador. E mais ainda que a diretora, em vez de proteger a vítima, tentou puni-la, sugerindo a mãe uma troca de turno. É lamentável"

CASO NÃO FOI COMUNICADO À SEDU

Mesmo tendo provas materiais, a diretora não levou o caso à Corregedoria da Secretaria de Educação nestes quase dois meses. Em depoimento à Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente e a CPI dos Crimes Cibernéticos em sessão na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (2), ela disse que ainda estava apurando o caso e realizando um procedimento interno.

O secretário de educação informou à reportagem que ainda não teve a oportunidade de ouvir a diretora, e que ela deve prestar depoimento na secretaria nesta quarta-feira (3). Questionado se ele acha que a diretora foi omissa ao não comunicar o caso à Sedu, Vitor de Angelo afirmou que ainda não sabe dizer se houve omissão mas que isso será apurado.

ENTENDA COMO TUDO COMEÇOU

No final do mês de junho, um grupo de alunas da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, em Serra Sede, na Serra, denunciou um dos professores por assédio sexualElas escreveram cartas anônimas e depositaram em urnas para que funcionários da escola e outros alunos soubessem do assédio que acontecia na escola. De acordo com elas, foi a forma encontrada para pedir socorro.

As denúncias ganharam repercussão quando foram compartilhadas no Twitter,  criando o movimento online #SuaAlunaNãoEumaNovinha. Na ocasião, as redes sociais foram tomadas por relatos de assédio de professores contra alunos em escolas. A Gazeta divulgou o caso com exclusividade.

Carta de apoio enviada às alunas da escola. Crédito: Arquivo pessoal
Carta de apoio enviada às alunas da escola. Crédito: Arquivo pessoal

AFASTAMENTOS

Diante das denúncias, a Secretaria de Educação decidiu afastar o professor e iniciar um processo de investigação interna. A partir do movimento iniciado pelas estudantes, outras denúncias surgiram, inclusive de ex-alunas da escola. Dias depois, um segundo professor da unidade foi denunciado e também afastado.

Nesta terça-feira (2), após a mãe de um estudante procurar a Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia Legislativa, outro caso veio à tona e um terceiro professor foi denunciado. Este é o terceiro servidor afastado após denúncias de assédio sexual na Escola Clóvis Borges Miguel iniciadas no último mês. 

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