A situação de um estudante morto e outras 11 pessoas internadas devido ao uso de mescalina, uma droga mexicana, durante uma festa rave em Guarapari reacendeu um alerta que vai além da ilegalidade de fazer uso e venda de entorpecentes: os efeitos no organismo humano provocados pelo consumo de drogas. Junto a especialistas no assunto, A Gazeta apurou os efeitos das drogas mais usadas nas festas.
O médico PhD em dependência química, João Chequer, diz que a maioria das substâncias que originam as drogas existem na natureza. Porém, ao serem sintetizadas e colocadas em grande concentração em uma pílula ou cápsula, viram entorpecentes que viciam e geram danos ao organismo.
Além da droga em si, a combinação com outros tipos de entorpecentes e a mistura com o álcool aumentam a possibilidade de complicações. "A vulnerabilidade do organismo de cada indivíduo, somada à quantidade ingerida e às misturas com bebida em festas, pode gerar um quadro de overdose", alertou Valdir Campos, professor de Psiquiatria da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
COCAÍNA
MESCALINA MEXICANA
A mescalina usada em uma festa rave pelo universitário que morreu em Guarapari não é uma droga que comumente é encontrada no Espírito Santo, segundo relato da própria Polícia Civil.
De acordo com o professor Valdir Campos, ela também gera alucinações , delírios, vômitos, diarreias e paradas cardiorrespiratórias. Já o psiquiatra forense Fausto Amarante, diz que a mescalina era uma droga usada por jovens na década de 60 nas grandes cidades. "Discutia-se sobre ela na época no Rio de Janeiro. Porém, ela perdeu o espaço após a chegada do LSD, deixou de ser da moda. A questão é que o jovem continua a achar que é onipotente e que nunca vai acontecer nada de ruim com ele, ignora o perigo e assume o risco das consequências do uso de drogas", pontuou Amarante.