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Abastecimento

40% da água tratada é desperdiçada no Espírito Santo

Perda ocorre principalmente por conta de vazamentos e gatos

Publicado em 07 de Junho de 2019 às 01:35

Natalia Bourguignon

Publicado em 

07 jun 2019 às 01:35
Perda acontece por vários fatores, que vão desde rompimento de tubulações por conta da falta de manutenção do sistema ao uso clandestino do recurso, os chamados gatos Crédito: Arquivo/GZ
A cada dez litros de água, limpa e potável que saem das estações de tratamento, quatro ficam pelo caminho. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), o índice de perdas na distribuição de água no Espírito Santo é de 39,2%, ligeiramente acima da média nacional, que é de 38,3%.
Essa perda acontece por vários fatores, que vão desde rompimento de tubulações por conta da falta de manutenção do sistema ao uso clandestino do recurso, os chamados gatos. Estes permitem que pessoas utilizem água de forma clandestina, sem pagar por ela.
Dessas e de outras maneiras, em 2017, ano referência do Snis, a água perdida no Estado daria para encher pelo menos 47 mil piscinas olímpicas. Foram mais de 13 milhões de litros por hora.
Em oito municípios do Estado o índice de perdas é maior que 50%, ou seja, nessas cidades, se perde mais água pelo caminho do que chega na casa das pessoas. A situação mais crítica está em Jaguaré, onde oito em cada 10 litros de água não chegam ao destino, ou seja, as perdas beiram os 80%. Em Mimoso do Sul, o índice também é alto: 69,9%.
Dentre os municípios do Espírito Santo que menos perdem água estão Itaguaçu (1,2%), Itapemirim (1,65%) e Marataízes (2,07%). Na Grande Vitória, a cidade em melhor situação é a Serra, com perda de 32,8%.
 
“As perdas de água refletem ineficiência do abastecimento”, afirma Pedro Scazufca, pesquisador do Trata Brasil, instituto que publicou na última quarta-feira estudo sobre o assunto, mostrando a situação em todo o país. De acordo com o relatório, em Roraima, Estado com o pior índice, a perda na distribuição chega a 75%. Já em Goiás, as perdas não passam de 26%, índice parecido ao de países desenvolvidos.
CUSTOS
Essa ineficiência, como pontua o especialista, tem um custo. “Se as perdas fossem reduzidas a zero, as concessionárias deixariam de gastar R$ 11 bilhões por ano. Esse valor é igual ao investimento feito em água e esgoto no Brasil em 2017. O que a gente desperdiça de água é quase igual ao que está investindo no setor”, afirma.
O pesquisador salienta que é praticamente impossível que qualquer país consiga atingir um índice de perdas igual a zero. No entanto, ele acredita que é preciso buscar uma redução urgentemente. “A gente entende que um patamar de 20% é uma meta ambiciosa, mas possível. Locais como Japão e Dinamarca tem índices até mais baixos”, diz.
AUMENTO
 
Outra preocupação apontada no estudo é no aumento desse número ano após ano. Isso significa que uma parte maior da água tratada é perdida cada vez mais. Para a Trata Brasil, esse é um fenômeno esperado já que os sistemas de distribuição estão cada vez mais velhos, o que propicia mais vazamentos. “Se não investirem na manutenção do sistema a perda vai sempre aumentar. Como não se tem investido de maneira suficiente, a tendência tem sido essa”, diz o pesquisador.
Para Scazufca, é possível vencer o desafio e reduzir as perdas a um nível mais aceitável. A mudança, no entanto, carece de investimentos importantes. “Há um custo sim. O que deve ser feito são melhorias na gestão da companhia, direcionamento para redução das perdas. Há sim que se fazer investimento para troca de redes, melhor controle operacional e há também um gasto associado a melhoria da gestão comercial, ou seja, coibir fraudes, trocar de hidrômetros, etc”, enumera.
Ele assegura que, a longo prazo, os investimentos valem a pena. “Quem investe na redução de perdas tem retorno financeiro porque ele vai poder tratar menos água para suprir a mesma demanda. Os custos caem. Faz sentido para toda empresa que invista em redução de perdas.”

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