O primeiro voo internacional regular do Aeroporto de Vitória, que ligará a capital capixaba a Buenos Aires, é visto por representantes do setor produtivo como um passo importante na estratégia do Espírito Santo para enfrentar os desafios da reforma tributária.
Com a mudança no sistema de arrecadação, que passará a privilegiar o local onde ocorre o consumo, atrair turistas tornou-se uma alternativa para fortalecer a economia estadual.
A nova rota, anunciada no último dia 28, faz parte de um projeto voltado à internacionalização do turismo capixaba, tendo a Argentina como mercado prioritário. A expectativa é inserir o Espírito Santo no roteiro de turistas argentinos que já visitam o litoral brasileiro, ampliando o fluxo de visitantes e o consumo em hotéis, bares, restaurantes, comércio e demais serviços.
Em entrevista para a reportagem de A Gazeta, o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, explicou que a iniciativa vai além da criação de uma nova ligação aérea. Ela está inserida em uma estratégia econômica de longo prazo diante das mudanças promovidas pela reforma tributária.
Todo esse projeto está estruturado para ativar o mercado argentino. Eles já frequentam praticamente todo o litoral brasileiro. A ideia é incluir o Espírito Santo nesse percurso
Pedro Rigo, superintendente do Sebrae/ES
A lógica está diretamente relacionada ao novo modelo tributário, cuja transição será concluída até 2033. Com a implantação da reforma, a arrecadação dos tributos sobre o consumo passará gradualmente a ficar no Estado onde o bem é consumido ou o serviço é prestado, reduzindo a importância da origem da produção.
Para Rigo, isso torna o turismo uma atividade ainda mais estratégica para estados como o Espírito Santo.
Precisamos aumentar o consumo dentro do Estado. O turista vem para consumir hospedagem, alimentação, transporte, lazer e comércio. Por isso, precisamos trazer esses visitantes para o ES
Pedro Rigo, superintendente do Sebrae/ES
A escolha da Argentina não ocorreu por acaso. O país é o principal emissor de turistas internacionais para o Brasil. Segundo o Sebrae/ES, cerca de 3,3 milhões de argentinos visitam o país todos os anos. O Chile aparece na sequência, com aproximadamente 1 milhão de turistas anuais.
A avaliação é que parte desse público, que tradicionalmente concentra as viagens em destinos do Sul e do Nordeste, pode passar a incluir o Espírito Santo em seus roteiros com a criação da ligação aérea direta.
Além de aumentar o fluxo de visitantes, a expectativa é ampliar o tempo de permanência dos turistas e estimular o consumo em diferentes regiões capixabas, mostrando os potenciais do Estado com o café, as diferentes culturas e praias do litoral.
Outro efeito esperado é o crescimento da movimentação no Aeroporto de Vitória. A projeção apresentada pelo Sebrae é de expansão de cerca de 12% ao ano na utilização do terminal, impulsionada pela nova conexão internacional e pelo fortalecimento do turismo.
Na avaliação de Pedro Rigo, esse movimento beneficia diretamente milhares de pequenos negócios ligados à cadeia turística, como hotéis, pousadas, restaurantes, agências de viagem, operadores de turismo, transporte, comércio e empreendimentos de lazer.
A estratégia também dialoga com uma preocupação que vem sendo discutida desde a aprovação da reforma tributária. Como a arrecadação passará a acompanhar o consumo, estados que conseguirem atrair mais visitantes tendem a ampliar a geração de receitas sobre serviços e atividades ligadas ao turismo.
Nesse cenário, o primeiro voo internacional regular de Vitória é visto como uma oportunidade para posicionar o Espírito Santo em um mercado que já movimenta milhões de turistas por ano e fortalecer um setor que pode ganhar peso na economia capixaba durante a transição para o novo sistema tributário.