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Tarifaço de Trump: ES avalia usar Bandes e incentivos tributários para socorrer empresas

Tarifaço de Trump: ES avalia usar Bandes e incentivos tributários para socorrer empresas

Em entrevista à Globonews, governador Renato Casagrande falou sobre a criação do comitê que vai avaliar impactos nos setores produtivos do Espírito Santo

Publicado em 23 de julho de 2025 às 10:16

Renato Casagrande, governador do ES
Renato Casagrande, governador do ES Crédito: Ricardo Medeiros

Em meio à crise das tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo do Espírito Santo está avaliando adoção de medidas para amenizar o impacto nos setores produtivos exportadores caso as tarifas sejam mantidas a partir do dia 1º de agosto. O uso de recursos do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e incentivos tributários estão no rol de ações previstas para o governo para socorrer empresas afetadas e proteger empregos.

Esse é um dos caminhos que estão sendo avaliados pelo Estado no âmbito da instalação do comitê que vai apurar os impactos da medida para a economia do Espírito Santo, detalhado pelo governador Renato Casagrande, em entrevista à GloboNews e também à CBN Vitória, na manhã desta quarta-feira (23). 

O Estado é o segundo maior exportador para os Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, 33% dos produtos capixabas exportados foram destinados ao país norte-americano.

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Tarifaço de Trump: ES avalia usar Bandes e incentivos tributários para socorrer empresa

“Na conversa com setores de aço, celulose, pedras ornamentais, café, petróleo, os mais alcançados com as tarifas e que têm repercussão aqui no Estado, vamos avaliar alguma medida local. Tenho um banco de desenvolvimento, um banco comercial, seja na área tributária ou creditícia, vamos verificar medidas que podemos tomar para amenizar um pouco essas tarifas caso sejam mantidas a partir do dia 1º”, disse o governador.

Casagrande detalhou ainda que o comitê, liderado pelo vice-governador Ricardo Ferraço, e composto por outros membros do governo, tem como principal foco a articulação com o setor empresarial. A ideia é que o setor empresarial capixaba possa fortalecer a relação com o setor empresarial americano, que, segundo a avaliação do governo federal, pode ser mais eficiente que a via diplomática tradicional, devido ao perfil imprevisível do governo Trump.

O chefe do Executivo capixaba citou um exemplo de articulação que já tem sido feita: o setor de rochas ornamentais do Espírito Santo já contatou indústrias e entidades da construção civil americanas, que, por sua vez, enviaram uma carta ao presidente Trump defendendo o interesse de não taxar o setor.

Além disso, o comitê também está avaliando o impacto da redução da atividade econômica na receita do Estado e dos municípios. O objetivo é identificar preventivamente a necessidade de conter despesas para proteger a cultura de responsabilidade fiscal e a organização do estado, preparando-se para um cenário de dificuldades caso as tarifas sejam mantidas a partir de 1º de agosto.

Casagrande enfatizou a necessidade de um trabalho conjunto e articulado com o governo federal. Ele mencionou a discussão sobre uma reunião do Fórum dos Governadores com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para garantir uma centralidade nas negociações e evitar ações descoordenadas.

As tarifas impostas por Trump também foram assunto da agenda em Brasília terça-feira (22) com o presidente Lula. Casagrande esteve em Brasília para a assinatura da autorização do curso de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em São Mateus, no Norte do Espírito Santo.

Sobre a conversa com o presidente Lula e com o vice-presidente Geraldo Alckmin, Casagrande afirmou que o governo federal tem trabalhado na tentativa de uma relação diplomática entre os governo, mas também com os setores produtivos brasileiros e norte-americanos.

“O governo está apostando mais na relação e nas conversas entre os setores produtivos. Os empresários daqui dialogando com os empresários de lá, como os interessados americanos que têm relação com pessoas do governo do presidente Trump. Há uma crença maior de que a relação entre os empreendedores pode ser mais eficiente quando comparado com a relação diplomática”, afirmou Casagrande.

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