O Porto de Vitória tem potencial para atrair até 50 milhões de toneladas de cargas de outros Estados, principalmente de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. A estimativa faz parte de um projeto estratégico da Vports, concessionária responsável pela administração do complexo portuário, que busca ampliar a movimentação de mercadorias e aumentar a competitividade da estrutura capixaba.
Em entrevista à CBN Vitória, durante um programa especial em comemoração aos 120 anos do Porto de Vitória, o CEO da Vports, Pedro Benevides, afirmou que a empresa avalia oportunidades para receber cargas que atualmente enfrentam dificuldades logísticas em outros portos, como os de Santos e do Rio de Janeiro.
Identificamos uma matriz potencial de até 50 milhões de toneladas de carga para o Estado. Obviamente não temos capacidade imediata para movimentar todo esse volume, mas o leque de diversificação é amplo.
Pedro Benevides, CEO da Vports
Entre as possibilidades estão cargas de grãos, farelo de soja, ferro-gusa, coque, carvão e fertilizantes. A empresa também pretende ampliar operações já existentes, como a movimentação de lítio.
Segundo Benevides, a intenção é aproveitar a localização do Espírito Santo e as possibilidades de conexão ferroviária para atrair mercadorias de regiões que não se limitam ao território capixaba. O executivo citou gargalos enfrentados por outros portos, como filas de espera de navios que podem chegar a dez dias e dificuldades de acesso aos modais ferroviário e rodoviário.
Outro segmento destacado pelo presidente é o de veículos eletrificados. Segundo ele, 95% dos carros elétricos e híbridos que chegam ao Brasil desembarcam pelo Espírito Santo, o que reforça a participação do Estado na logística nacional desse mercado.
Um dos principais entraves para ampliar a movimentação de cargas é a renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), segundo o CEO da Vports. A ligação ferroviária é considerada estratégica para o transporte de mercadorias entre o Espírito Santo, Minas Gerais e outras regiões do país.
Benevides afirmou que a definição das regras para os próximos anos é importante para dar segurança jurídica aos investimentos previstos tanto pela concessionária ferroviária quanto pelo porto.
A concessionária já possui um pacote de aportes planejado e nós, dentro do porto, também temos investimentos diretamente atrelados a essa renovação ferroviária. Sem a segurança jurídica de um contrato estabelecendo as regras para os próximos anos, os investimentos travam
Pedro Benevides, CEO da Vports
Atualmente, o Porto de Vitória recebe diariamente 80 vagões, divididos em dois lotes, para a movimentação de ferro-gusa. O produto é transportado de Minas Gerais para o Espírito Santo, e os trens retornam após a operação.
Com uma conexão ferroviária mais eficiente com o Centro-Oeste, a expectativa é ampliar a variedade de mercadorias transportadas. A estrutura poderia, por exemplo, receber grãos e enviar fertilizantes para regiões produtoras.
A Vports prevê encerrar 2026 com movimentação próxima de 9 milhões de toneladas, o que representaria um recorde histórico para o porto. Segundo Benevides, o volume corresponde a um crescimento de aproximadamente 28% em relação às 7 milhões de toneladas movimentadas desde o início da concessão, em 2022.
A empresa também trabalha com a perspectiva de ampliar a movimentação para 10 milhões de toneladas e, posteriormente, chegar a 13 milhões. De acordo com o executivo, novos projetos devem contribuir para o aumento dos volumes.
O planejamento de longo prazo inclui um projeto estratégico para que o porto possa atender até 20 milhões de toneladas de cargas. A expansão, porém, depende da entrada de novos projetos e de investimentos em infraestrutura.
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