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Operação Cara Grande

Operação da PF desativa três casas de câmbio clandestinas no ES

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Vitória e Vila Velha. Investigados responderão pelo crime de lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro

Publicado em 04 de Março de 2021 às 11:58

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 mar 2021 às 11:58
Equipamentos e documentos apreendidos durante busca e apreensão na Operação
Equipamentos e documentos apreendidos durante busca e apreensão na Operação "Cara Grande" Crédito: Polícia Federal/Divulgação
Polícia Federal deflagrou uma operação nesta quinta-feira (4) com o objetivo de desativar três casas de câmbio localizadas no Espírito Santo que atuavam clandestinamente na compra e venda de moeda estrangeira e na remessa de valores para o exterior. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Vitória Vila Velha.
Ao todo, 22 policiais federais participação Operação "Cara Grande", que é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). Eles cumpriram os mandados em endereços residenciais e comerciais de proprietários e funcionários das empresas investigadas, em que foram apreendidos diversos documentos, equipamentos de mídia, além de quantia de dinheiro em espécie.
Segundo a Polícia Federal, os investigados responderão pelo crime de lavagem de dinheiro e pelos seguintes crimes previstos na Lei dos Crimes Contra o Sistema Financeiro: operar instituição financeira sem autorização e efetuar operação de câmbio não autorizada com o fim de promover evasão de divisas do país.
A operação teve início com o recebimento de denúncia anônima relatando a atuação ilegal de empresários no comércio de moeda estrangeiras.
Segundo a PF, as diligências preliminares confirmaram os fatos narrados na denúncia e mostraram que um dos empresários que vinha atuando ilegalmente já fora investigado pela prática dos mesmos crimes na Operação Paralelo, deflagrada pela PF em 2018.
Com o avanço das investigações foram identificadas três empresas que atuavam no mercado de câmbio de forma clandestina, ou seja, sem a autorização do Banco Central do Brasil.
Dinheiro apreendido durante busca e apreensão na Operação
Dinheiro apreendido durante busca e apreensão na Operação "Cara Grande" Crédito: Polícia Federal/Divulgação
Essas empresas compravam e vendiam moeda estrangeira em espécie e também realizavam remessas de valores para o exterior na modalidade conhecida como dólar-cabo.
Nesse tipo de operação, o interessado em fazer um pagamento no exterior entrega o valor corresponde em reais para o doleiro no Brasil que, por sua vez, utiliza uma conta própria ou de terceiros no exterior para efetuar o pagamento solicitado pelo cliente.
De acordo com informações da Polícia Federal, após o início da pandemia do coronavírus, essas empresas deixaram de atender os clientes em seus endereços comerciais, porém não cessaram com as atividades ilegais no mercado de câmbio.

"CARA GRANDE"

A operação policial recebeu o nome “Cara Grande” porque esse é um termo muito comum entre os doleiros quando negociam a compra de dólares em espécie.  
A nota de cem dólares nova tem uma imagem maior do ex-presidente americano Benjamin Franklin, por isso é chamada de “cara grande” ou “caruda”, em oposição às notas antigas impressas antes de 1996, chamadas de “cara pequena”.
A alteração da imagem impressa nas cédulas foi uma das diversas reformulações promovidas pelo banco central dos Estados Unidos para dificultar a produção de notas falsas.
A PF alertou que, ao comprar moeda estrangeira no mercado paralelo, com doleiros ao invés de instituições autorizadas, há o risco de adquirir notas falsas.
Além disso, a compra e venda no mercado negro contribui para fomentar a movimentação de recursos ligados a diversos tipos de atividades criminosas, como os tráficos de drogas, armas e animais silvestres, a corrupção, a sonegação e a lavagem de dinheiro.
Todas essas atividades se utilizam dos serviços de doleiros para transferir recursos entre países sem chamar a atenção das autoridades policiais.
* Com informações da PF

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