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Tumor na cabeça: entenda a doença que afeta Juninho, ex-prefeito de Cariacica

O sinal mais comum é a perda auditiva, mas também podem ocorrer zumbido, tontura e cefaleia

Publicado em 06 de Maio de 2026 às 10:46

Guilherme Sillva

Publicado em 

06 mai 2026 às 10:46
Juninho foi diagnosticado com um tumor de dois centímetros no crânio Crédito:  Fernando Madeira

O empresário Geraldo Luzia de Oliveira Júnior, o Juninho, revelou para A GAZETA que está com um tumor de dois centímetros no lado direito do crânio. Nesta quinta-feira, ela embarca para São Paulo, onde passará por uma cirurgia de alta complexidade. Juninho só descobriu o tumor após sofrer com o excesso de cera nos ouvidos.


"É um tumor, a princípio benigno, mas que é complexo, porque vou perder várias funções durante um período da vida. Tem a questão da paralisia facial, parece que vou ficar um período sem conseguir falar, e a parte de engolir os alimentos também será prejudicada. Não sei se vou conseguir me comunicar com as pessoas e nem fazer atividade física", contou.


O tumor classificado como CID-10 D33.3, conhecido como schwannoma vestibular, é uma formação benigna que se origina na bainha do nervo responsável pela audição e pelo equilíbrio. Apesar de não ser maligno, pode causar diversos sintomas que impactam a qualidade de vida do paciente. O sinal mais comum é a perda auditiva, mas também podem ocorrer zumbido, tontura e cefaleia. Em casos mais avançados, quando o tumor atinge maior volume, podem surgir manifestações como paralisia facial, alterações de sensibilidade na face e até incoordenação motora.


A otorrinolaringologista Nathalia Manhães explica que não há relação direta entre a produção excessiva de cera e o schwannoma vestibular. A cera é uma substância fisiológica produzida pelas glândulas do terço externo do canal auditivo. 


"Existe uma sobreposição de sintomas que merecem atenção: tanto a impactação de cerúmen quanto o schwannoma vestibular podem causar zumbido e sensação de ouvido tampado. Assim, em um paciente com queixa crônica de 'muita cera' e perda auditiva associada, é fundamental garantir que, após a remoção do cerúmen, a audição seja avaliada. Se persistir perda auditiva assimétrica, zumbido unilateral ou baixo índice de entendimento da fala, deve-se investigar".


A hipoacusia (perda auditiva) é o sintoma mais precoce e frequente da doença. "Normalmente se manifesta como perda auditiva neurossensorial progressiva e assimétrica, porém pode se manifestar de forma súbita. Diminuição na compreensão da fala não compatível com a perda auditiva é muito comum", diz a médica. Outros sinais são zumbido, tontura ou desequilíbrio e alteração da movimentação da face.


Nathalia Manhães diz que a progressão dos sintomas se relaciona com o tamanho e o crescimento tumorais. "A direção de crescimento tumoral é variável e determinará qual nervo craniano pode ser afetado". 

Nathalia Manhães
Nathalia Manhães explica os sinais da doença Divulgação Nathalia Manhães

Em tumores maiores que comprimem o tronco encefálico e cerebelo, pode ocorrer alteração da sensibilidade da face, neuralgia trigeminal, dismetria cerebelar e aumento da pressão intracraniana progressiva

Nathalia Manhães Otorrinolaringologista 

neurocirurgião Rodrigo Azeredo Costa, do Hospital Santa Rita, diz que na maioria das situações, o schwannoma vestibular surge de forma esporádica, sem relação hereditária. “No entanto, há casos associados a síndromes genéticas, como a neurofibromatose tipo II, que aumentam a predisposição ao desenvolvimento do tumor.”


A decisão pelo tratamento cirúrgico depende de fatores como o tamanho do tumor, a idade do paciente e os sintomas apresentados. “Quando há indicação de intervenção, a abordagem mais comum é a microcirurgia, que envolve a abertura do crânio para remoção da lesão. Em algumas situações específicas, a radiocirurgia - técnica que utiliza radiação localizada sem necessidade de cortes - pode ser considerada”, explica o especialista.


O neurocirurgião acrescenta, ainda, que a cirurgia pode ser necessária em diferentes cenários, como para aliviar compressões de estruturas neurológicas, tentar preservar a audição em tumores menores, tratar casos em que houve crescimento tumoral durante acompanhamento ou esclarecer dúvidas diagnósticas por meio de análise histopatológica.


“Embora complicações como paralisia facial e dificuldade para se alimentar possam ocorrer, especialmente em tumores maiores devido à proximidade com nervos importantes, esses quadros não são comuns. Quando presentes, podem ser reversíveis ou demandar procedimentos de reabilitação”, pontua Rodrigo Azeredo Costa.


Paralisia facial


Nathalia Manhães explica que embora o schwannoma vestibular seja benigno e de crescimento lento, sua localização no ângulo pontocerebelar — um espaço confinado entre o tronco encefálico, cerebelo e osso temporal — significa que o crescimento contínuo pode levar a compressão do tronco encefálico, aumento da pressão intracraniana e déficits neurológicos graves. 


"Existem algumas opções no manejo dos schwannomas: observação, ressecção cirúrgica, radioterapia ou radiocirurgia. Geralmente, a ressecção cirúrgica é a melhor opção em pacientes menores que 65 anos e sem comorbidades, especialmente quando se trata de tumores grandes, tumores com crescimento documentado em exames seriados e risco de dano irreversível caso o tumor continue crescendo", conta.


A  médica diz que a paralisia facial é a complicação neurológica mais frequente da cirurgia, e seu risco é diretamente proporcional ao tamanho do tumor. "Pode ser transitória ou permanente, parcial ou completa. Estudos mostram que em tumores pequenos, fraqueza facial permanente ocorre em menos de 10% dos casos; em tumores grandes, o risco de paralisia facial permanente após ressecção total chega a aproximadamente 50%", diz. Dificuldade para se alimentar (disfagia) é menos frequente, mas clinicamente significativa, quando presente.


De acordo com o médico, no pós-operatório, a recuperação costuma ser rápida, com alta hospitalar entre dois e quatro dias. “O acompanhamento inclui fisioterapia voltada à reabilitação vestibular e auditiva, além da realização de exames de imagem para avaliar o resultado da cirurgia. Em geral, não há necessidade de tratamentos oncológicos complementares após a remoção do tumor”, conclui.

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