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Indústrias negociam compra de doses de vacina contra a Covid para o ES

Findes tenta comprar, em parceria com federações de outros Estados, até 5 milhões de doses de uma vacina de dose única. Caso acordo seja concluído, os imunizantes podem chegar em até três semanas

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 23/03/2021 às 20h56
Atualizado em 23/03/2021 às 22h25
Vacina da Pfizer é a primeira a obter registro definitivo no Brasil
Frascos de vacina contra a Covid-19. Crédito: Pfizer Brasil/Divulgação

Correção

23 de Março de 2021 às 22:25

A versão inicial da matéria trazia de forma equivocada que as até cinco milhões de doses negociadas pela Findes seriam destinadas ao Espírito Santo. No entanto, caso a compra seja efetivada, os imunizantes também atenderão a outros Estados que estão envolvidos na negociação das cinco milhões de doses através de suas federações industriais. O texto e o título foram corrigidos.

Com a visão de que combater a pandemia é a única forma para resgatar a economia, indústrias capixabas, representadas pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), estão negociando a aquisição de até 5 milhões de doses de vacina contra o novo coronavírus. A tentativa está sendo feita em parceria com federações do setor de outros Estados.

O objetivo é ajudar a campanha de imunização no Espírito Santo e nos demais Estados envolvidos na negociação através de suas federações industriais. A expectativa é que, se o acordo avançar, os imunizantes podem chegar em terras capixabas em até três semanas.

O processo de compra está sendo discutido pela Findes com um fundo que adquiriu cerca de 100 milhões de doses de imunizantes da Europa. Destas, 60 milhões ainda estão disponíveis, explicou a empresária e presidente da entidade, Cris Samorini, que afirmou ainda se tratar de uma vacina aplicada em dose única.

Informações como o nome do fundo e o laboratório fabricante da vacina negociada não foram relevadas por serem classificadas como confidenciais até a conclusão da negociação. 

Há alguns dias, a Findes havia adiantado que a federação estava em contato com indústrias capixabas e com outras federações a fim de identificar a quantidade de doses necessárias para uma tentativa de compra.

A executiva conta que, na segunda-feira (22), foi realizado o credenciamento do profissional que irá representar o Espírito Santo nas negociações junto a esse fundo, com o qual também negociam outros Estados.

Cris Samorini

Presidente da Findes

"Não é um processo fácil, até mesmo em função da prioridade dada ao governo federal na compra dos imunizantes, mas há caminhos para aquisição da vacina sim. Temos inclusive conversado sobre o assunto de forma bem aberta com o governo estadual e esperamos firmar um acordo o quanto antes"

Samorini explica que a Findes e demais federações fizeram a consulta para aquisição de 3,5 milhões a 5 milhões de doses da vacina.

Ela observou que caso o governo do Estado - que também mantém negociações com laboratórios - consiga imunizantes primeiro, há os outros Estados interessados  poderiam ficar com os excedentes, como Minas GeraisGoiásSanta Catarina Ceará. Desta forma, nada será perdido.

Cris Samorini, empresária e presidente da Federação das Indústrias do ES - Findes
Cris Samorini, empresária e presidente da Federação das Indústrias do ES. Crédito: Carlos Alberto Silva

“Deve ser um esforço conjunto. Não queremos imunizar só a indústria, só este ou aquele cidadão. Quanto maior a parcela da sociedade imunizada, melhor. A situação que vivemos hoje, é insustentável. Então o que pudermos fazer será feito”, comenta.

VACINAS VÃO PARA O SISTEMA DE SAÚDE DO ES

Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), esclareceu que, a princípio, quaisquer doses adquiridas pelo governo estadual ou empresas serão inicialmente destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) para vacinação dos grupos prioritários no Estado.

Só após o grupo prioritário ser imunizado que as doses poderão ser utilizadas nos demais cidadãos capixabas, incluindo os trabalhadores das indústrias. 

A pasta informou também que "mantém negociação com laboratórios para a compra de vacinas contra a Covid-19. Caso o processo seja realizado, as doses serão destinadas aos grupos prioritários".

Uma lei sancionada no último dia 10 pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) autorizou Estados, municípios e o setor privado a comprarem vacinas contra a Covid-19. 

De acordo com o texto, pessoas jurídicas de direito privado, como empresas, por exemplo, poderão adquirir diretamente das farmacêuticas vacinas contra a Covid-19 que tenham autorização temporária para uso emergencial, autorização excepcional e temporária para importação e distribuição ou registro definitivo concedidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Enquanto estiver em curso a vacinação dos grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, as doses deverão ser integralmente doadas ao SUS.

Após a conclusão dessa etapa, o setor privado poderá ficar com metade das vacinas compradas desde que as doses sejam aplicadas gratuitamente - neste momento, as empresas poderão imunizar seus funcionários -, sendo que a outra metade ainda deverá ser remetida ao SUS.

A lei foi assinada após o movimento "Unidos pela Vacina", idealizado pela empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, ganhar apoio de várias lideranças empresariais, inclusive do Espírito Santo. A iniciativa apartidária visa imunizar todos os brasileiros contra a Covid-19 até setembro deste ano, em uma ação conjunta de empresas e entidades para apoiar o SUS.

No Estado, são embaixadores do projeto a Rede Gazeta, o Movimento ES em Ação, o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor (Sincades), o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística (Transcares) e as Federações das Indústrias (Findes) e do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-ES).

Esses parceiros pretendem colaborar na imunização dos capixabas através de apoio na logística e divulgação da vacinação, além de fazer a ponte entre secretarias de saúde e empresas para ajudar no suprimento de demandas como fornecimento de insumos, bens e serviços para a campanha de vacinação contra a Covid-19.

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