A Yara Fertilizantes, uma das maiores empresas em fertilizantes do mundo, e a Netafim, destaque global em soluções de irrigação, planejam criar áreas polo para disseminação da tecnologia de fertirrigação no Espírito Santo. A iniciativa ainda está em fase de planejamento e avaliação e deve ser concentrada em propriedades de produtores de café conilon na Região Norte do Estado.
Ainda não há município definido, cronograma para início das atividades ou valor de investimento. Segundo as empresas, a proposta é utilizar áreas de produtores que já possuem sistemas de irrigação para demonstrar, na prática, o uso da tecnologia e seus efeitos sobre o manejo nutricional das lavouras.
A escolha pelo Norte capixaba está relacionada à importância da região para a produção de café conilon. Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), essa é também a área do Estado onde há maior utilização de tecnologias de irrigação e fertirrigação.
A iniciativa prevê a realização de dias de campo, palestras e giros técnicos com produtores rurais. A intenção é ampliar o conhecimento sobre a fertirrigação e demonstrar formas de aplicação dos nutrientes de maneira parcelada e de acordo com as necessidades das plantas.
De acordo com Lucas Satiro, gerente de Fertirrigação da Yara Brasil, o Espírito Santo foi escolhido para receber uma das áreas-polo devido à importância do Estado no cenário nacional de irrigação e fertirrigação.
As áreas polos serão implementadas em produtores referência no cultivo do café conilon do norte do Espírito Santo. A ideia é unir forças dos recursos alocados para a criação dessa área polo de transferência de tecnologia
Lucas Satiro, gerente de fertirrigação da Yara Brasil
A Yara informou que serão utilizados fertilizantes solúveis, incluindo produtos desenvolvidos especificamente para fertirrigação.
Os fertilizantes utilizados nas áreas de demonstração serão fornecidos pela Yara e distribuídos por canais parceiros que já atuam no norte do Espírito Santo. Segundo a empresa, os produtos-foco são fabricados na Europa.
A aplicação será feita por meio dos sistemas de irrigação da Netafim. A tecnologia permite que água e nutrientes sejam fornecidos simultaneamente à lavoura e que a aplicação seja dividida em diferentes momentos, de acordo com o planejamento nutricional.
A fertirrigação é uma técnica que permite aplicar fertilizantes junto com a água utilizada na irrigação das lavouras. Em vez de distribuir os nutrientes separadamente, o produtor utiliza o próprio sistema de irrigação para levar os fertilizantes dissolvidos até as plantas.
A aplicação pode ser feita de forma parcelada, de acordo com a necessidade de cada cultura e com o estágio de desenvolvimento da plantação. Segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), quando realizada com recomendações técnicas e manejo adequado, a prática pode aumentar a eficiência no uso dos fertilizantes, reduzir perdas de nutrientes e melhorar a disponibilidade dos elementos necessários para o desenvolvimento das plantas.
Apesar de a parceria ainda estar em fase de planejamento, a fertirrigação não é uma tecnologia nova nas lavouras capixabas. De acordo com a Seag, ela já é utilizada em diversas culturas no Estado, principalmente em áreas de café conilon, mamão e pimenta-do-reino.
A secretaria destaca ainda o avanço dos sistemas de irrigação localizada no Espírito Santo ao longo dos anos. Dados dos Censos Agropecuários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2006, 72,3% dos sistemas de irrigação eram por aspersão.
Onze anos depois, no Censo Agropecuário de 2017, o cenário havia mudado: 78,4% dos sistemas de irrigação eram de gotejamento ou microaspersão. Esses modelos permitem a aplicação de fertilizantes junto com a água, viabilizando a fertirrigação.
Segundo a Seag, a mudança ganhou força após o período de seca enfrentado pelo Estado entre 2014 e 2016. A expansão da irrigação e da fertirrigação também é apontada pela secretaria como um dos fatores que contribuíram para o aumento da produtividade, especialmente do café conilon.
Para a pasta, a chegada de uma iniciativa voltada à transferência de tecnologia pode contribuir para ampliar o conhecimento dos produtores.
São duas empresas de referência nos seus ramos de atuação, uma de fertilizantes e outra de equipamento de irrigação. Então, tudo que puder trazer de tecnologia de ponta para melhorar a produção e a produtividade capixaba é uma boa iniciativa
Secretaria de Estado da Agricultura
A secretaria ressalta, porém, que a definição da área onde a iniciativa será implantada cabe às empresas.
O Incaper também avalia que a fertirrigação pode trazer ganhos para diferentes culturas produzidas no Estado.
Segundo o órgão, a técnica pode aumentar a eficiência no uso de fertilizantes, reduzir perdas por lixiviação e volatilização, melhorar a disponibilidade de nutrientes na região das raízes e contribuir para ganhos de produtividade, qualidade e sustentabilidade.
Entre as culturas citadas pelo Incaper estão café conilon, café arábica, pimenta-do-reino, mamão e eucalipto.
O instituto, no entanto, destaca que os resultados dependem diretamente da qualidade e do manejo do sistema de irrigação. É necessário, por exemplo, que haja uniformidade na distribuição da água, dimensionamento adequado do equipamento e acompanhamento da demanda hídrica da cultura.
Também são recomendados o monitoramento da fertilidade do solo, análises foliares, avaliação da qualidade da água e verificação da compatibilidade entre os fertilizantes utilizados.