O Espírito Santo vai estreitar as relações com os Estados Unidos para atrair mais empresas para o Estado e também ampliar a cooperação econômica e o comércio que já existem entre os dois entes. Na tarde desta quinta-feira (22), o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, e o governador Renato Casagrande assinaram um memorando de entendimento com a intenção das duas partes de expandir a cooperação em diversas áreas.
ES terá parceria com EUA para atrair investimentos em logística e educação
Segundo Casagrande, o Estado quer buscar locais nos Estados Unidos que tenham vocação econômica compatível com os objetivos do Espírito Santo. Ele citou principalmente os setores de logística e educação como aqueles que poderiam se beneficiar da cooperação.
“Essa aproximação vai ser muito importante e vai estabelecer a construção do plano de trabalho com dois ou três estados americanos que tenham mais identidade com nossos objetivos, como na área de logística e educação”, disse.
A partir da assinatura, o documento passa a ter validade até 31 de dezembro de 2022 com a possibilidade de ser revisado e estendido mediante o entendimento do Governo do Estado e do Consulado.
Ele afirmou ainda que essa aproximação será feita de forma organizada, em um grupo de trabalho que vai contar com a participação, além do governo do Espírito Santo, através do secretário de Desenvolvimento, Thyago Hoffman, com o Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro e com o setor produtivo através das federações.
O governador ressaltou ainda que o consulado vai incentivar empresas americanas que já atuam no Espírito Santo a se organizarem em uma Câmara do Comércio, para que façam “boa propaganda” do Estado para empresas de fora.
Ele avalia que a posição de pioneirismo do Espírito Santo na área de meio ambiente e de mudanças climáticas também será um grande atrativo para empresas americanas, já que o tema das mudanças climáticas tem sido uma preocupação tanto do governo dos EUA quanto dos empresários.
“Muitas delas (empresas) estão cada vez mais interessadas em bons programas e bons projetos. O Espírito Santo é referência na área de mudanças climáticas, temos iniciativas como os programas Reflorestar e o Gerar. Com isso, podemos sim estabelecer boas parcerias com o governo americano, os estados americanos e empresas americanas” afirmou.
O Reflorestar é uma iniciativa do governo estadual conservação e recuperação da cobertura florestal e estímulo à adoção de práticas de uso sustentável dos solos. Já o Gerar (Programa de Geração de Energias Renováveis do Espírito Santo) prevê incentivos para a redução das emissões de gases de efeito estufa na geração de energia elétrica, promovendo a diversificação da matriz energética estadual.
Além de trazer novos negócios, a parceria, segundo o embaixador Todd Chapman visa preservar e ampliar os negócios já existentes, como o comércio de pedras ornamentais, frutas e café.
Em entrevista para A Gazeta, ele destacou que será feito um trabalho para encontrar novas formas de cooperação.
"Já existe muito comércio entre o Espírito Santo e os Estados Unidos, mas também tem empresas americanas atuando no Espírito Santo, com a Hershey 's. Esse é o esforço que vai ser liderado pelo nosso consulado para encontrar novas formas de cooperação na área de investimento e comércio"
Os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais do Espírito Santo no mercado internacional. De acordo com dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) divulgados em março, os principais destinos das exportações capixabas de fevereiro de 2021 foram: Estados Unidos (36,74%), Bahamas (9,12%), Filipinas (7,83%) e Omã (7,75%). Para os Estados Unidos destinaram-se, principalmente, produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado (33,37%), rochas ornamentais trabalhadas (27,37%), produtos semimanufaturados de ligas de aço (25,13%) e pasta química de madeira (celulose) (6,98%).
Quanto às importações, as principais origens das importações capixabas em fevereiro de 2021 foram a China (31,22%), Estados Unidos (14,12%), Argentina (5,89%) e Austrália (5,16%). Com origem nos Estados Unidos, destacaram-se: aeronaves, aparelhos espaciais e partes (50,77%), combustíveis, óleos minerais e matérias betuminosas (29,74%), equipamentos de comunicação/máquinas e aparelhos elétricos (5,56%) e máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e partes (2,73%).
O embaixador citou ainda o compartilhamento de tecnologia que, inclusive, pode auxiliar nos projetos de reflorestamento que o Estado tem.
“Qualquer investimento que é feito por empresa americana, seja em frutas, florestas, ou petróleo, traz com ele a melhor tecnologia do mundo”, disse o embaixador.