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Empresários investigados ostentavam veículos de luxo e viagens nas redes sociais

Eles seriam responsáveis por uma empresa em Cachoeiro de Itapemirim que utilizava a venda de consórcio como forma de atrair investidores para esquema fraudulento de pirâmide financeira.

Cachoeiro de Itapemirim / Rede Gazeta
Publicado em 09/06/2021 às 17h32
A empresa ainda é suspeita de realizar a venda irregular de consórcios e também de oferecer opções de investimentos financeiros
Operação no Sul do ES desarticula empresa suspeita de praticar crime de pirâmide financeira. Crédito: Maíra Brito/TV Gazeta Sul

Os empresários investigados por prática de pirâmide financeira no Sul do Espírito Santo ostentavam uma vida de luxo nas redes sociais, com veículos caros e viagens. A informação foi confirmada pelo delegado da Polícia Civil, Rafael Amaral, que atuou na operação “Lobo de Wall Street”, do Ministério Público (MPES), deflagrada na manhã desta quarta-feira (09), em Cachoeiro de Itapemirim.

Durante o cumprimento de oito mandados foram apreendidos carros, motos, computadores, notebooks, celulares, documentação e uma grande quantidade de dinheiro em espécie. Duas pessoas foram presas por porte ilegal de arma de fogo. Elas e outras seis pessoas investigadas, segundo as autoridades, usavam, supostamente, cotas de consórcios como vitrine para atrair investidores e captar recursos com a promessa de gerar ganhos para os clientes.

“Os veículos apreendidos são importados, de alto valor. Eles ostentavam nas redes sociais, os carros, as motos e as viagens. Ainda está sendo contabilizado, mas a quantidade de dinheiro apreendida é de, aproximadamente, R$ 100 mil”, disse o delegado.

Os empresários investigados são responsáveis pela Stratton Oakmont Bussiness, empresa em Cachoeiro de Itapemirim, que atuava, segundo o MPES, de forma semelhante à uma pirâmide financeira. Existem indícios de de que eles prometiam lucros de 20% a 50% em 30 dias, segundo as investigações. (Veja o posicionamento da empresa no final da matéria.)

“O consórcio era o produto que eles ofertavam como vitrine para angariar esse dinheiro. Quanto mais consórcios eles vendiam, mais gente entrava e mais dinheiro eles faziam. A oferta para a pessoa era ganho financeiro, semelhante à pirâmide”, explicou o promotor de Justiça do Gaeco-Sul do MPES, Luiz Agostinho Abreu da Fonseca.

Ele esclareceu que a empresa utilizava consórcios verdadeiros, de empresas registradas no Banco Central e que tinham autorização para atuar no setor, para dar credibilidade à fraude. Assim, eram feitos contratos com os poupadores para que eles comprassem cotas desses consórcios. Após a firma investigada receber a comissão pela venda, segundo as investigações, o título negociado tinha o vínculo rompido sem o conhecimento prévio do cliente. Com isso, o dinheiro do consumidor ficava em mãos da suposta organização criminosa e não era usado para honrar as parcelas do consórcio.

CONTRATOS COM CLIENTES EM DIVERSAS CIDADES DO SUL DO ES

Até agora, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Sul) e a Polícia Civil identificaram ao menos 800 contratos assinados com clientes. Ainda não é possível saber quem, entre os consumidores, é vítima ou beneficiado pelo possível esquema.

Contudo, as autoridades já sabem que existem clientes de outros municípios da região Sul do Estado, como Mimoso do Sul, Castelo e Vargem Alta. “A expansão dos contratos ainda não tem como afirmar. Com análise do material apreendido vamos ter noção do tamanho da atuação deles”, informou o promotor.

Homens do Gaeco, da Polícia Civil e Militar participam de Operação Lobo de Wall Street no Sul do ES
Poster encontrado na empresa investigada pelo MPES e pela Polícia Civil. Crédito: MPES/Divulgação

ESTELIONATO E LAVAGEM DE DINHEIRO

Segundo o delegado Rafael Amaral, as investigações começaram a cerca dois meses após o recebimento de denúncias anônimas. Os envolvidos ainda são suspeitos de outros crimes como estelionato e lavagem de dinheiro.

O delegado também disse que a empresa está em funcionamento desde outubro de 2019, mas há suspeita de que o esquema já era aplicado pelos empresários anteriormente.

O promotor do Gaeco-Sul acredita que as administradoras dos consórcios também podem ter sido lesadas. "A gente não pode dizer se todas as pessoas que investiram não tinham ciência da situação da empresa, mas grande parte não sabia”, disse Agostinho.

ESQUEMA PONZI

Apesar de a empresa ter indícios de atuar como uma pirâmide financeira, as atividades se assemelham a um sistema mais elaborado do golpe, que é o Ponzi.

Neste caso, os criminosos se aproximam das vítimas e as convencem fazer investimentos, prometendo lucros rápidos e altos, bem acima dos praticados pelo mercado. O dinheiro de uma pessoa que entra no negócio fraudulento é usado para pagar quem já estava na rede.

O sistema, embora não seja considerado sustentável, pode durar por anos e mesmo décadas. Um exemplo é o Ponzi de Bernard Madoff que sobreviveu por 20 anos, vindo a quebrar na crise financeira de 2008, quando os investidores tentaram sacar seus recursos e descobriram que não havia dinheiro para pagar todos os poupadores da corretora.

Já o esquema de pirâmide financeira clássica funciona da seguinte forma: pessoas pagam para entrar num negócio e ganham dinheiro ao colocar outros investidores. Quanto mais gente agregar ao negócio, mais lucro essa pessoa tem. Mas o negócio acaba também não conseguindo sobreviver por muito tempo, já que a velocidade de inclusão de novos participantes vai reduzindo até chegar num nível de não conseguir mais honrar com as promessas de lucro.

A empresa ainda é suspeita de realizar a venda irregular de consórcios e também de oferecer opções de investimentos financeiros
Operação no Sul do ES desarticula empresa suspeita de praticar crime de pirâmide financeira. Crédito: Maíra Brito/TV Gazeta Sul

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