ASSINE

Casagrande articula envio de carta a Biden pedindo apoio na área ambiental

Governador do ES é porta-voz de coalizão formada por outros governadores para buscar ajuda dos EUA visando reconstruir a imagem do Brasil como um país que pratica o desenvolvimento sustentável para atrair investimentos

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 23/03/2021 às 02h08
Governador Renato Casagrande em coletiva de imprensa
O governador Renato Casagrande: aliança entre Estados pró-desenvolvimento sustentável. Crédito: Governo do ES

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, é o porta-voz de uma coalizão de governadores que articula o envio de uma carta ao presidente dos Estados UnidosJoe Biden, a fim de estabelecer uma parceria para o tema das mudanças climáticas e da preservação ambiental.

O grupo, que se intitula Governadores Pelo Clima, busca se qualificar para o investimento de US$ 20 bilhões que Biden prometeu durante a campanha eleitoral que iria aplicar na preservação da Floresta Amazônica. Além disso, o Casagrande afirma que a coalizão busca implementar, com a ajuda de outros países, inclusive os Estados Unidos, políticas para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

A preocupação dos governadores vem em um momento que o Brasil está com uma imagem arranhada no exterior no que diz respeito ao tema ambiental. Desde o início da gestão do presidente Jair Bolsonaro, o país tem sofrido fortes críticas internacionais a respeito da principalmente relacionadas ao desmatamento e incêndios na Amazônia. 

Investidores internacionais já ameaçaram retirar recursos do país, caso o governo brasileiro não amplie a proteção ambiental. Algumas cadeias varejistas, principalmente da Europa, também têm condicionado a continuidade das compras de produtos brasileiros a certificações de origem das matérias-primas.

Além do cuidar do planeta, a ideia do grupo também é reconstruir lá fora a imagem do Brasil como um país que promove o desenvolvimento sustentável para, assim, manter negócios e atrair investimentos para cá. Segundo Casagrande, houve uma abertura para esse diálogo depois da eleição norte-americana no ano passado, já que o presidente atual se mostrou simpático ao tema.

“Os governadores têm papel nesse tema porque trabalham com políticas de reflorestamento, proteção ambiental e energia renovável, por exemplo. Eles têm papel com relação a redução de emissões de carbono e investimentos para adaptação quanto as mudanças que estão ocorrendo no clima. Buscamos uma relação de entes subnacionais, uma comunicação direta com os Estados Unidos que hoje têm posição boa com relação ao tema após a posse de Joe Biden”, afirmou o governador.

No início do mandato, Biden anunciou investimento na casa dos trilhões de dólares em energia limpa e colocou como meta zerar as emissões de carbono no setor de energia em 15 anos.

No documento estão listados alguns compromissos dos governos estaduais como a redução dos gases de efeito estufa, promoção de energias renováveis, combate ao desmatamento, cumprimento do Código Florestal para a conservação das florestas, melhoria da eficiência na agropecuária, proteção dos povos indígenas e buscar formas para viabilizar “reflorestamentos massivos”.

O texto, construído com a participação de cientistas e diversas entidades ligadas ao meio ambiente, foi enviado na última sexta-feira (19) por Casagrande aos demais governadores.

“Já recebi resposta de alguns, mas a maioria não respondeu ainda e eu também não tive tempo de ligar para todos. Os governadores estão fazendo a gestão de uma guerra que é a pandemia. Mas a carta é muito elegante, equilibrada, tenho certeza que a maioria vai assinar”, avalia Casagrande, afirmando que pretende contactar cada um deles nos próximos 15 dias.

Um dos pontos de destaque da carta é a inclusão de diversos biomas na proposta, não apenas a Amazônia.

“Os Estados estão todos em biomas importantíssimos como Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia, Pantanal e Caatinga. Eles já têm políticas nessas áreas (ambientais) e, com países como os Estados Unidos, podemos agilizar a implantação de ações que têm como objetivo reduzir as emissões de gases do efeito estufa”, avalia.

Já após tomar posse como presidente dos Estados Unidos, Biden fez com que o país voltasse ao Acordo de Paris e prometeu “reunir o mundo” para pressionar o governo brasileiro a proteger a Amazônia.

Segundo o governador do Espírito Santo, o movimento Governadores pelo Clima é necessário para tentar restaurar as relações internacionais do Brasil com relação ao meio ambiente. Tema que, segundo ele, é negligenciado pelo governo federal.

“Os Estados podem exercer papel diretamente e colaborar com a reconstrução da imagem do Brasil. O governo federal não tem isso como prioridade e por isso os Estados têm que entrar compensando essa falta de prioridade”, critica.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.