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11 áreas de sal-gema no ES são compradas por quatro empresas

As áreas de sal-gema localizadas no Norte do Espírito Santo e que fizeram parte da 4ª Rodada da Agência Nacional de Mineração (ANM) foram arrematadas em leilão

Publicado em 23/09/2021 às 11h29
Produção de sal: 11 reservas de sal-gema estão aptas para serem ofertadas em leilão da Agência Nacional de Mineração (ANM)
Atividade salineira: setor tem potencial para ser desenvolvido no ES. Crédito: Tawatchai/Freepik

As 11 áreas de sal-gema localizadas no Norte do Espírito Santo e que fizeram parte da 4ª Rodada da Agência Nacional de Mineração (ANM) foram arrematadas. Quatro empresas - Dana Importação e Exportação LTDA, José Augusto Castelo Branco, Pedras do Brasil Comércio Importação e Exportação LTDA e Unipar Carbocloro S.A - ganharam o leilão e ficarão responsáveis por explorar as áreas em Conceição da Barra, onde está a maior jazida da América Latina.

O resultado do certame confirma o potencial de desenvolvimento dessa atividade econômica no Estado.

Para a presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, o interesse dos investidores é um excelente sinal para o Espírito Santo, que poderá receber mais de R$ 170 milhões em investimentos no período de três anos, apenas na fase de pesquisas.

“Vamos ter a oportunidade de finalmente começar a explorar uma riqueza que há décadas existe no Estado. E isso é muito bom, já que o desenvolvimento dessa atividade no Espírito Santo pode ter reflexos sobre inúmeras cadeias da indústria. O sal-gema pode ser aplicado, por exemplo, na produção de PVC, de baterias, de defensivos agrícolas, de tecidos, vidros, metalurgia, entre tantos outros produtos. Nós estimulamos o debate antes do leilão e vamos continuar dando suporte para fortalecer e qualificar mais uma atividade econômica no Espírito Santo”, enfatizou Cris Samorini.

Agora, com a divulgação do resultado, vão ser iniciados trâmites como interposição de recursos, análises dessas contestações, entre outras avaliações. A publicação do ato de homologação do resultado está marcada para 29 de outubro.

Entenda a diferença entre o sal-gema e o sal marinho

Literalmente da terra, ou melhor debaixo dela, vem o sal-gema, que tem o mesmo “DNA” (cloreto de sódio) de seu “irmão caçula” e mais conhecido: o sal marinho, geralmente transformado em sal de cozinha.

Sal-gema: atividade salineira é setor com potencial para ser desenvolvido no ES
Sal-gema: atividade salineira é setor com potencial para ser desenvolvido no ES. Crédito: Jacqueline Macou / Pixabey

A diferença está na maneira como se formam: o sal que dá tempero, que consumimos no dia a dia, geralmente vem do mar e surge a partir da evaporação da água represada pelo homem.

Já no caso do sal-gema, a evaporação e formação das rochas teve início há 120 milhões de anos, quando houve a deposição de sal, conforme explica o professor do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Paulo de Tarso Ferro de Oliveira Fortes.

Não por acaso, o sal-gema é também conhecido como sal fóssil. As camadas levaram cerca de 500 mil anos para serem formadas naturalmente. De acordo com o geólogo, o sal-gema é encontrado no mundo todo. As rochas achadas no Estado estão em camadas com até 2 mil metros de profundidade e apresentam boa pureza.

Enquanto o sal marinho é geralmente usado no consumo humano e de animais, o sal-gema, que existe em quantidades maiores, é empregado sobretudo na indústria química.

Trata-se de uma matéria-prima versátil, usado na fabricação de cloro, soda cáustica, ácido clorídrico e bicarbonato de sódio; na composição de produtos farmacêuticos; nas indústrias de papel, celulose e vidro; e em produtos de higiene, tais como sabão, detergente e pasta de dente. É empregado também no tratamento da água e nas indústrias têxtil e bélica.

Tubos: sal-gema pode ser utilizado em diferentes áreas da indústria como na produção de PVC
Tubos: sal-gema pode ser utilizado em diferentes áreas da indústria como na produção de PVC. Crédito: Seo24mx/Pixabay

O sal-gema é uma rocha composta basicamente por halita (NaCl) e não pode ser confundido com sal de potássio (KCl), geralmente usado para produzir fertilizantes.

RIQUEZA INTOCADA HÁ MAIS DE 40 ANOS

  • Em 1976, enquanto perfurava os entornos de Conceição da Barra em busca de hidrocarbonetos, a Petrobras acabou não achando petróleo, mas constatou a presença de sais solúveis na região. Diante das potencialidades no subsolo capixaba, a Petromisa, subsidiária da estatal voltada para a mineração, assumiu os trabalhos para pesquisar as localidades, que somam 110 mil hectares.
  • Ao longo do tempo, a mineradora, já extinta, acabou descobrindo a maior jazida de sal-gema do Brasil, com 54% das reservas estimadas no país, totalizando um volume de quase 20 bilhões de toneladas. Mas de lá para cá essa riqueza permaneceu intocada.
  • A expectativa é que o mineral represente um novo ciclo econômico para região e também para o estado. Mas ainda levará tempo, pois esse tipo de empreendimento exige anos para que seja colocado em prática sem levar em conta o período de pesquisa.

*Com informações da Web Assembleia

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