Um vazamento de resíduos líquidos próximo ao Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Goiabeiras, em Vitória, chamou a atenção de quem passa pelo local. Um vídeo enviado à reportagem, gravado na terça-feira (27), mostra o material espalhado pelo calçamento e empoçado mais adiante, entre as árvores. (Veja acima)
Segundo uma testemunha, há cerca de três meses houve uma mudança no sistema de coleta de resíduos do restaurante. Desde então, o material estaria transbordando nos fundos do RU e alcançando uma área próxima à lagoa da universidade, por onde também circulam estudantes.
“Hoje (quarta, 28), quando cheguei, havia um carro sugador. Mas o problema é intermitente. Mesmo em dias em que não está vazando, como hoje, fica aquele rastro de esgoto, restos de comida, cheiro ruim, e água suja acumulada no terreno próximo da lagoa da Ufes”, relatou a testemunha, que preferiu não se identificar.
Procurada pela reportagem, a Diretoria de Gestão de Restaurantes (DGR) da Ufes informou que o material mostrado no vídeo não é esgoto sanitário, mas efluente líquido proveniente da cozinha industrial do RU. Segundo a universidade, o armazenamento e recolhimento desses resíduos são responsabilidade da empresa contratada, que foi notificada e, conforme a instituição, já solucionou o problema.
A DGR esclareceu ainda que, "embora a tubulação do restaurante já esteja fisicamente conectada à nova rede que está sendo implementada pela Universidade, essa rede ainda não está em utilização". A previsão é que as obras de saneamento de toda a universidade sejam concluídas em setembro de 2027.
Não é a primeira vez que vazamentos de resíduos são relatados. Atualmente, o campus de Goiabeiras não está conectado à rede pública de esgoto de Vitória, operada pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).
Os resíduos sanitários são depositados em fossas biológicas, que são drenadas. Nesse sistema, o esgoto gerado é filtrado em caixas de brita, onde a matéria orgânica passa por um processo de decomposição. Já no caso do RU, o sistema, implantado em 1954, é de fossa-filtro, que lança os resíduos na lagoa após esse tratamento.
Em entrevista concedida a A Gazeta em janeiro, o superintendente de Infraestrutura da Ufes, Diego Alves, explicou que o sistema de fossas biológicas era considerado padrão na época da construção da universidade, sendo aceito pelos órgãos ambientais e considerado adequado para uma população acadêmica pequena e dispersa.
"No entanto, com o adensamento do campus e as novas normas ambientais, o sistema de fossas se tornou um desafio logístico, ecológico e sanitário. A necessidade de manutenção é constante", afirmou na ocasião.
As obras de saneamento do campus de Goiabeiras começaram em dezembro de 2025, após a liberação de recursos da bancada federal. Com investimento previsto de mais de R$ 16,5 milhões, as intervenções têm como objetivo modernizar a infraestrutura e solucionar problemas históricos relacionados ao tratamento e à destinação do esgoto. A previsão de entrega é setembro de 2027.