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Inspiração

Universitária ajuda na alfabetização da avó no interior de Muqui

Para realizar um antigo sonho da avó, a neta da dona Tereza do Nascimento, de 62 anos, resolveu ajuda-la num sonho antigo: o de aprender a ler

Publicado em 14 de Agosto de 2020 às 16:48

Redação de A Gazeta

Publicado em 

14 ago 2020 às 16:48
Durante a pandemia,  Ana Paula teve a iniciativa de ensinar a avó a ler
Durante a pandemia, Ana Paula teve a iniciativa de ensinar a avó a ler Crédito: Ana Paula do Nascimento Silva
Em meio à pandemia do novo coronavírus e a paralisação das aulas, a estudante de engenharia ambiental, Ana Paula do Nascimento Silva, de 25 anos, que mora em Vitória, voltou para a casa da família, no interior de Muqui, no Sul do Espírito Santo. Preocupada em manter a avó, de 62 anos, dentro de casa, ela teve a iniciativa de realizar um antigo sonho da matriarca: de ser alfabetizada para conseguir ler a Bíblia.
Os primeiros passos desse sonho começaram no final de março, quando a Ana Paula voltou para a casa dos pais, no distrito de São Gabriel, zona rural do município. A universitária conta que dona Tereza do Nascimento sempre trabalhou no campo e, no passado, chegou a entrar em um projeto de alfabetização para adultos, mas parou por conta da colheita de café.
A proposta foi lançada por Ana Paula à avó, que no início ficou com receio de não conseguir aprender por conta da idade, mas topou a ideia. “Hoje ela já reconhece algumas letras, tenta escrever algumas palavras. Postei nas redes sociais numa forma de incentivar ela, pois dizia que não estava aprendendo e ia desistir. Após a repercussão, ficou encantada com as mensagens positivas que teve”, conta.
Casada, dona Tereza tem 10 filhos. A neta conta que já deu aulas de reforço ao irmão mais novo, mas diferente de uma criança, a metodologia com a avó precisou ser adaptada. “Gosto de ensinar, ajudar as pessoas a evoluir, a conquistar seu sonho, é o que me move hoje. Quando passava os ditados das letras e ela ia juntando as letrinhas e falava a palavra, o olho dela brilhou e fiquei emocionada e ela começou a perceber que estava aprendendo”, recorda a neta.
A universitária, que está no 9° período, retorna para Vitória para concluir o curso, mas, mesmo de longe, não vai abandonar o sonho da avó. “Como estou voltando para Vitória, estou organizando para gravar um CD e fazer com que ela consiga me acompanhar na repetição das palavras. Eestou envolvendo meus primos para quando fizeram a atividade escolar, ajudarem ela também”, revela.

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