Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Em Vitória

Promotor: "Júri de diplomata vai decidir se marido tem direito de matar mulher"

Promotor de Justiça Leonardo Augusto Cezar ressaltou que o julgamento do espanhol Jesús Figón, no próximo dia 8, deve ser emblemático

Publicado em 06 de Março de 2023 às 19:58

Júlia Afonso

Publicado em 

06 mar 2023 às 19:58
Julgamento de Jesús Figón Leo vai acontecer no Dia Internacional da Mulher; por ser espanhol, o processo tem que se
Promotor de Justiça Leonardo Augusto Cezar, do júri de Vitória Crédito: Wagner Martins
O júri popular que vai definir se o diplomata espanhol Jesús Figón Leo é culpado ou não pela morte da esposa no bairro Jardim CamburiVitória, em 2015, pode ser emblemático. Marcado para o Dia Internacional da Mulher, na próxima quarta-feira (8), o julgamento acontece forma remota, já que o acusado está na Espanha desde 2017, e levanta questões sobre violência contra a mulher.
"O que os jurados vão decidir amanhã é se o homem casado com uma mulher que tem problemas psiquiátricos e é alcoólatra tem direito de matar a mulher dele ou não. Porque não há como ser suicídio (como a defesa aponta). Já passei por vários casos de feminicídio e é recorrente essa tese do suicídio", ressaltou o promotor de Justiça Leonardo Augusto Cezar, do júri de Vitória.
Ex-conselheiro de Interior da Embaixada da Espanha no Brasil, Jesús Figón é acusado de matar a esposa Rosemary Justino Lopes, de 56 anos, no apartamento do casal, em Jardim Camburi, Vitória.
À época, ele se apresentou espontaneamente à polícia e contou que matou a mulher após uma discussão durante a madrugada. Eles eram casados há quase trinta anos. Ele trabalhava na Embaixada da Espanha, em Brasília, mas passava alguns dias na residência que tinha com a capixaba em Vitória.
Na ocasião, logo depois que a morte aconteceu, o passaporte de Jesús foi confiscado. No entanto, segundo a legislação espanhola, todo cidadão tem direito a cumprir a pena no próprio país. Sendo assim, a sexta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) cassou a determinação que obrigava o diplomata a ficar no Brasil até o fim do processo e, desde então, ele vive fora do país.
Apesar da confissão aos policiais, segundo o promotor de Justiça, a versão de Jesús mudou na esfera judicial, quando a defesa começou a defender a tese de suicídio.

Filha está entre testemunhas

De acordo com o promotor de Justiça, a defesa de Jesús elencou quatro testemunhas para depor no julgamento: duas delas pessoas para quem o acusado ligou no dia da morte, e outras duas que moram na Espanha, entre elas a filha do casal.
"Além de esperar uma condenação, esperamos que isso seja cumprido pela legislação espanhola, para não parecer que o júri do dia 8 de março seja um júri simbólico", reforçou o promotor.
A reportagem de A Gazeta procurou a defesa de Jesús, mas não teve retorno. No último posicionamento deles, em 28 de fevereiro, os advogados informaram que não iriam se manifestar, pois estavam com as atenções voltadas para o julgamento. Destacaram ainda que o acusado cumprirá a pena na Espanha, em caso de condenação.

Se condenado, diplomata pode continuar solto

O promotor Leonardo detalhou que existe na legislação internacional o princípio da reciprocidade, ou seja, se condenado, para que o acusado cumpra a pena na Espanha, a legislação brasileira tem que "espelhar" a espanhola. É necessário que todo o trâmite processual aqui no Brasil seja similar ao que aconteceria se fosse processado na Espanha.
"Uma coisa que causa preocupação ao MPES é porque há um documento nos autos que foi solicitada a intimação do espanhol a comparecer ao júri por videoconferência no sistema de justiça de lá, e há um parágrafo dizendo que no direito espanhol existe o direito fundamental de estar presente ao ato. E isso pode ser uma sinalização de que não esteja havendo a reciprocidade. Apesar de ser colocado um link à disposição, de ter sido feito todo um esforço pela Justiça e estado brasileiro para que ele fosse intimado e quisesse vir ao Brasil, não houve sinalização sobre isso, então não sei como isso pode ser interpretado pela legislação espanhola", declarou o promotor.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Por que foto com Trump pode ser valiosa para Lula na eleição, segundo analistas
Imagem de destaque
Quais produtos capixabas ganham mais força na União Europeia?
Cafeicultura une gerações e gera renda para famílias brasileiras
Recordes no agronegócio capixaba: a segurança jurídica que ainda precisa ser construída

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados