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Produtores amargam prejuízos com Vale do Orobó alagado no Sul do ES

Cerca de cem produtores rurais enfrentam o problema há oito meses. São quase quatro mil hectares que não podem ser utilizados para a agricultura e pecuária

Publicado em 20/08/2020 às 14h59
Atualizado em 20/08/2020 às 23h27
Uma estrutura, chamada de vertedouro, foi construída para dar vazão a água
Uma estrutura, chamada de vertedouro, foi construída para dar vazão a água, mas o local está com galhos represados e assoreado. Crédito: Reprodução/ TV Gazeta Sul

Mesmo no período de seca, o Vale do Orobó, uma região de pastagens que abrande os municípios de Iconha, Itapemirim, Rio Novo do Sul e Piúma, permanece alagada. Os produtores rurais enfrentam o problema há oito meses. São quase quatro mil hectares sem uso. Uma estrutura chamada de vertedouro foi construída para dar vazão a água, mas hoje é alvo de reclamações, pois, segundo os produtores, não recebe manutenção.

O produtor Adilson Alves é um dos afetados. Dos 100 hectares que tem, só consegue plantar milho em sete hectares e meio. “É muito dano, muito prejuízo. Eu não colho milho mais ali, perdi várias lavouras”, conta.

A chuva que ocorreu na região há mais de 20 dias, continua no pasto. “O leite caiu 70%. Perdi mais de 20 vacas, é muito difícil. Uma renda de leite é de 20 mil por mês, não to fazendo 10”, disse Adilson Alves.

Mais de 100 produtores rurais estão tendo dificuldades com a área alagada. O coordenador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural em Piúma, Vanderlei Miranda, explica que durante um ano inteiro os agricultores só conseguem usar a área em quatro meses, quando o solo fica menos encharcado.

Vale do Orobó abrande os municípios Iconha, Itapemirim, Rio Novo do Sul e Piúma
Vale do Orobó abrande os municípios Iconha, Itapemirim, Rio Novo do Sul e Piúma. Crédito: Reprodução/ TV Gazeta Sul

“Em 12 meses do ano, os produtores usam quatro meses só. Oito meses 'tá' ficando assim, parado. Diminuiu a produção do leite, de carne. O pasto 'tá' bonito, mas não pode entrar o boi. Então, é prejuízo na área da agropecuária no Vale do Orobó”, afirmou Miranda.

OBRA

A obra do vertedouro, que fica em Piúma era uma alternativa para escoar a água até o Canal de Itaputanga, no balneário. O trabalho foi realizado há cerca de 12 anos pelo governo do Estado.

O problema é que galhos estão represados no local e o canal está assoreado. A prefeitura de Piúma reconhece que o local precisa de manutenção, mas disse que depende do governo estadual para começar o trabalho. “Pra fazer essa limpeza precisamos de escavadeira hidráulica e o município não tem, é cara. Mas, mesmo fazendo limpeza na margem, se não tirar a areia e a lama do fundo vai dar no mesmo, precisa ser limpo e o Governo do Estado precisa olhar essa obra que foi feita”, alegou o secretário de Agricultura e Pesca de Piúma, Marco Xavier.

A prefeitura informou ainda que pediu ajuda à Secretaria Estadual de Agricultura, mas a obra não é competência da Seag e sim, do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER). O município disse que vai comunicar o problema ao órgão. Questionado pela reportagem, o DER informou que pode ir ao local verificar a situação desde que seja acionado.

Com informações de Mônica Camolesi, da TV Gazeta Sul.

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