Policiais do Espírito Santo mataram um total de 65 pessoas durante o serviço ou em horário de folga ao longo de 2022. O número é 32,6% maior do que o registrado em 2021, quando 49 pessoas morreram durante ações policiais no Estado. Em todo o país, 6.430 pessoas foram assassinadas por policiais em 2022.
Os dados são do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (20), e que tem como base as estatísticas oficiais registradas pelas secretarias de Segurança Pública dos 26 Estados e do Distrito Federal.
Um das mortes registradas em 2022 no Espírito Santo foi a de Weliton da Silva Dias, de 24 anos, baleado no peito por um policial militar, no bairro Santo André, na Grande São Pedro, em Vitória.
Nas imagens de uma câmera de segurança, o homem aparece levantando os braços e, mesmo assim, o cabo da Polícia Militar, Sandro Frigini, atirou. Além dele, o soldado Victor Fagundes de Oliveira participou da operação que resultou na morte do jovem.
O inquérito que apurou a morte de Weliton apontou indícios de crime militar e transgressão da disciplina por parte dos agentes envolvidos no episódio.
Em todo o país, as polícias mataram um total de 6.430 pessoas em 2022, o que corresponde a 17 vítimas de policiais por dia.
O levantamento aponta que as mortes foram em decorrência de intervenção policial — nome técnico para quando os policiais se envolvem em ações com mortes.
Os casos de policiais mortos pelo país também aumentaram, passando de 133 mortes, em 2021, para 173 em 2022, um crescimento de 30%. Já no Espírito Santo o número de policiais civis e militares mortos em serviço ou de folga dobrou, passando de dois para quatro mortos.
Entre os assassinatos registrados em 2022 está o dos soldados Bruno Mayer Ferrani e Paulo Eduardo Oliveira Celini foram mortos após uma perseguição aos quatro suspeitos, que se iniciou na Rodovia Leste-Oeste e seguiu até o bairro Santa Bárbara. Segundo as autoridades, eles foram alvo de tiros em uma emboscada.
O grupo suspeito de estar envolvido com o assassinato, composto por dois homens e duas mulheres, foi preso sete horas depois das mortes.