Ano novo, ceia, um vinho, festa, uma cerveja, fogos, um champanhe… e assim, a primeira frase dita em 2023 por muita gente foi “eu nunca mais vou beber”, durante uma dolorosa ressaca. Por isso, maneirar no álcool acaba entrando nos objetivos para o ano que se inicia. Esse é o foco da organização britânica Alcohol Change UK, que promove a campanha Dry January, ou “Janeiro Seco”, em tradução livre.
O objetivo é passar os 31 dias de janeiro sem ingerir bebida alcoólica. Em seu site, a organização diz que não é contra o álcool, mas se dedica a fomentar uma mudança na forma como a sociedade encara o consumo. “Somos a favor de um futuro em que as pessoas bebam como uma escolha consciente, não como um padrão; onde são abordadas as questões que levam a problemas relacionados ao álcool — como pobreza, problemas de saúde mental, falta de moradia”, afirma o texto de apresentação da Alcohol Change.
Na página da campanha, a organização promete diversos benefícios aos adeptos. “Durma melhor e tenha mais energia, melhore sua saúde mental e concentração, pareça fabuloso e obtenha uma pele mais brilhante, economize dinheiro e sinta uma incrível sensação de realização”, diz o texto.
Movimento Janeiro Seco propõe um mês sem beber álcool. Será que funciona
A Gazeta procurou pesquisas e um especialista para saber se realmente há benefícios em passar um mês sem beber.
Quais os benefícios de ficar um mês sem beber?
O Janeiro Seco foi objeto de estudo da Universidade de Sussex, na Inglaterra, onde 4.232 adultos participantes do desafio responderam a um questionário da instituição de ensino. O estudo concluiu que “a participação no Janeiro Seco foi associada a aumentos no bem-estar em todos os entrevistados. As mudanças foram maiores entre as pessoas que completaram com sucesso o desafio”, conclui o relatório da pesquisa.
O estudo também registrou os seguintes resultados:
- 93% dos participantes tinham uma sensação de realização;
- 88% economizaram dinheiro;
- 82% pensam mais profundamente sobre sua relação com a bebida;
- 80% se sentem mais no controle de sua bebida;
- 76% aprenderam mais sobre quando e por que bebem;
- 71% perceberam que não precisam de uma bebida para se divertir;
- 70% notaram melhora na saúde;
- 71% dormiram melhor;
- 67% tinham mais energia;
- 58% perderam peso;
- 57% apresentaram melhor concentração;
- 54% tinham pele melhor.
Um mês sem beber é o suficiente?
Para o psiquiatra Jovino Araújo, a iniciativa inglesa tem pontos positivos, mas faz alguns alertas. Segundo ele, os objetivos colocados em apenas um mês do ano são "restritos e insuficientes”.
De acordo com Araújo, a campanha deveria ter um foco maior nos riscos relacionados ao álcool. Ele dá o exemplo das medidas contra o cigarro. “Campanhas exitosas, como contra o tabagismo, com proibição de propaganda e inserção de informações sobre malefícios nos maços de cigarro, poderiam ser copiadas para uma ampla campanha sobre os riscos do uso nocivo de bebida alcoólica”, sugeriu o médico.
“O uso e o abuso do álcool estão relacionados às doenças mentais, doenças orgânicas, disfunções sociais, violência urbana, violência de trânsito e mortes evitáveis. Sabemos que a alteração da cultura envolvendo o uso de bebida alcoólica é difícil, complexa, mas podemos ter como objetivo a redução dos riscos e das consequências maléficas do abuso do álcool”, frisou Jovino.
O médico ressaltou a importância de alertas quanto ao consumo de bebidas. "O álcool é uma droga lícita e, infelizmente, com propaganda e incentivo ao uso. Por isso, a população considera que o uso, ou abuso, é um processo inocente e sem risco. Mas não é bem assim. O uso e o abuso do álcool são problemáticos, práticas de risco, e precisamos criar permanentemente um alerta."
Adepta famosa
Em entrevista à revista Woman’s Helth, a cantora Katy Perry declarou que está fazendo o Janeiro Seco. Ela disse que antes de uma turnê ou lançamento de álbum fica entre três e seis meses sem beber. Segundo a cantora, este ano ela fará uma combinação de janeiro e fevereiro secos, pois parou o consumo um pouco tarde.