Morreu na tarde desta segunda-feira (26) Kauã Felix Rocha, de 19 anos, único sobrevivente da explosão na Voi Termoquímica, ocorrida na última quarta-feira (21), na comunidade de Paulista, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. A informação foi confirmada à reportagem de A Gazeta por Raiane Nunes Felix, mãe do rapaz.
O jovem estava internado no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, desde o dia do acidente, quando foi transferido por um helicóptero do Notaer até a unidade hospitalar referência no tratamento de vítimas de incidentes do tipo. Ele apresentava 97% do corpo queimado e estava internado em um leito de UTI. Lorran Marques da Conceição, também de 19 anos, já havia morrido no local no dia da tragédia. Os dois trabalhavam na empresa termoquímica.
A Polícia Científica também confirmou que o serviço de transporte de cadáver foi acionado por volta de 16h, para o recolhimento do corpo de Kauã no Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves, no bairro Morada de Laranjeiras, na Serra. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), em Vitória, onde serão realizados os exames de praxe, incluindo a identificação formal e o exame cadavérico. Depois, o corpo será liberado aos familiares.
A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (Dipo) de São Mateus e "detalhes da investigação não serão divulgados, no momento".
Licença suspensa
Na tarde desta segunda-feira (26), a Prefeitura de São Mateus informou, em nota, que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente decidiu suspender “a licença da empresa até as apurações realizadas pelos órgãos competentes terem um resultado conclusivo”. A pasta afirmou que a suspensão deve durar cerca de 30 dias.
Área liberada
Também nesta segunda-feira (26), o Corpo de Bombeiros informou que a área da explosão "já foi liberada para o proprietário e não se encontra mais sob custódia do Estado. Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Cientifica e Exército Brasileiro periciaram o local e as análises seguem em andamento", informou, por nota.
A explosão ponto a ponto
- Antes de 11h começaram a circular nas redes sociais imagens de uma nuvem de fumaça, estilhaços de vidros de casas, e cenário de "terra arrasada" no local onde funcionava a empresa;
- O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado perto das 10h, e mencionou que a explosão teria ocorrido em uma "fábrica de explosivos", em Paulista, São Mateus;
- Depois, a corporação se corrigiu. Disse que "na análise inicial da cena, considerou-se a hipótese de o local funcionar como fábrica de fertilizantes, o que depois foi descartado. Trata-se de uma empresa especializada na fabricação de produto inflamável utilizado pela indústria de mineração para o rompimento de rochas";
- Conforme o Corpo de Bombeiros, "a empresa é legalizada e registrada junto aos órgãos de fiscalização competentes. O sinistro destruiu completamente o galpão e tudo que havia em seu interior";
- Familiares confirmaram a morte do jovem Lorran Marques da Conceição, de 19 anos, que estava trabalhando no local havia pouco tempo;
- Moradores da região relataram um barulho bem alto de explosão, que causou um tremor. Houve registros de residências com vidros quebrados;
- Camilo Hemerly, um dos sócios da Voi Termoquímica – razão social Verde-Oliva Indústria Termoquímica Limitada (LTDA) – de sólido inflamável que explodiu na última quarta-feira (21), conversou com a repórter da TV Gazeta, Viviane Maciel, e deu sua versão dos fatos, mencionando "falha humana" como possível causa da explosão;
- Camilo chamou a explosão de um "acidente". Segundo ele, "não se tratou de uma explosão e sim de um rompimento de gás devido a estímulo mecânico", provavelmente, segundo o representante legal da empresa, causado por falha humana;
- Disse que, no momento do acidente, apenas dois funcionários estavam na fábrica: um morreu e o outro foi socorrido com vida;
- Segundo o representante da empresa, "a fábrica é 100% regulamentada e o galpão, onde o acidente aconteceu, foi construído seguindo recomendações do Exército Brasileiro", e que o local da explosão "trata-se de uma nova unidade, inaugurada há pouco mais de um ano".