O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) estabeleceu que a Prefeitura de Vitória e a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) adotem, até dezembro, uma série de medidas para eliminar os problemas que causaram a mancha na Praia da Guarderia, na Capital. No curto prazo, há previsão das seguintes ações:
- realização de vistorias e notificações em imóveis com ligações irregulares de esgoto na rede de drenagem pluvial, já em andamento pela Cesan e pela PMV, com foco prioritário na bacia de contribuição da região da Guarderia;
- instalação de uma bomba reserva na Estação de Tempo Seco (ETS), para reforçar a segurança operacional do sistema;
- e remanejamento da manilha atualmente existente para o entroncamento da ponte, posicionando o lançamento entre as pedras, em área com maior dispersão hidrodinâmica das marés.
As medidas foram discutidas nesta segunda-feira (18) em reunião do grupo de trabalho instituído pelo MPES para acompanhar a mancha na baía de Vitória. As ações, segundo o Ministério Público, devem minimizar a ocorrência de novos episódios e aprimorar o sistema de drenagem da Capital.
No encontro, Cesan e prefeitura apresentaram propostas de curto, médio e longo prazos, que vão ser consolidadas para elaboração de termo de compromisso entre os órgãos envolvidos.
Até o momento, além das vistorias que já estão sendo realizadas, a prefeitura informou que instalou placa indicando trecho impróprio para banho no entorno da manilha monitorada. A administração municipal também incorporou o parâmetro de enterococos (um tipo de bactéria) à avaliação semanal da balneabilidade e passou a divulgar os laudos completos no site oficial.
As soluções definitivas relacionadas à retirada da manilha da faixa de praia dependem de estudos complementares, que também deverão integrar o futuro termo de compromisso em elaboração pelo grupo de trabalho.
Área imprópria
No mês passado, o grupo de trabalho emitiu uma nota técnica recomendando que a área próxima à manilha de drenagem da Praia da Guardeira fosse considerada imprópria para banho de forma imediata, independentemente dos resultados pontuais de qualidade da água.
O documento destacou que a decisão se baseou não apenas nos dados microbiológicos coletados, mas também no histórico da área e na presença de uma fonte ativa de poluição.
Embora algumas análises tenham apresentado índices dentro dos limites estabelecidos pela legislação, outras registraram níveis significativamente superiores, evidenciando um comportamento instável e potencialmente perigoso para os banhistas.
A manilha de drenagem fica na faixa de areia da Praia da Guarderia, no ponto onde a rede pluvial deságua diretamente no mar — área que passou a ser monitorada de forma específica pelo grupo técnico justamente por concentrar potencial de contaminação.
De acordo com o grupo técnico, a manilha está associada a ligações irregulares de esgoto na rede de drenagem pluvial e possui histórico recorrente de degradação ambiental. Essa condição, por si só, já inviabiliza a classificação da área como própria para recreação de contato primário, uma vez que representa uma fonte pontual contínua de contaminação.