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Publicado em 12 de novembro de 2025 às 19:11
Em julgamento na tarde desta quarta-feira (12) na 4ª Vara Criminal de Vila Velha, Gelson Aparecido dos Santos, 41 anos, foi condenado a 19 anos de prisão por tentativa de homicídio. Ele se tornou réu após arremessar um pedaço de pavimento contra o carro em que estava a advogada Michaella Zukowski Reis, 27 anos, que trafegava com a família pela Rodovia do Sol, em Vila Velha, em julho de 2023. A jovem teve fraturas no crânio, perdeu parte da visão e até hoje está em tratamento para se recuperar do ataque. >
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), ressaltando que Gelson assumiu o risco de matar, quando arremessou a pedra, acertando a cabeça e o rosto de Michaella. Disse ainda que a jovem apenas não morreu por ter sido socorrida imediatamente e levada ao hospital. >
Ainda na denúncia, o MPES pontua que o crime foi praticado por motivo fútil. Gelson estava embriagado, andando em zigue-zague pela Rodovia do Sol com um pedaço de pedra na mão (PAVI-S, usado em calçamentos) e teria se aborrecido após o motorista do carro ter buzinado e piscado o farol para ele. >
"Fato que, inclusive, demonstra que o acusado tinha intenção de atingir o motorista do veículo que trafegava por via de alta velocidade, assumindo o risco de matar não somente ele como os demais passageiros", diz trecho da denúncia, que pedia a condenação de Gelson não somente por ter atingido Michaella, mas também em relação ao pai da advogada, Gladston Teixeira dos Reis, e ao irmão dela Kevin Zukowski Reis, que estavam no carro. >
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Então, no Tribunal de Júri realizado nesta quarta (12), a Promotoria de Justiça de Vila Velha obteve a condenação de Gelson por homicídio tentado de Michaela e Gladston Teixeira. O réu foi absolvido pelo mesmo crime em relação Kevin, que estava sentado no banco de trás, conforme informações do MPES. >
A juíza Ana Amélia Bezerra Rêgo, que assinou a sentença, determinou que a pena seja cumprida inicialmente em regime fechado, mantendo a custódia preventiva de Gelson. >
No mesmo dia do julgamento, Michaella embarcou para São Paulo, onde conseguiu agendar consulta com especialista para tentar identificar o motivo da rejeição da placa de titânio que havia colocado em cirurgia para reestruturação da face. >
A advogada conta que, no último procedimento realizado, há cerca de 30 dias, a testa começou a afundar novamente, indicando a rejeição. Ela passou por avaliação de neurocirurgiões em Vitória, mas nenhum deles conseguiu apontar de forma definitiva o que está acontecendo. >
Então, ela conseguiu consulta com médicos em São Paulo, que atuam no hospital Sobrapar — referência na reconstrução de deformidades crânio-faciais. "Eles atuam nos piores casos. Os mais difíceis são operados por eles. Eu vim para cá, custeando tudo novamente, para saber o que está acontecendo comigo. Eu não sei ainda se vou precisar passar por outra cirurgia, mas, provavelmente, sim", descreve Michaella. >
A advogada já passou por seis cirurgias desde que levou a pedrada, há pouco mais de dois anos, e sua rotina tem sido ficar em casa. Michaella está afastada do trabalho pelo INSS e tem algumas limitações, como fazer atividade física. "Minha vida mudou muito. Então, realmente, agora é mais cuidar da minha saúde", ressalta. >
O acidente da advogada Michaella Zukowski aconteceu no dia 8 de julho de 2023. Ela, o pai e o irmão saíram de Guarapari e trafegavam pela Rodovia do Sol, em Vila Velha. A família estava a caminho do Aeroporto de Vitória, de onde embarcaria para Minas Gerais para o velório do avô.>
Quando passavam pela rodovia, nas imediações do bairro Ponta da Fruta, foram surpreendidos por Gelson, que atirou a pedra contra o carro. Michaella, que estava no banco do carona, foi atingida em cheio pelo pedaço de pavimento. O ataque provocou inúmeras fraturas no rosto da jovem, que teve que ser reconstruído com placas de titânio. >
Em janeiro de 2024, Michaella começou a perceber algo diferente em sua visão esquerda. Ela chegou a acreditar que o problema poderia ser por conta dos inchaços das cirurgias, mas acabou diagnosticada com perda permanente da visão de um olho.>
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