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Publicado em 29 de agosto de 2024 às 18:58
Um incêndio em vegetação de turfa nesta quinta-feira (29) fechou os acessos ao Contorno Mestre Álvaro, na Serra, e provocou um engavetamento com, pelo menos, nove carros, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Imagens aéreas (veja acima) mostram a dimensão do fogo e a densa nuvem de fumaça. >
A região da Grande Vitória, principalmente na Serra, possui regiões com a vegetação. A queima da turfa gera muita fumaça, que é bastante incômoda e já provocou diversos outros incidentes. Mas, o que seria turfa? Ela é um material proveniente da decomposição lenta de várias espécies vegetais, em situações de pouca oferta de oxigênio e em regiões muito úmidas, principalmente pantanosas. >
Luiz Fernando Schettino, professor e doutor em Ciência Florestal e Ambientalista, atuante em áreas como gestão florestal sustentável, legislação e política florestal, impacto ambiental e meio ambiente, explicou que todos os seres vivos da referida região, ao morrerem e se decomporem, tendem a sofrer uma ciclagem de nutrientes, que são ciclos da natureza. >
“Só que no caso de regiões pantanosas, muito úmidas, esses restos orgânicos, principalmente de plantas, não conseguem fazer a decomposição completa da matéria orgânica por falta de oxigênio, então vão se acumulando”, disse.>
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É nesse contexto que se formam as turfas.>
Segundo o professor, em volta da Grande Vitória, nas cidades de Serra, Viana, até o Estado do Rio de Janeiro, onde era úmido, se acumulou esse material orgânico, que em épocas mais secas, pega fogo. >
Por que a fumaça da turfa incomoda? >
Luiz Fernando Schettino explicou que a fumaça de tudo que queima solta uma série de compostos, mas a queima da turfa libera uma substância que nem imaginamos, o ácido acético, o mesmo encontrado no vinagre. >
Luiz Fernando Schettino
Professor e doutor em Ciência Florestal e AmbientalistaApesar do Corpo de Bombeiros informar que o combate ao incêndio em vegetação de turfa ter sido concluído ainda na tarde desta sexta-feira, nem sempre é assim.>
Segundo o especialista, o combate ao incêndio de turfa é complexo porque ocorre alta combustão em épocas mais secas. >
“Na decomposição orgânica, quando há ambiente seco, pode aumentar calor e pode ter uma alta combustão. É difícil porque ela (turfa) pega fogo sozinha e, se colocar fogo, alastra rápido. Esse fogo pode ficar a metros de profundidade, e para combater ou tem que encher de água ou tem que cavar para ir até no ponto onde está queimando para poder controlar”, informou Luiz Fernando Schettino.>
Esse tipo de fenômeno pode, ainda, entrar nos bolsões do solo e queimar por meses. “Entao é um fogo muito difícil de combater e caro”, ressaltou.>
Além da dificuldade de combate e do incômodo da fumaça, esse tipo de fenômeno também faz mal a saúde, segundo o professor.>
Isso porque é uma combustão incompleta em face de pouco oxigênio, com uma combustão lenta com liberação do ácido acético. O incêndio em turfa também libera muito monóxido de carbônio.>
Luiz Fernando Schettino
Professor e doutor em Ciência Florestal e AmbientalistaA fumaça da turfa afeta muito as pessoas com asma e bronquite, além de causar irritação nos olhos e garganta por conta desses componentes. >
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