A Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) elevou o tempo estimado que deve durar a crise no sistema que está sendo provocada pela pandemia da Covid-19. A projeção inicial de 4 a 5 meses de propagação do coronavírus, feita em fevereiro, agora foi revisada para de 12 a 18 meses, entrando assim em 2021.
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Em ofício enviado a secretários municipais de Saúde do Espírito Santo nesta terça-feira, o titular da Sesa, Nésio Fernandes, alertou para perspectiva de novas ondas da doença, intercalando períodos de quedas de casos com novos aumentos.
Com isso, o secretário estima que a crise de saúde se arraste pelo menos até o final do mandato dos atuais prefeitos (dezembro) e alcance 2021. Ele justifica que a disseminação do vírus em clima tropical tem sido maior do que a esperada.
"A força de transmissão e a prevalência da Covid-19 nos climas quentes, tanto secos como nos úmidos, é maior do que a esperada. Neste momento, expectamos que o comportamento da pandemia ocorra em diversas ondas, até que se consolide a possível imunidade relativa da população, a disponibilidade de tratamento específico e vacina eficaz e eficiente disponível. Essa característica pode prolongar a crise para os próximos 12-18 meses"
Em entrevista, o secretário de Saúde explicou que esse avanço da doença em ondas é perigoso porque a queda de casos pode mobilizar a sociedade contra as medidas de isolamento e proteção à vida, e aí vir uma nova leva de casos.
"A leitura que fazemos agora é que a Covid-19 tende a se comportar em ondas e com isso faça a crise se arrastar por mais tempo do que estávamos esperando. Diante disso, recomendamos aos municípios uma atualização das estratégias", afirma.
SISTEMA DE SAÚDE PRECISA SE PREPARAR
O alerta da extensão do problema vem acompanhado de uma preocupação com a rede de saúde capixaba. Segundo Nésio, o "conjunto inteiro do sistema de saúde precisa se preparar para conviver com a Covid-19".
No ofício aos municípios, ele exemplifica que uma das formas de se preparar é criar espaços de isolamento físico em todos os hospitais e unidades de saúde do Estado, inclusive em municípios do interior, seja com leitos de isolamento ou, pelo menos, espaços com alguma barreira física.
"A gente vai precisar de mais leitos de isolamento e não vai bastar termos apenas em hospitais estaduais de referência. Vamos precisar ter nos hospitais dos municípios e pronto atendimentos também, nem que seja um espaço de isolamento com pelo menos uma barreira física. Não podemos deixar pacientes suspeitos na mesma enfermaria que os demais", explica.
No ofício, Nésio recomenda aos municípios a criação de "pelo menos 30% de leitos/cadeiras com isolamento físico nas unidades de pronto atendimento, pronto socorro, hospitais e quando for possível até em unidades básicas".
O documento diz ainda que todos os hospitais públicos do Espírito Santo, "independente de serem referências para Covid-19, deverão adaptar suas estruturas com leitos isolados para pacientes suspeitos, até confirmação diagnóstica".