O resgate de três pessoas à deriva pela Marinha no litoral capixaba teve um significado especial para um dos socorridos. O pescador e serralheiro Ilário Mongin completou 68 anos nesta terça-feira (5), mesma data do salvamento. “Estou em terra, tenho que agradecer a Deus”, comemora.
Ele relata que o grupo saiu de Vila Velha para uma viagem curta, mas foi surpreendido por uma falha ainda na manhã de domingo (3), quando o motor da embarcação apresentou problemas. Sem conseguir seguir viagem, a alternativa foi aguardar ajuda.
Com o passar das horas, a situação ficou mais difícil. O balanço das ondas acabou danificando equipamentos essenciais, o que comprometeu a comunicação e a localização da embarcação.
O eletricista Nelson Hélio Fezer explica que o defeito aconteceu por volta das 6h. Sem possibilidade de reparo, os três ficaram à deriva e acabaram sendo levados pela correnteza. “A gente soltou o ferro pra ancorar, mas o vento levou a gente. Não teve jeito”, contou.
A dificuldade aumentou quando os meios de contato pararam de funcionar. O rádio apresentou falha e o celular, que já estava danificado, ficou sem bateria ao longo do tempo. Mesmo com tentativas de ajuda, o grupo não foi localizado inicialmente por outros pescadores, já que a embarcação acabou saindo da rota prevista.
Apesar do cenário, os três conseguiram se manter com os mantimentos que tinham a bordo e evitar o desespero durante o período à deriva. Segundo Nelson, a experiência foi inédita. “Nunca passei por isso”, disse.
O comandante da Capitania dos Portos do Espírito Santo, Wendel Armani, destacou que o tempo é um fator decisivo nesse tipo de ocorrência. “Quanto mais tempo longe, mais difícil se tornam as buscas”, afirmou. Ele também reforçou que acionar a Marinha o quanto antes pode facilitar o resgate e a localização das embarcações.
*Com informações da repórter Tarciane Vasconcelos, da TV Gazeta