Repórter de Cotidiano / [email protected]
Publicado em 11 de julho de 2021 às 13:03
Além da escassez de vacinas contra a Covid-19, o Brasil também precisa superar outra barreira para vencer a pandemia: as fake news, que são aquelas informações falsas que se multiplicam nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Por desinformação, muitas pessoas estão recusando as vacinas e colocando a imunidade coletiva em risco.
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Mas esse desserviço para a saúde coletiva não é um problema que surgiu com a pandemia do coronavírus. A desinformação vem desestimulando os brasileiros a serem imunizados contra diversas doenças desde 2013, segundo pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). >
"As fake news podem provocar a redução na confiança de uma vacina, ou seja, hesitação vacinal", observou a professora Sheila Lachtim, da Escola de Enfermagem da UFMG, que coordenou as pesquisas.>
O estudo analisou notícias falsas verificadas por sites de checagem de fake news de 2010 a 2019. Paralelamente à disseminação dessas mentiras ou distorções, houve uma queda na cobertura vacinal no Brasil.
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"Chegamos a duas categorias de fake news sobre vacinas. Uma delas são as de conteúdo imunobiológicos, ou seja, informações de que as vacinas deixam sequelas e oferecem risco de morte. Já na outra categoria estão as falsas notícias afirmando que as vacinas são desnecessárias, pois o corpo reagiria às doenças naturalmente. As duas constroem uma narrativa que contradiz a eficácia das vacinas, de modo a convencer o usuário de que o imunizante é dispensável à sua saúde", detalha a pesquisadora.>
Quando observamos o Espírito Santo, podemos citar um exemplo anterior ao coronavírus, que foi o ressurgimento de casos de sarampo, doença considerada erradicada no Brasil pela Organização Pan Americana de Saúde (Opas) em 2016. No Estado, foram quatro casos confirmados em 2019. >
"A desinformação impacta na adesão das pessoas, pois desencadeia hesitação, ou seja, não tomam a vacina porque não acreditam que ela seja importante. O sarampo teve uma queda da cobertura vacinal, levando ao retorno de casos", observou Daniele Grillo, coordenadora estadual do Programa de Imunizações e Vigilância das Doenças Imunopreveníveis do Espírito Santo. >
Outro exemplo aconteceu em 2014 com a vacina contra HPV, responsável por evitar câncer de colo do útero. "Mensagens com falsas informações de que a vacina provoca paralisia nas meninas amedrontou as famílias e levou a uma queda do número de meninas vacinadas que não conseguimos até hoje reverter", completou Daniele.>
Essas reduções significativas de confiança nas vacinas ficaram mais expressivas nos últimos anos pelo incentivo de movimentos antivacinas.
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"Vivemos uma 'infodemia', onde as pessoas têm dificuldade para selecionar o que é ou não real, em especial pela presença massiva de robôs virtuais que espalham essas informações falsas ou distorcidas. A situação é impulsionada pelos compartilhamentos nas redes sociais e no WhatsApp, potencializando os efeitos", observa Lachtim.>
A professora descreve que a eficácia dos imunizantes já foi comprovada ao longo de anos de erradicação de outras doenças ou da redução de mortes. "Diminuímos a mortalidade, as sequelas e os registros das doenças. Uma opinião ou questões pessoais não podem se sobressair a uma evidência científica", completou. >
Para tentar reduzir o impacto social desastroso das fake news, muitos sites e grupos trabalham para desmentir as informações a partir da verificação dos fatos. Um exemplo é o Projeto Comprova, que reúne 24 veículos de imprensa do Brasil - incluindo A Gazeta - para combater a desinformação.
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Vacina contra Covid-19 tem efeito magnético
Um vídeo divulgado no Facebook mostrando uma idosa grudando uma moeda no local do braço que recebeu a vacina contra a Covid-19 repercutiu na internet. Professores de Física se reuniram para mostrar que a relação com a vacina era inexistente. Na verdade, era apenas um princípio científico: superfícies e partículas formadas por moléculas diferentes tendem a grudar uma na outra.
Vacina contra HPV causa paralisia
A vacina contra a HPV, destinada a meninas com idades entre 9 e 14 anos, já foi alvo de inúmeras fake news. Quanto mais aparecem mais falsas informações, menor é a cobertura vacinal, em especial por se tratar de menores de idade que dependem de um adulto para levá-los ao posto de saúde. Vale lembrar que a vacina contra o HPV é a única que protege contra um câncer.
Não é preciso se vacinar contra o sarampo
A partir da década de 90, a distribuição da vacina contra sarampo em todo o território nacional reduziu a quase zero os casos da doença. Isso criou a falsa ideia de que não seria necessário mais vacinar, levando à queda de cobertura vacinal entre os brasileiros e ao aumento dos grupos de pais resistentes ao procedimento. Em decorrência disso, o país passou a ter surtos isolados e que se não bloqueados com vacinação podem provocar uma epidemia mais grave, pelo vírus ser altamente contagioso. Por isso, vacinar é indispensável.
Vacina contra Covid-19 tem microchip para rastrear as pessoas
Uma teoria conspiratória sobre o coronavírus ganhou as redes sociais ao afirmar que as vacinas contra o vírus contêm microchips para colher dados pessoais e a identidade biométrica dos vacinados. A tese falsa reúne dados de um projeto de verificação de identidade digital à perspectiva de acesso mundial do imunizante.
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