Desde 2012, o Espírito Santo registrou 14 acidentes aéreos. No total, oito pessoas morreram. O caso mais recente aconteceu na noite de quinta-feira (9), quando duas pessoas morreram após um helicóptero cair em um sítio na zona rural da localidade Vargem Grande, em Vargem Alta, Região Serrana do Espírito Santo, por volta das 18h30.
Uma das vítimas é o empresário Oto Carneiro, de 49 anos, do ramo de rochas ornamentais. O piloto, Breno Guglielmi, de 62 anos, trabalhava pela primeira vez no Espírito Santo.
De acordo com as informações iniciais do atendimento do Corpo de Bombeiros, a aeronave teria colidido com fios de alta tensão e caído na propriedade. Os dois morreram no local.
Outros 13 acidentes foram registrados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira. Quatro deles resultaram em mortes.
Em 12 anos, ES registrou 14 acidentes aéreos com oito mortes
Em novembro de 2012, durante um voo experimental, uma aeronave fez um pouso forçado em um praia de Vila Velha, após uma pane. Durante o pouso, colidiu com uma vala e um monte de areia. O piloto não sobreviveu.
Em janeiro de 2019, uma aeronave decolou da área de pouso eventual Pablo Altué, em Jaguaré, Região Norte do Estado, para realizar voo de aplicação agrícola com um piloto a bordo. Durante a aplicação, a aeronave colidiu contra uma árvore. O piloto teve lesões fatais. A aeronave ficou destruída.
Já em fevereiro de 2020, um avião de pequeno porte caiu em cima de uma loja de material de construção em Guarapari, na Região Metropolitana de Vitória. O acidente matou o piloto Luciano Ferreira Souza e o copiloto Fabiano Luiz Gonçalves.
Segundo as informações do Cenipa, a aeronave decolou do Aeródromo de Guarapari (SNGA) com destino ao Aeródromo Eurico de Aguiar Salles (SBVT), na Capital, para um voo de translado, com um piloto e um passageiro a bordo.
“Após a decolagem, interrompendo a trajetória ascendente, o piloto efetuou curva à direita, realizando mais 180° de curva em trajetória descendente na direção da pista do aeródromo, até colidir contra edificações próximas ao referido aeródromo. A aeronave ficou destruída. Os dois ocupantes da aeronave sofreram lesões fatais.”
Também há casos em que passageiros e tripulantes escaparam com ferimentos leves ou ilesos, como é o caso do acidente em 2018, envolvendo Paulo Hartung, que, na época, era governador do Espírito Santo.
O helicóptero, que também levava uma pilota, o copiloto e a então primeira-dama colidiu contra uma trave de um campo de futebol em Domingos Martins, na Região Serrana, durante o procedimento de pouso.
Segundo os investigadores, no período da tarde, no momento do incidente, a iluminação natural no local do acidente era reduzida em virtude da sombra produzida pela topografia do lugar.
“Após o primeiro impacto, o helicóptero se desestabilizou e iniciou um giro sem controle à esquerda, o que resultou na colisão do rotor principal contra o terreno e no tombamento da aeronave para a direita. Os destroços ficaram agrupados no centro do campo de futebol”, detalha o relatório. Todos os ocupantes do voo saíram ilesos.
Incidentes aéreos
Além dos acidentes, foram registrados 57 incidentes aéreos e 12 incidentes graves no Espírito Santo, desde 2012. São casos de menor complexidade, em que tripulantes e passageiros geralmente escapam ilesos.
Não é a primeira vez, por exemplo, em que um helicóptero colide contra fios elétricos no Estado. Mas, nas outras ocasiões, não houve feridos.
Em maio do ano passado, uma aeronave decolou de uma área de pouso em Franciscópolis, Minas Gerais, levando passageiros para Barra de São Francisco, no Noroeste capixaba. Havia um piloto e dois passageiros a bordo.
“Durante a aproximação para pouso, a aeronave colidiu com um fio de energia elétrica. O piloto realizou pouso em um terreno rural”, relatou o Cenipa. O helicóptero era um Robinson Helicopter, modelo R44, fabricado em 2005 — uma versão anterior da aeronave acidentada na noite passada (modelo R44 II).
Em 2013, durante uma operação policial em Baixo Guandu, um helicóptero decolava de uma área restrita, “quando veio a colidir com fio de rede elétrica. Com a colisão, o tubo de pitot foi arrancado da aeronave antes do fio ser rompido pelo ‘corta-cabo’. Após o ocorrido, a tributação efetuou um pouso por precaução”, mostrou relatório do centro de investigação.
Também há episódios envolvendo colisão com aves, falha do motor ou do sistema, estouro de pneu, manobra abrupta, perda de controle, entre outros.