A alegria de ter conseguido ver a bisneta nascer e crescer foi tirada de Antônia Santos em segundos. Ela é a bisavó de Alice Rodrigues, de seis anos, morta ao ser baleada dentro do carro em ataque no bairro Balneário de Carapebus, na Serra, no último domingo (24). Durante o velório da bisneta, nesta terça-feira (26), em Teixeira de Freitas, na Bahia, cidade natal da família, ela desabafou: “Alice é minha vida, minha princesa toda a vida. Minha neta que fica no meu coração”.
Ela conversou com o repórter Alisson Andrade, da TV Santa Cruz, emissora baiana, que entrou ao vivo no Gazeta Meio Dia. Antônia lembrou sobre o amor pela pequena e pediu justiça. A criança estava com os pais voltando de uma tarde na praia quando foram atacados após um 'olheiro' de um grupo criminoso os confundir o veículo que estavam com rivais.
É muita dor. Uma menina muito sabida, esperta, minha princesa que estava estudando. Era uma criança de seis aninhos que sofreu. A família está desesperada. Justiça, pelo amor de Deus, não deixe a gente nesse sofrimento não. Tirem esses bandidos da linha
Dona Antônia ainda contou que Alice era querida não só pela família, mas por todos que a conheciam.
“Todo mundo ama ela de todo o coração. Era uma menina querida por todo mundo. Faça isso (justiça) por nós, por favor. Eu peço a vocês, a mãe está sofrendo, o pai está sofrendo, a avó fica sofrendo. Todo mundo está desesperado, eu sou uma bisavó que ama os netos e bisnetos demais da conta. Nos ajude, por favor”, clamou Antônia.
Os momentos sem a pequena já marcam um vazio na vida dos parentes. Marlene, tia de Alice, questionou quantas crianças vão precisar morrer para que algo seja mudado na segurança do país.
A mulher também deu entrevista ao vivo no telejornal capixaba e clamou pelo direito de ir e vir em segurança pelas vias públicas.
“Não temos palavras para classificar o terror, foi uma tarde de terror. Um pai de família que não pôde se defender para poder livrar a família dele. Clamamos por justiça, porque é o que podemos fazer no momento. Um momento de dor, de sofrimento que não sabemos nem por onde começar", disse Marlene.
Velório de Alice Rodrigues
Outra familiar, uma prima da Alice, comentou ainda sobre a falta do direito de defesa do pai da criança. “Clamamos por pedido de justiça. Um pai de família que veio de uma tarde de lazer com mulher grávida. Como fica a justiça nesse país? Ele precisou sair de dentro do carro para poder fazer com que eles parassem com tiros", reclamou.
Relembre o caso
Alice Rodrigues morreu após ser baleada em um carro durante um ataque a tiros em Balneário Carapebus, na Serra, na tarde de domingo (24). Consta em boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar que criminosos armados dispararam várias vezes contra o veículo, onde também estavam o pai e a mãe de Alice, que está grávida. Segundo o secretário estadual de Segurança, Leonardo Damasceno, o pai da menina levou um tiro de raspão. A família – que voltava da praia – foi confundida com criminosos.
A PM relatou no documento que testemunhas contaram aos militares que os atiradores fugiram em direção ao bairro Novo Horizonte após efetuarem os disparos. O pai de Alice, que estava em um Peugeot 207 prata com a família, dirigiu até o Hospital Municipal Materno Infantil (HMMI) da Serra para socorrer a filha, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade. Ele também foi atingido por um tiro de raspão e a esposa foi atingida por estilhaços de vidro. Seis pessoas relacionadas ao caso foram presas no dia seguinte ao crime.