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Publicado em 1 de abril de 2021 às 17:15
- Atualizado há 5 anos
O número de jovens contaminados com o coronavírus no Espírito Santo cresceu. Só em março, mais de 17 mil capixabas, com idades entre 20 a 39 anos, foram diagnosticados com a doença. Os números foram divulgados pelo Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). >
O aumento de jovens infectados tem relação com surgimento de novas variantes da doença, entre elas a B.1.1.7 - que é mais veloz, mais letal e atinge os mais jovens. Por consequência, o crescimento no número de contaminados também fez aumentar o número de mortos. Só em março, 44 pessoas, entre 20 a 39 anos, morreram em decorrência da doença. Na média, isso corresponde a mais de um jovem morto por dia. >
Diante desse cenário, a chefe do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde (Sesa), Larissa Dell’Antonio, faz um alerta: é importante evitar ao máximo o contágio.>
"O que observamos enquanto vigilância é que pessoas mais jovens estão se contaminando e o desfecho óbito acontecendo com mais frequência. Não é só achar que será uma gripe ou que por ser saudável, não poderá desenvolver a doença. Está mais que provado que essa narrativa não é verdadeira. O essencial e importante é não se contaminar, é não se colocar em risco”, afirma.>
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Para a epidemiologista e pesquisadora da Ufes, Ethel Maciel, ao longo do mês de abril os números de contaminados e mortos pela doença devem seguir altos. Essa projeção pode ser feita porque o Espírito Santo segue em crescimento no número de contaminações, tendo inclusive registrado recorde nesta semana com 3.532 casos confirmados em apenas 24 horas na última terça-feira (30).>
"A gente projeta que dentro de duas a três semanas, um percentual desses casos que estão positivos hoje vão estar hospitalizados, e um percentual dos hospitalizados vai morrer. Muito provavelmente o mês de abril ainda será de muitos casos e de muitas mortes", explica a pesquisadora.>
Segundo Ethel, mudar esse panorama passa por duas ações: medidas mais restritivas de isolamento e ampliação da vacinação. Como vacinar mais pessoas em um curto período não é possível neste momento, a alternativa imediata seria manter as pessoas em casa por mais tempo. >
"Ou nós vacinamos mais rápido, ou fazemos um isolamento mais rigoroso. O vírus circula por pessoas infectadas e muitas vezes essas pessoas nem sabem que estão infectadas e aí estão no transporte coletivo e nas empresas transmitindo esse vírus. Como a nossa vacinação ainda está muito lenta, precisamos de medidas mais restritivas para impedir as pessoas de circularem", avalia.>
Para além disso, é preciso lembrar que os efeitos do isolamento social não são sentidos de forma imediata. A quarentena decretada pelo Governo do Estado, e iniciada em 18 de março, ainda não atingiu os índices desejados. Alguma queda no número de novos casos e mortes só deve começar a ser sentida na próxima semana.>
"O isolamento que nós fizemos, nós ainda não vimos reflexo na diminuição dos casos. Isso demora. Uma ação que você toma hoje vai ter reflexo daqui a duas semanas. Estamos completando agora duas semanas da primeira ação do governo. Só que a primeira semana do decreto ainda foi muito flexível, com transporte público circulando. Acredito que a gente só vai ver mudança a partir da semana que vem", pondera.>
Enquanto a curva não baixa, o infectologista e referência técnica do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Raphael Lubiana Zanotti, lembra que as recomendações seguem as mesmas: distanciamento, uso de máscara e higiene correta das mãos.>
“Todos nós precisamos nos cuidar, mesmo aqueles que já tiveram a doença anteriormente. O vírus mutou e pode fazer novas mutações. Mas, as medidas de prevenção continuam as mesmas. Respeite o distanciamento social, use máscara e higienize as mãos”, conclui.>
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