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Publicado em 11 de junho de 2025 às 20:03
Enquanto celebra uma redução consistente nos assassinatos, o Espírito Santo olha com preocupação para outro dado: o crescimento nos casos de tentativa de homicídio. Conforme indicadores do Mapa de Segurança Pública 2025, o aumento observado foi de quase 8%, de 2023 para 2024, e o município da Serra aparece em 8º lugar no ranking nacional com 346 ocorrências. >
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e mostram que o Espírito Santo teve, no ano passado, 813 homicídios dolosos — o Mapa não soma aqui os feminicídios, como nas estatísticas do Estado — o que representou uma redução de mais de 13% em comparação a 2023. >
Por outro lado, as tentativas de homicídio têm maior volume e ainda apresentaram crescimento, passando de 2.568 para 2.767 casos, no comparativo anual. Esses números, segundo o Mapa, colocam o Espírito Santo com a maior taxa de tentativa de homicídio por 100 mil habitantes no país: 67,45. >
O secretário de Estado da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, mostra-se reticente em relação aos indicadores de tentativa de homicídio, particularmente porque acredita que há distinção na coleta de dados entre os Estados, o que daria uma distorção no resultado. No Espírito Santo, por exemplo, são informados os números de vítimas, mas há locais que só contabilizam ocorrências. >
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Damasceno espera uma análise mais detalhada da equipe da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), mas, a despeito do apurado e divulgado no Mapa, o secretário ressalta que tanto o homicídio quanto a tentativa são indicadores que precisam ser monitorados. "A tentativa é o assassinato que não deu certo e está no nosso acompanhamento. Seja qual for o resultado, estamos atentos a isso.">
Informado que a Serra aparece como destaque negativo e questionado sobre ações que podem ser adotadas para o enfrentamento da situação, Damasceno pontua que o programa Estado Presente tem como foco as áreas vulneráveis e com os chamados indicadores desviantes, ou seja, com registros maiores de criminalidade. "É para esses lugares que direcionamos a maior parte dos recursos, seja policiamento ostensivo, seja repressão qualificada. Isso já leva em consideração não só os homicídios, mas todo crime com emprego de violência.">
Para o secretário, a redução contínua dos homicídios no Espírito Santo reflete o esforço do governo do Estado para diminuir a violência letal, mas ele reforça que os desafios na área de segurança pública são enormes e não param de surgir.>
"Não podemos descansar, como diz o governador, enquanto uma vida estiver sendo perdida. O trabalho é dia após dia, ano após ano, para diminuir a quantidade de mortes.">
A vice-prefeita e secretária de Defesa Social da Serra, Gracimeri Gaviorno, também faz ponderações sobre a apresentação dos indicadores, com números absolutos, desconsiderando fatores como tamanho da população para fazer as comparações. >
"Obviamente que cada vida é importante, só que o estudo não nos posiciona considerando outras variáveis. Mas, independentemente da questão metodológica, estamos trabalhando para ter um cenário diferente", afirma.>
Entre as ações destacadas, Gracimeri cita que há um trabalho de cooperação do município com as polícias Civil e Militar, seja com a guarda municipal, que passa por treinamentos periódicos, seja com a disponibilização do serviço de videomonitoramento para investigações. O parque tecnológico, a propósito, deve ser ampliado, tanto com câmeras fixas quanto com drones. >
Para o segundo semestre, o efetivo da guarda vai chegar a quase 200 agentes, com a nomeação de 50 novos profissionais. Eles estão em fase de apresentação de documentação e, segundo Gracimeri, vão atuar no patrulhamento preventivo. A secretária ressalta ainda as articulações já realizadas no gabinete de gestão integrada para o enfrentamento da criminalidade violenta e a atuação de outras pastas, como a de Assistência Social e Direitos Humanos, cujas ações podem prevenir a violência. >
"Dados dos cinco primeiros meses deste ano mostram que todos os indicadores da Serra estão em queda, o que nos aponta que estamos no caminho certo. Mas ainda queremos ampliar a nossa capacidade de resposta à população", finaliza Gracimeri. >
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