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Adubo verde aumenta a produtividade da lavoura e ganha adeptos no ES

Biofertilizantes aumentam em até 40% o rendimento de frutos. Fabricação está em expansão, com iniciativas particulares e também impulsionadas pelo setor público no Estado

Tempo de leitura: 4min
Publicado em 27/06/2022 às 11h33
Pré-composto é muito procurado por produtores de alimentos orgânicos
Pré-composto é muito procurado por produtores de alimentos orgânicos. Crédito: Prefeitura de Viana/Divulgação

A utilização de fertilizantes orgânicos na agricultura do Espírito Santo tem sido crescente. Desde iniciativas privadas a ações realizadas por setores públicos, como a parceria do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) com a Prefeitura de Viana, na criação da Usina de Compostagem de Viana.

Segundo a prefeitura do município, a produção corresponde a 200 m³ por mês de pré-composto e já há planos de expansão em estudo. Atualmente a usina atende agricultores de Viana e cidades vizinhas, mas há também a distribuição para outros municípios do Estado por meio de programas apresentados à Secretaria de Agricultura de Viana.

“O perfil do comprador é o de pequeno produtor e agricultor familiar, e na maioria, com foco na agricultura orgânica. A procura do pré-composto tem aumentado por causa da forma que é produzida, livre de contaminantes químicos e por ser orgânico, visto que a procura por produtos orgânicos tem aumentado significativamente. Os agricultores têm buscado cada vez mais formas de se integrar na agricultura orgânica e tem buscado soluções na implantação e manejo da sua produção, e é aí que entra a utilização do pré-composto”, conta o prefeito de Viana, Wanderson Bueno.

A procura por esse tipo de fertilizante tem seus motivos, principalmente relacionado à produção. Dados do Incaper apontam que o uso de biofertilizante enriquecido com nitrogênio e potássio, aplicado via solo no cultivo orgânico do tomate, aumenta o rendimento de frutos em até 40%. E a prática da adubação orgânica em cobertura em hortaliças, no sistema orgânico pode elevar os rendimentos comerciais em até 50%.

Para Danilo Andrade Santos, doutor em Produção Vegetal pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pesquisador bolsista de Desenvolvimento Científico regional (Convênio CNPq/Fapes), os custos da adoção da fertilização orgânica são muito variáveis. Segundo Santos, é necessário avaliar a disponibilidade de fontes orgânicas na propriedade ou próximas nas proximidades, o custo do frete quando a fonte vem de fora da propriedade, a relação entre o preço, o conteúdo de nutrientes no fertilizante, a época e as condições para uso e o método de aplicação.

“Além disso, se o produtor desejar produzir o próprio fertilizante orgânico ele deve considerar o tipo de resíduo, a necessidade de processamento para transformação do resíduo, o volume desejado ou necessário e os custos com mão de obra. Ou seja, se por um lado o produtor pode realizar a compra de um fertilizante orgânico, por outro ele pode preparar o próprio fertilizante em sua propriedade”, afirma.

Segundo o pesquisador, existe uma série de alternativas para a fabricação do fertilizante orgânico, como o uso de adubos verdes, a compostagem e a vermicompostagem, a produção de biofertilizantes, o uso de águas residuárias e a aplicação de biocarvão. Mas Souza é enfático sobre a importância de que essas fontes estejam isentas de agentes químicos e biológicos com potencial contaminantes.

“Sobre os custos, eles serão tão mais baixos quanto mais próximos dos sistemas de produção estiver o produto ou a matéria prima. A adoção da fertilização orgânica bem planejada agrega valor à propriedade rural já que pode contribuir para melhorar os atributos de fertilidade do solo, como: uma liberação mais equilibrada de nutrientes para a nutrição de plantas e a melhoria da capacidade do solo em retenção de água. Além de amenizar as variações da temperatura, aumentar as reservas e a capacidade de retenção de nutrientes e regular a atividade dos microrganismos do solo”, diz.

Entenda as diferenças entre os tipos de fertilizantes

Também chamados de fertilizantes inorgânicos ou minerais, são comumente obtidos pelo processamento de rochas. Muitos deles, particularmente aqueles que são fontes de nitrogênio, necessitam também do uso de combustíveis fósseis para sua produção, tais como o petróleo, o carvão mineral e o gás natural.

Qual é a principal característica desse tipo de fertilizante?

Uma das características dos fertilizantes minerais que os diferencia dos orgânicos é que os nutrientes são mais concentrados (maior quantidade de nutriente por quilo de fertilizante) e mais facilmente disponíveis para a nutrição de plantas (salvo algumas exceções).

O que são fertilizantes orgânicos?

Os fertilizantes orgânicos, sólidos ou líquidos são obtidos a partir de resíduos de vegetais e/ou animais e possuem como elemento químico em maior abundância o carbono, obtido pelo processo de fotossíntese. Os fertilizantes orgânicos também possuem outros elementos químicos nutrientes de plantas, mas em menor quantidade que os fertilizantes minerais, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre.

Qual é a vantagem de se usar um fertilizante orgânico?

Além de nutrientes, os fertilizantes orgânicos podem ser fontes de micro-organismos benéficos para a saúde do solo e a nutrição das plantas. E são fundamentais para a liberação dos nutrientes no fertilizante orgânico para a posterior absorção pelas plantas.

É correto afirmar que toda produção que se usa fertilização orgânica é orgânica?

Não, pois, além da fertilização orgânica, é necessário que o produtor organize todo os processos que também envolvem o manejo de pragas, doenças e plantas espontâneas, bem como todas as atividades do plantio à colheita e pós-colheita. Ou seja, a fertilização é uma parte do processo de produção orgânica.

Fonte: Danilo Andrade Santos, doutor em Produção Vegetal pela Ufes e pesquisador bolsista de Desenvolvimento Científico Regional (Convênio CNPq/Fapes)

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