Lançamento que movimentou principalmente as redes sociais nos últimos dias, “Juntos”, versão de Paula Fernandes com participação de Luan Santana para “Shallow”, de Lady Gaga, inspirou memes, arrancou risadas e questionamentos, e também alavancou a versão original nas plataformas de streaming.
Apesar do burburinho em torno do lançamento (um tanto quanto incompreensível, convenhamos), a versão curiosa escrita por Paula Fernandes em duas horas não foi a única neste sentido em terras tupiniquins. Já há muitas décadas brasileiros vêm se aventurando pelo ramo das “releituras”.
Algumas das canções chegaram a cair no gosto do público, como é o caso de “Chorando Se Foi”, que fez sucesso no finalzinho dos anos 1980. O hit da banda Kaoma fez muita gente se divertir ao som de um misto de lambada com toques de carimbó, ritmo típico da região Norte. A bem da verdade, até hoje a música é lembrada de maneira bem-humorada entre quem aproveitou a época. A versão original é de 1981, e foi lançada pelo grupo boliviano Los Kjarkas.
“Batendo Na Porta do Céu”, de Zé Ramalho, e “É Isso Aí”, de Ana Carolina e Seu Jorge, são outros bons exemplos de versões que funcionaram com o público.
Por outro lado, não tem jeito... Se lançarmos um olhar mais criterioso, a lista das versões que seguem a linha de “Juntos” e têm qualidade questionável é maior. Um exemplo é “Baby, Fala Pra Mim”, versão de “Quelqu’un M’a Dit” (Carla Bruni) gravada pelo sertanejo Leonardo em 2011, quando chegou a ser bem tocada nas rádios.
“Não Vale Mais Chorar Por Ele” é outra a reforçar o time das versões questionáveis. Gravada pelo grupo de arrocha Bonde do Maluco, a releitura é da canção “Don’t Matter”, do famoso expoente do r&b Akon.
Ao lado, reunimos outras canções inspiradas em sucessos gringos, como é o caso de “Astronauta de Mármore”, do Nenhum de Nós, e de outros hits que estouraram em todas as rádios em meados dos anos 2000, como “Sou a Barbie Girl”, de Kelly Key, e “Festa no Apê”, do cantor Latino.
VERSÕES BRASILEIRAS
Não Vale Mais Chorar Por Ele -Bonde do Maluco
A versão bem-humorada da música “Don’t Matter” (Akon) é um forró que quase empodera a ouvinte que acabou de enfrentar a dor de um “pé na bunda”.
Festa no Apê - Latino
Pouca gente lembra ou sabe, mas o hit do cantor Latino é, na verdade, a versão em português de um sucesso romeno que bombou na Europa nos idos dos anos 2000: “Dragostea Din Tei”, do grupo O-Zone.
No Fundo do Coração - Sandy & Junior
A versão que saiu no disco “Era Uma Vez... Ao Vivo”, em 1998, se tornou um sucesso na voz da dupla. A original se chama “Truly Madly Deeply”, da banda australiana Savage Garden, e foi lançada originalmente um ano antes.
Long Live - Paula Fernandes
A cantora de “Juntos” também já havia feito uma versão em português da música de Taylor Swift. Mas, neste caso, a repercussão foi mais positiva, e rendeu até mesmo uma parceria entre as duas, que chegaram a gravar e se apresentar juntas durante uma vinda de Taylor ao país.
É Isso Aí - Ana Carolina e Seu Jorge
A versão por aqui fez mais sucesso do que a original, “The Blower’s Daughter”, do irlandês Damien Rice. A canção original chegou a integrar a trilha sonora do filme “Closer” (2005).
Batendo na Porta do Céu - Zé Ramalho
“Knockin’ On Heaven’s Door”, de Bob Dylan, ganhou tradução literal do lendário músico paraibano, que chegou a fazer um disco inteiro em homenagem a Dylan em 2008.
Sou a Barbie Girl - Kelly Key
O hit “Barbie Girl”, do grupo dinamarquês Aqua, bombou no final dos anos 1990 e ganhou uma versão meio “duvidosa”, digamos, pela voz de Kelly Key.
Chorando Se Foi (Lambada) - Kaoma
A original, “Llorando Se Fue”, foi lançada em 1981 pelo grupo boliviano Los Kjarkas. Já a versão brasileira foi sucesso em um misto de lambada com carimbó por aqui no final da década de 1980.
Astronauta de Mármore - Nenhum de Nós
Com versos um tanto quanto sem sentido, a música inspirada em “Starman”, de David Bowie, é lembrada até hoje por quem acompanhou e curtiu a onda do rock brasileiro em meados dos anos 1980.
Baby, Fala Pra Mim - Leonardo
A música foi o primeiro single do disco lançado pelo sertanejo em 2011, “Nada Mudou”, e nada mais é que uma “releitura” não muito bem-sucedida da bela canção “Quelqu’un m’a Dit”, da ítalo-francesa Carla Bruni.