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Dicas de especialistas

ChatGPT, Gemini e Claude no Enem: prompts e dicas para usar a IA ao estudar

Confira dicas de comandos, erros comuns e até onde vale confiar na inteligência artificial na reta final

Publicado em 26 de Outubro de 2026 às 16:24

Larissa Cors

Publicado em 

26 out 2026 às 16:24

Com o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) se aproximando, ferramentas gratuitas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini e Claude, já fazem parte da rotina de estudos de boa parte dos candidatos. A promessa de dispor de uma "monitoria particular" disponível a qualquer hora, capaz de montar cronograma, explicar conteúdos e até ajudar na redação, é atrativa. O resultado, porém, depende diretamente de como se usa a ferramenta.


A reportagem de A Gazeta conversou com alguns especialistas sobre Enem, redação e inteligência artificial (IA) e traz as principais dicas e orientações neste conteúdo.


O problema começa quando o aluno trata a IA como gabarito, aceitando e acreditando em qualquer resposta, sem questionar. É aí que moram as pegadinhas, que podem atrapalhar a preparação ao invés de ajudar.

Ajuda no diagnóstico
A inteligência artificial pode funcionar quase como um raio-X dos estudos. É o que explica a professora doutora Ana Lúcia de Souza Lopes, integrante do Centro de Pesquisas em Inteligência Artificial Mackenzie (IAM). "Uma das possibilidades mais interessantes da IA é funcionar como um diagnóstico do que o estudante aprendeu e de quais são suas dificuldades", afirma.

Essa leitura de cenário acontece graças a uma lógica chamada de learning analytics (análise de aprendizagem). Na prática, as plataformas avaliam seus acertos, erros e até o tempo que você gasta em cada exercício para recomendar a trilha de estudos ideal.

Mas atenção! Passar só 30 segundos em uma questão pode significar que você entendeu a matéria perfeitamente, ou que simplesmente cansou e "chutou" a resposta. Por isso, esses dados servem como um alerta para orientar os estudos, e nunca como um veredito sobre a sua capacidade.

A tecnologia precisa ampliar a capacidade de pensar, e não substituir ou atrofiar o pensamento

Ana Lúcia de Souza Lopes, professora doutora da Universidade Presbiteriana Mackenzie

O estudante deve priorizar a qualidade do tempo de estudo, e não apenas a quantidade de horas dedicadas (Imagem: pics five | Shutterstock)
O prompt certo pode transformar a IA em aliada nos estudos para o Enem Imagem: pics five | Shutterstock
A IA deve corrigir sua redação?

O uso da tecnologia para avaliar os textos divide opiniões. Professora de redação e corretora oficial, Amariles Lima é contra o uso para avaliação. “A IA não consegue identificar padrões próprios do ser humano, como a sutileza de argumentação e a ironia. Tentar ‘simular uma nota’ é se enganar”, alerta.


Por outro lado, o uso como apoio pedagógico prévio tem mostrado resultados. A professora doutora Rutinelli Favero, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), defende o uso como diagnóstico, em especial como recurso para os alunos que não fazem cursinho. “A IA tem uma disponibilidade constante. O aluno pode testar e refazer sem constrangimento”, avalia. A regra de ouro, segundo ela, é o aluno sempre escrever o próprio texto e usar a IA apenas para apontar falhas de estrutura, argumento e coesão.

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Como posso pedir ajuda na escrita?

Amariles reforça que as ferramentas servem para apontar caminhos pontuais, mas não pra escrever no lugar do aluno. "Quando eu falo pro meu aluno que ele precisa de elementos coesivos, a IA me ajuda a mostrar qual elemento pode entrar ali, e depois o aluno reescreve o parágrafo com as próprias palavras. Assim, ele está se apropriando do conhecimento e o texto final é sempre dele".


Quem já incorporou esse uso na rotina confirma o benefício. Dentro da rotina apertada de ensino médio e cursinho pré-vestibular, o estudante Henrique Loureiro enxerga na IA um apoio, aproveitando melhor o seu tempo de estudo. "O ChatGPT me ajuda a entender e criar uma base melhor para, depois, escrever a redação. Defendo o uso das IAs, porque vejo muitos colegas que ainda não sabe muito bem como começar um texto, quais estratégias usar para se organizar e a ferramenta ajuda nisso", conta.

Use o prompt a seu favor

Mas para que a inteligência artificial forneça essa base útil sem fazer o trabalho pelo aluno, tudo depende de como o pedido é feito. A professora Rutinelli alerta que o sucesso da ferramenta está diretamente ligado à qualidade do comando digitado, ou seja, o prompt.


Para o professor doutor em Ciência da Computação e Inteligência Artifical Jairo de Moraes, não existe uma lista de prompts "mágicos".


"O papel do prompt é dar contexto para a IA antes de perguntar. O ideal é fazer uma formulação dentro do contexto que você quer e passar o máximo de informação possível", especifica.


Como exemplos, o professor sugere que a solicitação exija rigor ou posicionamentos em determinados papéis que trarão um retorno bem mais exato pela IA. Alguns exemplos seriam:


  • Atue como um examinador rigoroso. Crie cinco questões de múltipla escolha sobre [tema] e me apresente uma questão por vez. Espere que eu responda e só depois me diga onde eu errei e o que posso melhorar.

  • Atue como um professor bem didático e me explique o conceito de [assunto]. Vá explicando pouco a pouco e só avance para a próxima etapa depois que eu confirmar que entendi a anterior.


Também ajuda nessa jornada pedir precisão, questionar as respostas e desenvolver uma ideia com as próprias palavras depois que a ferramenta responde.


"É muito importante o aluno dar o feedback pra o chatbot (robô do chat). Pode fazer um resuminho: 'Então quer dizer que isso funciona assim. Tá correto?'. O modelo vai ler a sua resposta e vai lhe dizer se o seu raciocínio está de acordo", complementa Jairo.

E para treinar lógica e matemática?

O mesmo raciocínio vale pra matemática e lógica. Contextualizar o pedido (dizer a disciplina e o tópico e pedir resposta baseada só no método ensinado em sala) evita respostas genéricas puxadas da internet. A dica de pedir para a IA resolver um cálculo explicando cada etapa, em vez de só entregar o resultado final, também facilita conferir onde errou e manter o rigor. 


Como Jairo reforçou, pedir problemas sobre conteúdos mais densos ajuda e, para a prova do Enem, vale a pena enviar questões das testes antigos, sempre tentando resolver sozinho antes de comparar com a explicação da IA. 


Também é possível pedir um nível de resposta diferente, mais leigo ou mais técnico, dependendo de quanto o aluno já domina do assunto.

Não caia em pegadinhas

Jairo reforça que o mito mais comum ao enviar prompts é o da cordialidade. "Dar bom dia, boa tarde, ser mais gentil ou mais hostil com o prompt não vai fazer a mínima diferença. A orientação que você vai escrever é o que faz toda a diferença", esclarece.


E o segredo ainda está na especificidade da pergunta. Um erro sutil é perguntar de forma que já assume uma "resposta certa". Ou seja, se você pergunta à ferramenta de IA "qual brasileiro ganhou o prêmio Nobel de Física?", você parte de uma premissa que existe um brasileiro que ganhou o prêmio. A chance de a IA responder com uma informação errada é muito maior. 


O professor alega que o pior erro para um candidato é tratar qualquer resposta como verdade absoluta. "Você pergunta alguma coisa, tira uma dúvida, pega aquilo como verdadeiro, não questiona, e passa adiante. Às vezes, até leva para o professor, mas ainda é terrível. A IA erra, e erra bastante. É preciso ter muito senso crítico pra usá-la."


Na prática, ele recomenda adotar a ferramenta para validar ou completar algo que já se sabe, em vez de usá-la pra aprender do zero um assunto sem repertório nenhum pra desconfiar se a resposta está certa.

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