Desde o anúncio da reeleição do presidente Lula, na noite de domingo (25), uma onda de manifestações de preconceito tem contribuído para manter a sensação de divisão do país. Postagens discriminatórias nas redes sociais e listas com boicotes a serviços e profissionais, também em cidades do Espírito Santo, estão vindo à tona, assim como casos de assédio no trabalho.
A eleição acabou, a maioria dos eleitores fez sua escolha, o país tem somente um presidente eleito, dentro das regras. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na figura de seu presidente Kassio Nunes Marques, já reforçou o compromisso com "a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes".
Individualmente, qualquer pessoa tem a liberdade de escolher o restaurante que frequenta, a loja em que faz compras, mas sistematizar e organizar coletivamente essa escolha de forma discriminatória e ainda difundi-la, com base em ideologia, é algo que remete a períodos sombrios da história da humanidade. Isso pode ser considerado crime no Brasil.
É bem verdade que os casos que ganham as luzes acabam dando uma dimensão amplificada, mas definitivamente não refletem o comportamento da maioria dos brasileiros de ambos os lados.
O que se vê, em sua maioria, nesta semana pós-eleição são pessoas seguindo sua vida, com seus compromissos cotidianos. Sabem que outra chance de fazer uma escolha virá em quatro anos. As diferenças de pensamento não vão deixar de existir com o fim da eleição, mas elas precisam conviver pacificamente. Esse é um dos sabores da democracia.
É preciso reconhecer a existência dessas distinções, que são saudáveis e necessárias para buscar as melhores soluções para os nossos problemas. Discriminação e segregação, contudo, não podem existir. O que se espera é que essas diferenças sempre prevaleçam a partir dos instrumentos democráticos disponíveis, e a eleição de quatro em quatro anos é um deles.
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