Publicado em 14 de novembro de 2025 às 19:26
- Atualizado há 3 meses
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (14) medida para reduzir tarifas sobre a importação de uma série de produtos agrícolas, incluindo café, carne bovina, tomate, banana e outras frutas tropicais, em movimento voltado para controlar a inflação dos alimentos no país após o tarifaço.>
Entre outros países exportadores de commodities, as medidas devem beneficiar o Brasil, maior produtor global de café e segundo maior produtor de carne bovina, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). A alteração também é uma boa notícia para o Espírito Santo, uma vez que os EUA são os maiores compradores das exportações de café capixaba. >
A ordem executiva publicada por Trump não cita a norma que impôs a sobretaxa de 40% sobre o Brasil e se aplica apenas aos 10% impostos em abril a todos os países.>
Centenas de alimentos foram listados em documento divulgado pela Casa Branca. As medidas se aplicam retroativamente a partir das 2h01 (horário de Brasília) desta quinta-feira (13).>
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O decreto modifica o escopo das tarifas chamadas recíprocas com base em segurança nacional, pilares da estratégia de Trump para enfrentar o que ele classifica como "grandes e persistentes déficits comerciais" dos EUA. >
A decisão vem após recomendações de autoridades encarregadas de monitorar o estado de emergência nacional declarado por Trump em abril. O governo citou negociações com parceiros comerciais, a demanda doméstica e a capacidade produtiva americana como fatores que motivaram a revisão.>
"Determinei que é necessário e apropriado modificar ainda mais o escopo dos produtos sujeitos à tarifa recíproca imposta pela ordem executiva 14257 [medida que aplicou a tarifa global de 10%]", afirma Trump no decreto.>
Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,96 bilhão em café para os Estados Unidos, sendo o maior fornecedor no período, segundo dados da International Trade Administration, órgão vinculado ao Departamento de Comércio americano.>
Desde que as tarifas totais de 50% entraram em vigor em agosto, no entanto, as vendas de café despencaram, segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Em outubro, a retração foi de 54,4% em relação ao ano passado.>
Nos EUA, o produto acumula alta de cerca de 20% em relação ao ano passado, segundo dados do CPI (índice oficial da inflação ao consumidor no país).>
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse mais cedo nesta sexta que Trump estava pronto para cumprir as promessas isentar alimentos e outros produtos que não produzidos nos EUA.>
Greer disse que o momento é propício para isso, logo após anúncios de acordos comerciais com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala nesta quinta (13).>
Segundo o governo, os acordos devem ser concluídos nas próximas duas semanas e abrem os mercados para a produção agrícola e industrial dos EUA. Os quatro países se comprometeram a não impor impostos sobre serviços digitais de big techs.>
A Casa Branca indicou que as tarifas gerais de 10% impostas a produtos da Argentina, El Salvador e Guatemala, e de 15% aos originários do Equador, permanecerão sem mudanças, mas que haverá uma redução em um certo número de mercadorias.>
Segundo a Casa Branca, o governo americano tem mantido boas conversas com outros países da região. O Brasil, alvo de sobretaxas de 50%, não foi citado nos acordos.>
O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) se encontrou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, também nesta quinta e disse esperar uma resposta dos EUA sobre a proposta feita pelo Brasil de pausar as tarifas para depois avançar na negociação para produtos específicos.>
O ministro não detalhou o teor da proposta, mas o governo brasileiro quer um acordo provisório que passe pela suspensão das sobretaxas de 40% aplicadas ao país para então negociar detalhes das tarifas por setor (no total, produtos brasileiros são taxados em 50%, em razão de tarifa global de 10% aplicada pelo governo americano).>
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump tiveram em outubro uma reunião presencial em Kuala Lumpur (Malásia), durante uma reunião da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático). O encontro ocorreu semanas após os dois líderes terem conversado por telefone e na esteira da "química" durante a abertura da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).>
Na Malásia, Trump disse que as tarifas impostas ao Brasil poderiam ser negociadas muito rapidamente. O objetivo do governo brasileiro é que haja uma suspensão das sobretaxas durante o período de negociação.>
Desde que Rubio foi escalado como o principal negociador para o tarifaço contra o Brasil, Vieira realizou quatro reuniões com o secretário de Estado. A primeira delas ocorreu dias depois do telefonema entre Trump e Lula.>
Na ocasião, Vieira afirmou que aquele era um "início auspicioso de processo negociador" com os Estados Unidos.>
Ao longo das últimas semanas, negociadores brasileiros mantiveram conversas informais com responsáveis por questões comerciais dos EUA, em que os americanos apontaram as suas prioridades nas negociações: conseguir acesso ao mercado de etanol no Brasil e discutir a regulamentação de big techs, incluindo moderação de conteúdo.>
Os americanos afirmaram que a regulação das plataformas digitais está ligada a questões de liberdade de expressão. Já o etanol é uma queixa antiga dos americanos. A reclamação é que o etanol americano, feito de milho, enfrenta uma sobretaxa de 18% para entrar no Brasil, enquanto a barreira nos EUA era de apenas 2,5%.>
Já o lado brasileiro aponta que Washington nunca aceitou vincular discussões sobre o etanol a uma liberalização do mercado de açúcar nos EUA, altamente protegido.>
Na terça (11), Trump disse que vai reduzir "algumas tarifas" sobre o café, um dos principais produtos exportados pelo Brasil e que está sobretaxado. A declaração foi dada em entrevista ao programa The Ingraham Angle da Fox News.>
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