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Tecnologia muda profissões e exige aprendizado constante, apontam especialistas

Especialistas debateram sobre o uso das tecnologias nas profissões e a transformação que a era digital vem trazendo para as carreiras, em evento nesta quarta-feira (2)

Publicado em 02 de Setembro de 2026 às 21:02

Diná Sanchotene

Publicado em 

02 set 2026 às 21:02

O avanço tecnológico acelera a reconfiguração do mercado de trabalho e exige novas competências de profissionais dos mais diversos ramos. Por isso, o aprendizado constante e os cuidados com a saúde são essenciais para quem quer desenvolver uma carreira de sucesso.


Entre as preocupações mais comuns de quem está no mercado de trabalho – ou está prestes a iniciar a carreira –, está a substituição de trabalhadores por Inteligência Artificial (IA). Especialistas alertam que o fenômeno central deste movimento tecnológico é a evolução das funções.


O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional, Jales Cardoso, ressalta que os processos estão em constante aceleração e que a pandemia antecipou em cerca de uma década transformações que eram esperadas a longo prazo.

Educares no Centro de Convenções
Educares reuniu estudantes e especialistas em educação e carreira no Centro de Convenções Ricardo Medeiros

Tecnologias que há quatro anos pareciam projeções distantes, como veículos elétricos e híbridos com comandos de voz e integração total ao dia a dia, já são parte da rotina das cidades.

Jales Cardoso secretário de Estado de Ciência e Tecnologia

O uso das tecnologias nas profissões, a transformação que a era digital vem trazendo para as carreiras e o autoconhecimento: esses foram alguns dos temas debatidos durante o painel “Atenção em Jogo: como aprender, ensinar e construir o futuro na era da distração”, dentro da programação da Arena Profissões do Educares ES.


O evento aconteceu na tarde desta quarta-feira (2), no Centro de Convenções de Vitória (CCV), e contou com a apresentação do ator e apresentador Marcos Veras e a participação de estudantes de várias regiões do Estado.


Jales Cardoso usou como exemplo de mudança o caso da médica Carolina Fernandes, que decidiu apostar no ramo das startups criando a Lauduz, empresa que desenvolve hardware e software de telemedicina avançada para permitir a realização de exames físicos completos a distância no SUS e na saúde suplementar.


“As carreiras tradicionais estão se transformando, como é o caso da médica Carolina Fernandes, que hoje é empreendedora. Isso ilustra como a busca constante por conhecimento deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito linear em qualquer carreira”, salienta.

O secretário comenta ainda que, frente a essa nova realidade, a atualização contínua surge como o principal caminho para amenizar os impactos da automação e da digitalização no emprego.


Segundo ele, o movimento exige requalificação individual por meio de novos cursos e acompanhamento de tendências, além de cobrar uma postura ativa da gestão pública. Ele complementa que cabe aos gestores ouvir a população e acompanhar o ritmo das mudanças para oferecer o suporte e as diretrizes necessárias a essa transição.


A médica Carolina Fernandes lembra que o Espírito Santo vem se posicionando como um ambiente propício para atrair investimentos nacionais nas áreas de tecnologia e educação. Ela salienta que a capacidade de retenção de novos talentos e a criação de incentivos estatais têm transformado o Estado em um centro de excelência para empresas de base tecnológica.

“Esse movimento faz com que empreendedores escolham o território capixaba para expandir seus negócios. Prova disso foi que eu sou gaúcha e fui atraída para o Espírito Santo. Ressalto a importância de os jovens olharem toda a potência que a gente tem para crescer e ser a melhor”, conta.


A Lauduz recebeu recentemente um aporte financeiro do Fundo Soberano do Estado. 

Nathan Carvalho, Carolina Fernandes, Richardson Schmittel, Marcos Veras, Neydy Christo, Eurípedes Pedrinha e Jales Cardoso
Nathan Carvalho, Carolina Fernandes, Richardson Schmittel, Marcos Veras, Neydy Christo, Eurípedes Pedrinha e Jales Cardoso no Educares Diná Sanchotene

Dados do Fórum Econômico Mundial apontam que até 2030 serão criados cerca de 170 milhões de novos postos de trabalho. Embora o mesmo relatório estime a extinção de aproximadamente 90 milhões de vagas tradicionais, o saldo final permanece positivo, sinalizando um mercado em profunda transformação, como pontua a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Espírito Santo (ABRH-ES), Neidy Christo.


Ela ressalta que a tecnologia não surge para substituir a mão de obra humana, mas para assumir tarefas repetitivas ou insalubres. Tanto a indústria quanto o setor público já utilizam robôs empregados em rotinas de risco — como a manutenção de galerias de esgoto —, eliminando funções historicamente insalubres.


Neidy comenta que especialistas nacionais e internacionais destacam a complementaridade entre o potencial tecnológico e as competências humanas.

Enquanto máquinas superam pessoas em capacidade de processamento e execução operacional, atributos como criatividade, empatia, liderança e gestão estratégica seguem exclusivamente humanos. O profissional do futuro não disputará espaço com a máquina, mas com outro ser humano que saiba utilizar as ferramentas tecnológicas com maestria.

Neidy Christo presidente da ABRH-ES

Nesse cenário, a presidente da entidade afirma que a capacidade de aprender, desaprender e se requalificar continuamente consolida-se como a principal habilidade para garantir a relevância profissional na era digital.


Historicamente, novas tecnologias surgem constantemente e costumam vir acompanhadas da promessa — ou do receio — de que diversas ocupações se tornarão obsoletas. Para o diretor regional do Senac-ES, Richardson Schmittel, as inovações chegam para automatizar processos e gerar mais eficiência, reconfigurando as rotinas produtivas em vez de simplesmente eliminar postos de trabalho.


Ele cita que, na Revolução Industrial, as máquinas alteraram profundamente as dinâmicas fabris. Outro exemplo foi o lançamento das calculadoras, que gerou temores de estagnação entre matemáticos e estatísticos.

“Em todos os casos, a tecnologia assumiu papéis repetitivos e operacionais, abrindo espaço para novas demandas de mercado. Os profissionais passam a precisar de outras habilidades, como buscar absorver o máximo de conhecimento técnico específico para se consolidar em sua área de atuação, além de reaprender funções e incorporar novas ferramentas, como a inteligência artificial”, comenta Schmittel.


Por isso, ele orienta que profissionais e jovens em início de carreira devem adotar uma postura flexível, enxergando a inteligência artificial não como uma ameaça à subsistência, mas como um catalisador para o aperfeiçoamento e a reinvenção das rotinas de trabalho.


“A capacidade de adaptação e a contínua requalificação profissional tornaram-se os pilares fundamentais para a manutenção dos postos de trabalho no cenário econômico atual”, afirma.


Não há como olhar para a carreira e o empreendedorismo sem colocar a educação em primeiro lugar. A afirmação é do diretor do Sebrae Espírito Santo, Eurípedes Pedrinha.


“Todos os profissionais que aqui estão não pararam de aprender nenhum segundo. Os profissionais de recursos humanos precisam ter conhecimento em tecnologia. A médica teve que aprender empreendedorismo, entre outros exemplos. O aprendizado deixou de ser uma etapa concluída na juventude para se tornar um processo contínuo ao longo de toda a vida profissional”, completa.


Para ele, a união entre ensino, inovação e empregabilidade requer a conscientização de que nenhuma carreira permanece estática. “A busca permanente por conhecimento e a atualização constante de habilidades emergem, assim, como a principal estratégia para garantir a competitividade dos trabalhadores e o crescimento sustentável das empresas.”

Saúde e bem-estar não podem ser esquecidos

Hábitos saudáveis devem começar antes mesmo da consolidação do sucesso profissional e financeiro. O nutricionista e criador de conteúdo digital Nathan Carvalho chama a atenção para o fato de que a sustentabilidade de uma carreira longa e produtiva não depende apenas da capacidade intelectual, mas de um equilíbrio estruturado sobre três pilares fundamentais: o bem-estar físico, o equilíbrio mental e a clareza de propósito individual.


Ele salienta que a construção de uma trajetória profissional relevante depende da capacidade de manter o corpo e a mente fortalecidos. Antes de buscar a consolidação financeira ou o reconhecimento de mercado, o profissional necessita estruturar sua base pessoal para garantir resiliência e propósito ao longo de toda a carreira.

Escolhas relacionadas à qualidade do sono, alimentação e moderação no consumo de substâncias moldam a energia e a resistência física. Compromissos assumidos consigo mesmo consolidam a autoestima e previnem a estagnação gerada pela ansiedade.

Nathan Carvalho nutricionista

Além dos fatores individuais, o ambiente e os círculos de convivência exercem impacto direto na trajetória dos jovens. Entre os principais pontos de atenção está o uso excessivo de redes sociais, que tende a gerar comparações e distrações com o passado ou o futuro, desviando a atenção das obrigações imediatas.


“A busca por pertencimento não deve sobrepor-se à vocação pessoal e à autenticidade nas escolhas profissionais e interpessoais.”

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