Um jovem de 20 anos está desaparecido desde que foi detido por policiais militares em Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo. Segundo a Polícia Militar, Ezequiel Cardoso da Silva era conduzido à Delegacia Regional de São Mateus na noite de 6 de fevereiro. Porém, quando os militares chegaram à unidade, perceberam que o jovem não estava mais na viatura.
De acordo com a PM, um dos vidros traseiros do compartimento de segurança estava ausente e a porta interna do veículo estava danificada. Os militares fizeram buscas pelo trajeto percorrido, mas encontraram apenas estilhaços de vidro.
Ezequiel havia sido detido após a polícia receber a informação de que um indivíduo com mandado de prisão em aberto estaria circulando em um veículo pelo bairro Santana em direção ao Centro. A guarnição montou um cerco no bairro Portal da Barra e abordou o veículo, que transportava um motorista de 44 anos, um adolescente de 17 e Ezequiel.
Após confirmar a identidade do jovem e a existência do mandado de prisão, os militares o algemaram e o colocaram no compartimento de segurança da viatura para levá-lo à delegacia.
Desde essa noite, as autoridades policiais e a família do jovem afirmam que não tem informações de seu paradeiro. A Polícia Civil informa que o caso é tratado como desaparecimento e é investigado pela Delegacia de Polícia de Conceição da Barra.
Após o desaparecimento de Ezequiel, a Polícia Militar instaurou um inquérito para apurar eventual responsabilidade dos agentes que fizeram a detenção. O procedimento foi analisado pela Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que não foram encontrados indícios suficientes para a propositura de uma ação penal. No inquérito, foram considerados elementos como avarias preexistentes na viatura e registros de geolocalização que, segundo o órgão, indicaram que o veículo não parou nem desviou do trajeto até a delegacia.
Como não foram identificados elementos capazes de demonstrar que os policiais tenham promovido, facilitado ou concorrido culposamente a evasão, o MPES determinou o arquivamento do inquérito.
Thamires Cardoso, irmã de Ezequiel, conta que falou com ele pela última vez na noite de 6 de fevereiro, pouco antes da detenção. Por volta das 23h, recebeu uma ligação informando que o irmão tinha sido preso. Desde então, a irmã diz que ninguém da família teve contato ou recebeu notícias do jovem.
Segundo Thamires, a família está angustiada por não saber o paradeiro de Ezequiel. “Ele não ficaria esse tempo todo sem falar comigo. Ele sabia que, se algo acontecesse e ele me ligasse, eu ia correndo", afirma.
O advogado da família, Thácio Cangussú, diz que os parentes buscam respostas sobre o desaparecimento. “A defesa vai buscar, inclusive pelas vias judiciais, se necessário, que sejam adotadas todas as diligências cabíveis para localizar Ezequiel e dar uma resposta à família, que hoje se encontra completamente desamparada e sem saber o que aconteceu com ele”, afirma.