Publicado em 19 de agosto de 2025 às 09:04
Afetado pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o setor de café brasileiro pediu formalmente ao governo dos Estados Unidos que o café seja incluído na lista de exceções à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com o alerta de que o cenário atual pode comprometer marcas tradicionais americanas.>
Em carta enviada ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que abriu uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) traça um panorama do setor, lembra que o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café e que, na relação comercial entre os dois países, ambos são indispensáveis um ao outro.>
"O café brasileiro responde por mais de 30% do mercado americano, tornando o Brasil o seu principal fornecedor. Por sua vez, os EUA são o principal destino do café brasileiro, representando 16% das exportações totais", afirma o documento.>
A resposta brasileira não menciona nomes de marcas. Entre as mais conhecidas pelos consumidores dos EUA estão empresas como Folgers, da J.M. Smucker Company, e Maxwell House, da Kraft Heinz, ambas conhecidas no segmento de café moído vendido em supermercados.>
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Essa lista também inclui companhias como a Eight O'Clock Coffee, uma das mais antigas do país, e redes que movimentam milhões de consumidores diariamente, como a Dunkin' e a gigante global Starbucks, cuja rede de cafeterias depende de blends para manter o padrão de sabor em escala mundial.>
O risco do tarifaço, segundo o conselho, é que marcas tradicionais americanas sejam diretamente prejudicadas: "Marcas de longa data – ícones da economia americana – poderiam ser negativamente afetadas ou até desaparecer se fossem forçadas a alterar seus blends", alerta o Cecafé no documento.>
Em 2024, o país exportou 50,5 milhões de sacas para mais de 120 países, com receita de US$ 12,5 bilhões (R$ 67,5 bilhões). O Cecafé destaca, ainda, a proteção ambiental associada ao setor. "Nas áreas de cultivo de café, 51.500 km² de reservas legais, florestas nativas e áreas de preservação permanente estão protegidas – uma área 1,25 vez maior que a Suíça", afirma no documento.>
A carta ressalta o papel dos pequenos produtores, ao mencionar que o Brasil possui 264,9 mil cafeicultores, dos quais 72% operam propriedades com menos de 20 hectares.>
O documento também menciona a relevância econômica do café para os EUA, citando estudo da NCA (National Coffee Association) que mostra que 76% dos americanos consomem café.>
Os gastos anuais com café e produtos relacionados nos EUA chegam a US$ 110 bilhões (ou US$ 301 milhões por dia), e o café responde por mais de 8% do valor total da indústria de alimentos dos EUA.>
A indústria de café nos EUA também sustenta mais de 2,2 milhões de empregos e gera mais de US$ 101 bilhões em salários, beneficiando todos os estados e comunidades locais americanos, afirma o Cecafé.>
Para cada US$ 1 gasto em café importado, US$ 43 adicionais são injetados na economia americana. No total, o setor movimenta US$ 343 bilhões anualmente, o equivalente a 1,2% do PIB do país.>
"À luz da importância do café tanto para os consumidores americanos quanto para a economia dos Estados Unidos, acreditamos que a decisão de impor uma tarifa sobre o café brasileiro deve ser reconsiderada. Tal medida resultaria em aumentos significativos de preços e inflação, já que os custos adicionais inevitavelmente seriam repassados aos consumidores", afirma o Cecafé.>
Na semana passada, o governo Lula (PT) anunciou o plano de contingência para amparar empresas afetadas pela sobretaxa de 50% imposta a produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.>
Batizado de Plano Brasil Soberano, o pacote inclui uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para ajudar as companhias que foram prejudicadas pelo tarifaço, além do adiamento de impostos federais, maior ressarcimento de créditos tributários e uma reformulação nas garantias à exportação para facilitar a busca de novos mercados.>
As ações estão em uma MP (medida provisória), com vigência imediata e que precisará ser apreciada pelo Congresso em até 120 dias.>
A exportação de café verde do Brasil recuou 28,1% em julho na comparação o mesmo mês do ano passado, para 2,45 milhões de sacas de 60 kg, à medida que o setor lidava com estoques reduzidos, antes de tarifas de importação de 50% dos Estados Unidos começarem a valer em agosto, apontou o Cecafé.>
O Brasil embarcou 1,98 milhão de sacas de grãos arábica no mês passado, uma queda de 20,6% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações de cafés canéforas (robusta/conilon) caíram quase 49%, para cerca de 461 mil sacas, mostraram os dados do Cecafé, que acrescentou que empresas dos EUA estão pedindo o adiamento de embarques do Brasil enquanto esperam uma solução para as tarifas.>
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