ASSINE

Queda da Selic deixa investimento em renda fixa menos atrativo

Aplicador terá que mudar sua maneira de investir gradualmente para manter ganhos

Publicado em 01/08/2019 às 23h02

A nova queda da taxa básica de juros de 6,5% para 6% ao ano, anunciada pelo Banco Central na quarta-feira e que levou a Selic para seu menor patamar, traz muitos impactos para a economia. Para além da redução no custo do crédito, a mudança tem um impacto direto também para quem possui investimentos e aplicações no mercado financeiro.

A nova Selic traz alterações na rentabilidade de alguns ativos, sobretudo os de renda fixa, já que muitos deles têm os ganhos atrelados à taxa de juros. Com isso, a rentabilidade será encolhida na maioria dos casos, igualando produtos disponíveis no mercado e recolocando a caderneta de poupança como uma opção atraente para o aplicador que não quer correr risco.

Selo do Curso de Residência em Jornalismo Rede Gazeta. Crédito: Divulgação
Selo do Curso de Residência em Jornalismo Rede Gazeta. Crédito: Divulgação

“Esse tipo de investimento é o mais comum entre os brasileiros. São aqueles de risco baixo como poupança, CDBs, fundos e títulos do Tesouro, por exemplo, eles sofrerão mais com a redução da Selic”, destaca Pedro Lang, economista e chefe da mesa de renda variável da Valor Investimentos.

De acordo com o especialista, o investidor que quiser manter a lucratividade vai precisar adaptar sua maneira de investir de maneira gradual. “Aquele que tem perfil mais moderado e quiser o mesmo nível de rentabilidade da carteira de aplicações vai ter que cada vez mais buscar alguns investimentos de risco maior, mas sem esquecer de fazer isso de modo seguro e respeitando o perfil de cada um”, afirma.

Para quem tem perfil mais conservador e não está disposto a correr os riscos do mercado de renda variável, como ações, a dica é dar preferência aos títulos de renda fixa prefixados ou corrigidos pela inflação para compensar a tendência de novas quedas dos juros no futuro.

RENDA VARIÁVEL

Se por um lado algumas aplicações perdem força, por outro a nova taxa de juros vai reforçar a atratividade de investimentos de renda variável, considerados de maior risco. Entre eles, o com maior potencial é a Bolsa de Valores.

“O mercado de ações já está sendo muito próspero esse ano, essa redução dos juros vem para complementar e se torna um fator ainda mais positivo para quem investe nesse tipo de modalidade”, completa.

Segundo especialistas, o caminho para o pequeno investidor é diversificar as aplicações, com a compra direta de ações na Bolsa ou por meio de fundos de ações e multimercados. Isso mantendo alguma parte em renda fixa, por segurança.

“Em um cenário de queda de juros, o mais importante é ter uma carteira de investimentos diversificada e aproveitar o que cada um pode oferecer de melhor. Como diz o ditado popular, não se pode colocar todos os ovos na mesma cesta”, afirmou Renan Lima, sócio da Alphamar Investimentos.

Ainda na avaliação de Renan Lima, dentro dessas possibilidades uma das melhores alternativas são os fundos multimercados, que agregam vários tipos de investimento ao mesmo tempo e ainda têm a opção de mudar as aplicações de acordo com o cenário econômico.

COMO FICAM OS INVESTIMENTOS

RENDA FIXA

Poupança

A poupança, que rendia 0,3715% ao mês ou 4,55% ao ano, passará a trazer retorno de 4,2% ao ano, segundo cálculos de economistas, superando assim boa parte dos fundos de renda fixa comercializados pelo mercado e recolocando a caderneta como opção para quem não quer correr nenhum risco.

Títulos públicos

O investidor mais conservador ainda pode encontrar oportunidades em títulos públicos mais rentáveis que os atrelados à Selic, como os prefixados (Tesouro prefixado) ou indexados à inflação (Tesouro IPCA, antiga NTN-B). Já os pós-fixados, como o Tesouro Selic e os fundos DI, apesar de renderem menos, servem como uma reserva de emergência, uma vez que em geral possuem liquidez diária.

Debêntures

Uma boa aposta com a redução dos juros pode ser em ativos que têm rendimentos isentos de Imposto de Renda, como fundos de debêntures (títulos emitidos por empresas), na renda fixa. Grupos de infraestrutura são os mais indicados.

RENDA VARIÁVEL

Fundos imobiliários

Também isentos de IR, são considerados, para quem nunca investiu em renda variável, um primeiro passo para investir em ações, gerando rendimentos mensais a títulos de “aluguel”.

Fundos de ações ou multimercados

O investidor que não conhece bem o funcionamento da Bolsa deve começar suas aplicações por meio de um fundo de ações, que possui um gestor que monta a carteira. Há ainda os fundos multimercados, com maior flexibilidade por poder investir em vários produtos ao mesmo tempo.

Ações em bolsa

A Bolsa ganha ainda mais atratividade com a queda da rentabilidade de outras ações. Em função das boas perspectivas para a economia, como a aprovação da reforma da Previdência, o Ibovespa tende a subir mais, o que aumenta o valor de quase todas as empresas. A partir de R$ 1 mil já é possível iniciar uma carteira. Ações de bancos, empresas varejistas e de infraestrutura são as principais recomendações.

brasil economia

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.