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Mercado de trabalho

Desemprego fica abaixo de 9% e atinge 9,7 milhões

Desocupação tem menores níveis desde 2015; número de informais bate recorde, diz IBGE

Publicado em 30 de Setembro de 2022 às 14:45

Agência FolhaPress

Publicado em 

30 set 2022 às 14:45

Leonardo Vieceli

RIO DE JANEIRO - A taxa de desemprego no Brasil recuou para 8,9% no trimestre até agosto, informou nesta sexta-feira (30) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É o menor índice da série histórica comparável desde o período encerrado em agosto de 2015.
À época, a taxa também estava em 8,9%, e a economia nacional atravessava recessão. É a primeira vez desde então que o índice fica abaixo de 9%.
O novo resultado veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 8,9% até agosto.
indicador marcava 9,8% no trimestre até maio, o mais recente da série histórica comparável da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). No trimestre móvel até julho, que integra outra série da Pnad, o indicador já estava em 9,1%.
Fila de pessoas para tentar vaga em supermercado
Fila de pessoas para tentar vaga em supermercado Crédito: Ricardo Medeiros - 13/04/2022
número de desempregados, por sua vez, recuou para 9,7 milhões de pessoas até agosto. Com isso, caiu para o menor nível desde novembro de 2015 (9,3 milhões), indicou o IBGE. O contingente somava 10,6 milhões até maio.
Segundo as estatísticas oficiais, a população desempregada é formada por pessoas de 14 anos ou mais que estão sem trabalho e seguem à procura de novas vagas. Quem não tem emprego e não está buscando oportunidades não entra nesse cálculo.
A Pnad retrata tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, abrange desde os empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos.

NÚMERO DE OCUPADOS ALCANÇA 99 MILHÕES

O contingente de pessoas ocupadas com algum tipo de trabalho foi de 99 milhões até agosto. Assim, bateu novamente o recorde da série histórica, iniciada em 2012. A população ocupada teve acréscimo de 1,5 milhão de pessoas frente ao trimestre até maio, quando estava em 97,5 milhões.
Após os estragos causados pela pandemia, a abertura de vagas foi beneficiada pela vacinação contra a Covid-19. O processo de imunização permitiu a reabertura de negócios e a volta da circulação de pessoas.
Às vésperas das eleições, o governo Jair Bolsonaro (PL) buscou aquecer a economia com liberação de recursos, cortes de impostos e ampliação em agosto do Auxílio Brasil. Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Os dados de agosto permanecem mostrando melhora no sentido de crescimento do número de trabalhadores", disse Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad.
O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado chegou a 36 milhões, uma alta de 398 mil pessoas frente ao trimestre anterior. O recorde foi registrado em maio de 2014 (37,6 milhões).
O IBGE também indicou que, das 99 milhões de pessoas ocupadas no total, 39,3 milhões estavam na informalidade (sem carteira ou CNPJ). O número de informais é o maior da série histórica.
Assim, a taxa de informalidade foi de 39,7%. O indicador mede o percentual de ocupados que atuavam sem algum tipo de registro (39,3 milhões) em relação ao total (99 milhões). O recorde da série foi de 41%, verificado no trimestre até agosto de 2019, antes da pandemia.
"O mercado de trabalho vem se recuperando, baseado principalmente no trabalho informal ao longo de 2021. A partir do final de 2021, a gente começa a ter também uma expansão da parte formal. O fato de termos crescimento do emprego com carteira não significa que a informalidade tenha parado de crescer", apontou Beringuy.
"A leitura que a gente pode fazer é que, embora haja alta na carteira assinada, a população informal permanece com participação extremamente relevante na expansão ou manutenção da ocupação", acrescentou.

RENDA SOBE, MAS SEGUE BAIXA EM TERMOS HISTÓRICOS

Pela segunda vez consecutiva, o rendimento habitual do trabalho teve crescimento real (descontada a inflação), apontou o IBGE. A renda média dos ocupados foi de R$ 2.713 no trimestre até agosto, uma alta de 3,1% frente a maio (R$ 2.632).
O resultado pode ser associado com a recente trégua da inflação, conforme Beringuy. "O recuo do índice de preços se manifesta em crescimento do rendimento em termos reais."
A renda, porém, teve variação negativa de 0,6% na comparação com o mesmo período de 2021 (R$ 2.730). O IBGE considera o resultado como estatisticamente estável.
Ou seja, a recuperação do indicador ainda é incompleta. Sinal disso é que, para trimestres encerrados em agosto, o rendimento deste ano (R$ 2.713) é o segundo menor da série. Fica acima apenas do verificado em 2012 (R$ 2.690).
Economistas veem chance de a taxa de desocupação ficar mais próxima de 8% até dezembro no Brasil. A reta final do ano costuma ser marcada por contratações temporárias em razão da demanda sazonal em setores como o comércio.
Em 2023, porém, essa retomada pode perder ímpeto, sob efeito dos juros elevados, que desafiam os investimentos produtivos de empresas e o consumo das famílias.

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