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Com Powell, Ibovespa sobe 1,65%, a 120,6 mil pontos, e avança 2,22% na semana

Foi o segundo melhor nível de fechamento da semana, em que recuperou e conseguiu manter o nível de 120 mil pontos em três encerramentos, algo que ainda não tinha sido visto nesta segunda quinzena

Publicado em 27/08/2021 às 18h16
B3, Bolsa de Valores de São Paulo, tem recebido cada vez mais investidores pessoa-física
B3, Bolsa de Valores de São Paulo, tem recebido cada vez mais investidores pessoa-física. Crédito: GUSTAVO SCATENA

O homem da semana, Jerome Powell, trouxe a mensagem que soou como música para reavivar o apetite por risco nesta sexta-feira: há caminho pela frente para o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) atingir a meta referente ao emprego, o aumento da inflação dos Estados Unidos ainda é transitório e a variante Delta do coronavírus continua a inspirar cautela quanto ao ritmo de recuperação econômica global.  Assim, com os rendimentos dos Treasuries cedendo e o S&P 500 mais o Nasdaq em novos recordes, o Ibovespa surfou o bom humor suscitado pelo discurso do presidente do Federal Reserve no simpósio anual de Jackson Hole, para elevar os ganhos da semana a 2,22%, vindo de perda de 2,59% e de 1,32% nas duas anteriores

Nesta sexta, o índice de referência da B3 fechou na máxima do dia, em alta de 1,65%, a 120.677,60 pontos, com mínima a 118 720,95 e abertura a 118.725,14.

Foi o segundo melhor nível de fechamento da semana, em que recuperou e conseguiu manter o nível de 120 mil pontos em três encerramentos, algo que ainda não tinha sido visto nesta segunda quinzena. No mês, faltando duas sessões para o fim de agosto, ainda acumula perda de 0,92% - no ano, volta a terreno positivo (+1,40%) com o ganho desta sexta-feira, em que o giro financeiro, bem leve, ficou em R$ 23,8 bilhões.

Com noticiário doméstico relativamente acomodado nesta sexta-feira, o Ibovespa conseguiu se alinhar ao apetite de fora, deixando um pouco de lado a crise hidrológica, o avanço da inflação interna e as habituais preocupações políticas e fiscais As moderadas palavras de Powell, nesta sexta, vieram na contramão de apelos "hawkish" emitidos recentemente por outras autoridades do Fed, como a anfitriã do encontro de Jackson Hole e presidente da distrital de Kansas City, Esther George, e o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, que já não veem razão para manter os estímulos, passado o pior da pandemia.

Mesmo elogiando o "grande discurso" de Powell, o presidente do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, defendeu nesta sexta que o processo de redução gradual das compras de bônus seja feito "antes cedo do que tarde". Por sua vez, Bullard reiterou que o mercado espera pelo anúncio do 'tapering', e por isso o BC americano pode realizá-lo de maneira relativamente rápida, completando-o até o fim do primeiro trimestre de 2022.

Outra a se manifestar após o discurso de Powell foi a presidente do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester, que voltou a afirmar que a economia dos Estados Unidos melhorou a ponto de não mais demandar os estímulos produzidos pelo programa de compras de ativos. Ela acrescentou que espera desaceleração da inflação ao longo de 2022, embora enxergue riscos: em particular, a possibilidade de os gargalos na cadeia produtiva se estenderem a 2023, impulsionando mais os preços.

Para a consultoria Capital Economics, a queda dos rendimentos dos Treasuries observada na sexta, na esteira do discurso de Powell, não deve se sustentar. Em relatório a clientes, a consultoria observa que o presidente do Fed indicou que a instituição está preparada para retirar estímulos ainda este ano, o que também não deve ser interpretado como surpresa.

"A barra colocada, ainda que dentro do arcabouço de política monetária, ficou acima do esperado", observa em nota o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez. "Ainda que esperássemos gradualismo na fala do presidente (do Fed), e que haveria apenas uma sinalização sobre a redução do ritmo de expansão do 'Balance sheet', a autoridade reiterou inúmeras vezes a necessidade de se estimular o emprego até seu máximo, o que ainda permanece longe a despeito da inflação elevadíssima."

Mesmo que a recuperação baseada nas palavras de Powell venha a mostrar fôlego curto frente aos fatos, os ganhos se distribuíram nesta sexta-feira pelos setores de maior peso e liquidez, como commodities (Vale ON +2,50%, Petrobras PN +3,64%), bancos (Itaú PN +1,72%, Bradesco ON +1,27%) e siderurgia (Usiminas PNA +6,81%, CSN ON +2,43%). Na ponta do Ibovespa, destaque para PetroRio (+7,42%), à frente de Banco Inter (+7,06%) e Cyrela (+6,87%). No lado oposto, Americanas ON (-2,71%), Yduqs (-1,97%) e CVC (-1,31%).

"Jackson Hole teve desfecho favorável, com tom mais 'dovish' de Powell em relação à retirada de incentivos da economia. A leitura do mercado foi bem positiva, mundo afora, e o Ibovespa acabou surfando toda essa melhora de humor internacional. E ao longo da semana, aqui, vários agentes da política reforçaram discurso contra rompimento do teto (de gastos), de que é algo que não se discute e que não haverá. Ainda que persistam ruídos, rusgas entre os Poderes, acompanhamos hoje a melhora vista lá fora", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos

"Powell disse também que não tem nenhum indicativo de que haverá alta de juros no curto prazo - uma dissociação entre o programa de compra de ativos e uma possível alta de juros, dizendo, pelo contrário, que poderia ser muito danoso à economia caso houvesse um aumento de taxa de juros antes do momento ideal", observa Patricia Krause, economista-chefe para América Latina da seguradora francesa Coface.

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