Publicado em 25 de agosto de 2022 às 17:52
RIO DE JANEIRO - Carne bovina e leite são os principais produtos que beneficiários do Auxílio Brasil deixaram de comprar nos últimos meses e pretendem voltar a consumir a partir do aumento do benefício para R$ 600.>
A conclusão é de uma pesquisa divulgada pela Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj).>
O levantamento foi produzido nos últimos dois finais de semana em quatro supermercados da zona norte e da zona oeste do Rio. Segundo a entidade, 425 consumidores aceitaram responder às perguntas.>
Em torno de 42% afirmaram receber recursos de algum programa de complemento de renda do governo federal. Com folga, o Auxílio Brasil foi o mais citado pelo grupo (92%). Benefícios pagos para compra de gás (31%) e auxílios para caminhoneiros (1%) e taxistas (3%) também foram mencionados.>
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De acordo com a pesquisa, a carne bovina (80%) foi o item mais lembrado entre aqueles que deixaram de comprar produtos nos últimos meses e pretendem retomar o consumo a partir das transferências. Leite e derivados (57%) aparecem na sequência.>
Carne de frango (45%), produtos de limpeza (44%), pães, bolos e biscoitos (43%) e produtos de higiene pessoal (41%) também estão entre as mercadorias assinaladas. As respostas são cumulativas.>
"A leitura mostra que temos uma demanda reprimida", diz Ana Paula Rosa, diretora geral da Asserj. Ela projeta um aquecimento das vendas a partir dos benefícios no segundo semestre.>
O governo Jair Bolsonaro (PL) aposta em medidas como a ampliação do Auxílio Brasil para atenuar os impactos da perda do poder de compra dos brasileiros às vésperas das eleições.>
A carestia de alimentos afeta sobretudo os mais pobres, que têm menos condições para encarar os aumentos.>
As carnes, por exemplo, subiram ao longo da pandemia com a demanda aquecida no mercado internacional e o avanço dos custos de produção, segundo analistas.>
O leite, que passou a custar mais do que a gasolina recentemente, também foi impactado pela pressão de custos. O período de entressafra, que deve se estender até setembro ou outubro, é outro fator associado à inflação nas gôndolas.>
Para Rosa, da Asserj, uma redução "mais clara" nos preços dos alimentos ainda deve levar algum tempo, porque os supermercados representam o elo final da cadeia produtiva.>
Nesse sentido, ela diz que as lojas trabalham com estoques que absorveram aumentos anteriores. "Tudo agora é uma questão de negociação com a cadeia de fornecedores", afirma.>
Puxado pela queda nos preços dos combustíveis e da energia elétrica, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação (queda) de 0,73% em agosto.>
É a menor taxa desde o começo da série histórica, iniciada em novembro de 1991, indicou nesta quarta-feira (24) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).>
O grupo de alimentação e bebidas, contudo, voltou a subir. A alta dos preços foi de 1,12%. Impulsionada pelo leite, a variação foi a maior entre os nove grupos de bens e serviços pesquisados no IPCA-15.>
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