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Após atraso e quase desastre com protótipo, Embraer entrega cargueiro

A previsão, anunciada na edição de 2017 da feira militar LAAD, era de entrega de cinco aviões até 2019

Publicado em 02/04/2019 às 18h28
Após atraso e quase desastre com protótipo, Embraer entrega cargueiro para FAB. Crédito: Antonio Milena/Arquivo Abr
Após atraso e quase desastre com protótipo, Embraer entrega cargueiro para FAB. Crédito: Antonio Milena/Arquivo Abr

A Embraer anunciou que irá entregar o primeiro cargueiro militar KC-390 para a FAB (Força Aérea Brasileira) neste semestre, após atrasos devido à falta de pagamento por parte do governo e dois incidentes com protótipos terem adiado o cronograma inicial.

A previsão, anunciada na edição de 2017 da feira militar LAAD, era de entrega de cinco aviões até 2019. Mas soluços orçamentários nos anos da recessão (2015 e 2016) se somaram a um quase desastre em 2017 com um dos protótipos e a uma saída de pista com danos a outro, no ano passado.

"Estamos entregando dentro do previsto nas repactuações contratuais com a FAB", disse nesta terça (02) o diretor do programa KC-390, Wagner Pinto Júnior, na abertura da edição 2019 da LAAD. O governo investiu R$ 5 bilhões desde 2008 no projeto e anunciou a compra de 28 aeronaves por R$ 7,2 bilhões. A Embraer pagará 3,2% de royalties para cada contrato de exportação do avião, que será feito a partir daqui pela joint-venture comandada pela Embraer em parceria com a norte-americana Boeing só para a venda do modelo.

O avião está em fase avançada de certificação. Já tem a civil e deverá obter até o fim do ano a militar completa, o que não impede que a FAB opere o avião que receberá. Outros dois aviões de linha de produção já estão em fase de montagem. Para receber o aval final, faltam alguns testes, como o de reabastecimento aéreo com caças e helicópteros.

A nova empresa deverá ter uma linha final de montagem do modelo nos EUA, mas Pinto Júnior disse que isso ainda estava em discussão entre os brasileiros, que detêm 51% da joint-venture, e os americanos, que têm 49%.

O acerto faz parte de uma negociação maior, na qual a Boeing comprou a linha de aviação civil da Embraer no começo deste ano. Uma outra empresa será criada, com 80% de controle dos americanos e 20%, da Embraer. Para trás, fica a divisão de Defesa e Segurança e de aviação executiva da fabricante paulista.

No mercado, havia dúvidas sobre a solidez futura da Embraer remanescente, dado que o KC-390 é seu principal novo produto e as 28 unidades da FAB serão as únicas tratadas pela empresa -além de, talvez, também um contrato de exportação para Portugal.

"Somos uma grande companhia de segurança, teremos mais de 2.000 aeronaves voando. E dominamos ciclos completos, mantendo o papel de empresa estratégica de defesa brasileira para as Forças Armadas", disse o CEO da Embraer Defesa, Jackson Schneider.

Ele participou na LAAD da assinatura de um contrato, anunciado na semana passada, que ajuda a lhe dar argumentos na discussão. A Marinha brasileira vai comprar quatro corvetas, a serem entregues entre 2024 e 2028 por valor hoje na casa de R$ 6,4 bilhões. E o consórcio vencedor, liderado pelos alemães da TKMS, é integrado justamente pela Embraer Defesa. A empresa fornecerá sistemas eletrônicos e deverá participar da montagem dos navios, que ocorrerá no Brasil e terá conteúdo nacional (31,6% na primeira unidade e 41% nas demais).

O negócio foi viabilizado por uma capitalização até aqui de R$ 2 bilhões de uma estatal de projetos navais no ano passado, criatividade contábil que chegou a ser questionada pelo Tribunal de Contas da União. A previsão é a geração de até 2.000 empregos diretos.

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