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8 dicas indispensáveis para abrir o seu negócio em 2026

8 dicas indispensáveis para abrir o seu negócio em 2026

Planejamento e dados ajudam a empreender com mais segurança

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 11:31

Planejamento e tecnologia estão entre os pilares para quem quer empreender em 2026 (Imagem: wichayada suwanachun | Shutterstock)
Planejamento e tecnologia estão entre os pilares para quem quer empreender em 2026 Crédito: Imagem: wichayada suwanachun | Shutterstock

Com a chegada do novo ano, abrir o próprio negócio aparece como uma possibilidade concreta para quem deseja mudar de carreira ou criar uma nova fonte de renda. O cenário econômico recente reforça essa percepção: os dados indicam um ambiente favorável para empreender, desde que as decisões sejam bem planejadas e orientadas por informação.

Segundo o Mapa de Empresas, do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o Brasil encerrou o segundo quadrimestre de 2025 com 24,2 milhões de empresas ativas. Desse total, 93,8% são micro e pequenas empresas, sendo 12,6 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs), o que representa mais da metade das empresas em funcionamento no país.

Entre maio e agosto de 2025, foram abertas 1,67 milhão de novas empresas — um crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2024. O número sinaliza retomada e dinamismo do ambiente empresarial brasileiro.

Apesar do otimismo, os desafios seguem relevantes. Estimativas indicam que cerca de 40% das empresas abertas no Brasil não sobrevivem após cinco anos. Entre os MEIs, a taxa de mortalidade é de 29%, segundo o Sebrae. Os dados reforçam a importância de planejamento estratégico, gestão eficiente e compreensão do mercado desde os primeiros passos.

Pensando em quem pretende empreender em 2026 com mais segurança, reunimos orientações práticas de especialistas, apoiadas em dados atualizados, para evitar erros comuns no início da jornada . Confira!

1. Estruture a operação com tecnologia desde o começo

A digitalização já faz parte da rotina de empresas de todos os portes, incluindo micro e pequenos negócios. Dados recentes do Sebrae mostram que 76% dos empreendedores utilizam computadores em suas atividades e quase metade já trabalha com softwares integrados de gestão. A escolha das ferramentas certas ajuda a otimizar processos e reduzir retrabalho.

“Antes de decidir pela adoção de um sistema, é importante mapear fluxos, identificar gargalos e determinar quais atividades exigem suporte imediato e quais podem ser automatizadas ou apenas padronizadas. É comum que as empresas usem apenas 20% das funcionalidades de um software. Para evitar isso, é fundamental ter um olhar estratégico sobre como as ferramentas se comunicam e se complementam”, explica o especialista em desenvolvimento de negócios e COO da plataforma B2B Stack, Fernando Neto.

2. Organização financeira desde o planejamento

A tecnologia também transformou a forma como os brasileiros lidam com dinheiro. Uma pesquisa global da Ipsos em parceria com o Google mostra que 48% da população já utiliza inteligência artificial. O estudo também indica que as pessoas recorrem cada vez mais à IA para aprender sobre diferentes temas do dia a dia, inclusive finanças pessoais e empresariais.

Manter as finanças organizadas deve ser uma prioridade antes mesmo da abertura da empresa, seja por meio de planilhas, softwares específicos ou soluções bancárias digitais.

“O acesso a dados organizados e compartilhados com autorização facilita o acompanhamento das finanças . Com o Open Finance , por exemplo, todas as informações de diferentes bancos passam a aparecer em um só lugar. Isso ajuda a entender o movimento do mês, acompanhar gastos recorrentes e enxergar com clareza como cada despesa afeta o orçamento da empresa”, afirma o especialista em tecnologia financeira e CEO da fintech Lina Open X, Alan Mareines.

Para quem abre um negócio, essa combinação de ferramentas digitais com boas práticas financeiras é fundamental para controlar o fluxo de caixa, projetar cenários e evitar surpresas fiscais ou de liquidez.

3. Defina soluções de pagamento desde o primeiro dia

Os meios de pagamento digitais têm impacto direto na experiência do consumidor e no faturamento. Segundo a pesquisa Consumer Trends 2025 , 88% dos brasileiros afirmam que o PIX mudou a forma como pagam no dia a dia, e 66% veem os bancos digitais como uma transformação significativa no uso do dinheiro. Essas soluções agilizam vendas , reduzem custos operacionais e facilitam o controle financeiro, especialmente para novos negócios.

4. Segurança digital é parte da estratégia

Com a crescente digitalização, vem também o aumento de riscos no ambiente digital — o que exige atenção redobrada de quem pretende levar seu negócio para o ambiente digital. Segundo a Check Point Research , o Brasil registrou um aumento de 67% em ciberataques no segundo trimestre de 2024, com média de 2.766 tentativas de invasão por semana por organização.

Além disso, o país liderou o ranking de países mais atacados na América Latina, representando 38,73% de todas as atividades maliciosas registradas na região, o equivalente a 356 bilhões de tentativas de ataque em 2024, conforme o relatório Outbreak Alert – Annual Report 2024 .

“Mais do que reagir aos ataques, é preciso criar uma cultura de prevenção digital. A segurança deve fazer parte da estratégia de crescimento. Proteger dados é proteger pessoas. Preparar sua empresa para a segurança digital é construir um negócio realmente sólido no ambiente digital”, analisa o especialista em cibersegurança e CEO da Security First, Fernando Corrêa.

Uma liderança clara contribui para equipes mais engajadas e produtivas (Imagem: insta_photos | Shutterstock)
Uma liderança clara contribui para equipes mais engajadas e produtivas Crédito: Imagem: insta_photos | Shutterstock

5. Liderança e gestão de equipes fazem a diferença

A forma como o empreendedor organiza e lidera sua equipe influencia diretamente o desempenho do negócio, especialmente em modelos híbridos ou remotos. Levantamento da Serasa Experian mostra que 51% dos empreendedores brasileiros preferem decisões colaborativas.

Na prática, definir rotinas claras, alinhar expectativas e utilizar ferramentas simples de comunicação ajudam a reduzir ruídos e manter o time engajado.

“Para quem está começando, liderar bem não tem a ver com cargo, mas com clareza. Deixar combinado como o trabalho funciona, dar retorno frequente e criar um ambiente onde as pessoas sabem o que se espera delas faz muita diferença, especialmente em equipes pequenas ou remotas”, afirma o especialista em mercado de trabalho em tecnologia e CEO da Impulso, Sylvestre Mergulhão.

6. Vendas orientadas por dados desde cedo

Saber quem é o cliente, como ele compra e quais canais geram mais resultados é fundamental para vender melhor, mesmo em empresas pequenas. Hoje, ferramentas digitais permitem acompanhar informações básicas de vendas, como número de propostas enviadas, taxa de conversão e ticket médio, auxiliando o empreendedor a tomar decisões mais assertivas.

Mesmo em empresas pequenas, acompanhar indicadores básicos de vendas faz diferença. Ferramentas de CRM e sistemas de gestão comercial permitem monitorar propostas enviadas, taxa de conversão e ticket médio, ajudando a tomar decisões mais estratégicas.

“Quando o empreendedor acompanha indicadores simples, como quantas oportunidades viram vendas ou quanto tempo leva para fechar um negócio, ele passa a vender melhor e com mais previsibilidade. Dados ajudam a corrigir rotas rápido e evitam surpresas no caixa”, explica o especialista em vendas, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e CEO da Receita Previsível, Thiago Muniz.

7. Comece vendendo para quem já confia em você

Antes de investir em prospecção ativa ou campanhas publicitárias, empreendedores iniciantes devem focar na rede de contatos próximos. A recomendação é do especialista em desenvolvimento de negócios e CRO da Azify, Gustavo Siuves.

“Venda sempre é relacionamento. Começar por quem já confia em você reduz barreiras e acelera o aprendizado. Vender para a rede próxima oferece um ambiente mais seguro para validar o produto e testar o discurso comercial”, explica Gustavo Siuves.

O executivo também destaca que o feedback negativo tem mais valor estratégico que a aprovação inicial. “O motivo do ‘não’ mostra o que precisa ser ajustado no produto, no preço ou na abordagem. Muitos ‘sim’ iniciais vêm de apoio pessoal, não de necessidade real do cliente”, pontua.

8. IA generativa: uma aliada competitiva no empreendedorismo

A Inteligência Artificial já faz parte da rotina de muitas empresas de pequeno porte. Ferramentas de IA generativa são usadas para criar conteúdos, responder clientes, organizar informações e apoiar análises financeiras.

Segundo levantamento da PwC, 79% das empresas já utilizam agentes de IA, e 88% planejam ampliar seus investimentos na tecnologia nos próximos 12 meses. Entre as empresas que adotaram essas soluções, 66% relatam ganhos reais de produtividade, o que indica que a tecnologia pode ser aplicada de forma prática no dia a dia dos negócios.

“Hoje, a IA pode ajudar o empreendedor a economizar tempo em tarefas operacionais, como atendimento ao cliente, criação de conteúdos e organização de dados . O segredo está em começar pequeno, testando ferramentas simples, e usar a tecnologia como apoio à tomada de decisão, não como algo distante da realidade do negócio”, pontua o palestrante de Inteligência Artificial, especialista em dados, professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do livro “Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes”, Kenneth Corrêa.

Para quem pretende empreender em 2026, o sucesso começa nas escolhas feitas desde o início. Apostar em tecnologia adequada, manter as finanças organizadas, investir em segurança digital e usar dados para orientar decisões são passos essenciais para reduzir riscos e construir um negócio mais sólido e sustentável ao longo do tempo.

Por Letícia Carvalho

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