Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 11:31
Com a chegada do novo ano, abrir o próprio negócio aparece como uma possibilidade concreta para quem deseja mudar de carreira ou criar uma nova fonte de renda. O cenário econômico recente reforça essa percepção: os dados indicam um ambiente favorável para empreender, desde que as decisões sejam bem planejadas e orientadas por informação. >
Segundo o Mapa de Empresas, do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o Brasil encerrou o segundo quadrimestre de 2025 com 24,2 milhões de empresas ativas. Desse total, 93,8% são micro e pequenas empresas, sendo 12,6 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs), o que representa mais da metade das empresas em funcionamento no país. >
Entre maio e agosto de 2025, foram abertas 1,67 milhão de novas empresas — um crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2024. O número sinaliza retomada e dinamismo do ambiente empresarial brasileiro. >
Apesar do otimismo, os desafios seguem relevantes. Estimativas indicam que cerca de 40% das empresas abertas no Brasil não sobrevivem após cinco anos. Entre os MEIs, a taxa de mortalidade é de 29%, segundo o Sebrae. Os dados reforçam a importância de planejamento estratégico, gestão eficiente e compreensão do mercado desde os primeiros passos. >
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Pensando em quem pretende empreender em 2026 com mais segurança, reunimos orientações práticas de especialistas, apoiadas em dados atualizados, para evitar erros comuns no início da jornada . Confira! >
A digitalização já faz parte da rotina de empresas de todos os portes, incluindo micro e pequenos negócios. Dados recentes do Sebrae mostram que 76% dos empreendedores utilizam computadores em suas atividades e quase metade já trabalha com softwares integrados de gestão. A escolha das ferramentas certas ajuda a otimizar processos e reduzir retrabalho. >
“Antes de decidir pela adoção de um sistema, é importante mapear fluxos, identificar gargalos e determinar quais atividades exigem suporte imediato e quais podem ser automatizadas ou apenas padronizadas. É comum que as empresas usem apenas 20% das funcionalidades de um software. Para evitar isso, é fundamental ter um olhar estratégico sobre como as ferramentas se comunicam e se complementam”, explica o especialista em desenvolvimento de negócios e COO da plataforma B2B Stack, Fernando Neto. >
A tecnologia também transformou a forma como os brasileiros lidam com dinheiro. Uma pesquisa global da Ipsos em parceria com o Google mostra que 48% da população já utiliza inteligência artificial. O estudo também indica que as pessoas recorrem cada vez mais à IA para aprender sobre diferentes temas do dia a dia, inclusive finanças pessoais e empresariais. >
Manter as finanças organizadas deve ser uma prioridade antes mesmo da abertura da empresa, seja por meio de planilhas, softwares específicos ou soluções bancárias digitais. >
“O acesso a dados organizados e compartilhados com autorização facilita o acompanhamento das finanças . Com o Open Finance , por exemplo, todas as informações de diferentes bancos passam a aparecer em um só lugar. Isso ajuda a entender o movimento do mês, acompanhar gastos recorrentes e enxergar com clareza como cada despesa afeta o orçamento da empresa”, afirma o especialista em tecnologia financeira e CEO da fintech Lina Open X, Alan Mareines. >
Para quem abre um negócio, essa combinação de ferramentas digitais com boas práticas financeiras é fundamental para controlar o fluxo de caixa, projetar cenários e evitar surpresas fiscais ou de liquidez. >
Os meios de pagamento digitais têm impacto direto na experiência do consumidor e no faturamento. Segundo a pesquisa Consumer Trends 2025 , 88% dos brasileiros afirmam que o PIX mudou a forma como pagam no dia a dia, e 66% veem os bancos digitais como uma transformação significativa no uso do dinheiro. Essas soluções agilizam vendas , reduzem custos operacionais e facilitam o controle financeiro, especialmente para novos negócios. >
Com a crescente digitalização, vem também o aumento de riscos no ambiente digital — o que exige atenção redobrada de quem pretende levar seu negócio para o ambiente digital. Segundo a Check Point Research , o Brasil registrou um aumento de 67% em ciberataques no segundo trimestre de 2024, com média de 2.766 tentativas de invasão por semana por organização. >
Além disso, o país liderou o ranking de países mais atacados na América Latina, representando 38,73% de todas as atividades maliciosas registradas na região, o equivalente a 356 bilhões de tentativas de ataque em 2024, conforme o relatório Outbreak Alert – Annual Report 2024 . >
“Mais do que reagir aos ataques, é preciso criar uma cultura de prevenção digital. A segurança deve fazer parte da estratégia de crescimento. Proteger dados é proteger pessoas. Preparar sua empresa para a segurança digital é construir um negócio realmente sólido no ambiente digital”, analisa o especialista em cibersegurança e CEO da Security First, Fernando Corrêa. >
A forma como o empreendedor organiza e lidera sua equipe influencia diretamente o desempenho do negócio, especialmente em modelos híbridos ou remotos. Levantamento da Serasa Experian mostra que 51% dos empreendedores brasileiros preferem decisões colaborativas. >
Na prática, definir rotinas claras, alinhar expectativas e utilizar ferramentas simples de comunicação ajudam a reduzir ruídos e manter o time engajado. >
“Para quem está começando, liderar bem não tem a ver com cargo, mas com clareza. Deixar combinado como o trabalho funciona, dar retorno frequente e criar um ambiente onde as pessoas sabem o que se espera delas faz muita diferença, especialmente em equipes pequenas ou remotas”, afirma o especialista em mercado de trabalho em tecnologia e CEO da Impulso, Sylvestre Mergulhão. >
Saber quem é o cliente, como ele compra e quais canais geram mais resultados é fundamental para vender melhor, mesmo em empresas pequenas. Hoje, ferramentas digitais permitem acompanhar informações básicas de vendas, como número de propostas enviadas, taxa de conversão e ticket médio, auxiliando o empreendedor a tomar decisões mais assertivas. >
Mesmo em empresas pequenas, acompanhar indicadores básicos de vendas faz diferença. Ferramentas de CRM e sistemas de gestão comercial permitem monitorar propostas enviadas, taxa de conversão e ticket médio, ajudando a tomar decisões mais estratégicas. >
“Quando o empreendedor acompanha indicadores simples, como quantas oportunidades viram vendas ou quanto tempo leva para fechar um negócio, ele passa a vender melhor e com mais previsibilidade. Dados ajudam a corrigir rotas rápido e evitam surpresas no caixa”, explica o especialista em vendas, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e CEO da Receita Previsível, Thiago Muniz. >
Antes de investir em prospecção ativa ou campanhas publicitárias, empreendedores iniciantes devem focar na rede de contatos próximos. A recomendação é do especialista em desenvolvimento de negócios e CRO da Azify, Gustavo Siuves. >
“Venda sempre é relacionamento. Começar por quem já confia em você reduz barreiras e acelera o aprendizado. Vender para a rede próxima oferece um ambiente mais seguro para validar o produto e testar o discurso comercial”, explica Gustavo Siuves. >
O executivo também destaca que o feedback negativo tem mais valor estratégico que a aprovação inicial. “O motivo do ‘não’ mostra o que precisa ser ajustado no produto, no preço ou na abordagem. Muitos ‘sim’ iniciais vêm de apoio pessoal, não de necessidade real do cliente”, pontua. >
A Inteligência Artificial já faz parte da rotina de muitas empresas de pequeno porte. Ferramentas de IA generativa são usadas para criar conteúdos, responder clientes, organizar informações e apoiar análises financeiras. >
Segundo levantamento da PwC, 79% das empresas já utilizam agentes de IA, e 88% planejam ampliar seus investimentos na tecnologia nos próximos 12 meses. Entre as empresas que adotaram essas soluções, 66% relatam ganhos reais de produtividade, o que indica que a tecnologia pode ser aplicada de forma prática no dia a dia dos negócios. >
“Hoje, a IA pode ajudar o empreendedor a economizar tempo em tarefas operacionais, como atendimento ao cliente, criação de conteúdos e organização de dados . O segredo está em começar pequeno, testando ferramentas simples, e usar a tecnologia como apoio à tomada de decisão, não como algo distante da realidade do negócio”, pontua o palestrante de Inteligência Artificial, especialista em dados, professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do livro “Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes”, Kenneth Corrêa. >
Para quem pretende empreender em 2026, o sucesso começa nas escolhas feitas desde o início. Apostar em tecnologia adequada, manter as finanças organizadas, investir em segurança digital e usar dados para orientar decisões são passos essenciais para reduzir riscos e construir um negócio mais sólido e sustentável ao longo do tempo. >
Por Letícia Carvalho >
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