O ano de 2019 chega ao seu fim de um jeito meio insosso para a economia capixaba. Expectativas mais empolgadas e otimistas que foram feitas há 12 meses não emplacaram como muitos aguardavam. Por aqui, seguimos o ritmo fraco do desempenho do país, que só começou a dar sinais de retomada, mesmo que lentos, nesta reta final do ano.
Além da falta de fôlego do próprio crescimento nacional, os resultados ruins vindos da indústria, que sofre grande interferência do mercado internacional, comprometeram o dinamismo capixaba.
Tanto é que, depois de dois anos crescendo o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) registrado pelo Brasil, desta vez, o Estado deverá fechar o ano com um percentual abaixo. A alta do PIB nacional deve ficar na casa de 1,16%, conforme estima o Boletim Focus, do Banco Central. No Espírito Santo, não existem projeções oficiais recentes, mas considerando que de janeiro a setembro a economia capixaba ficou no zero a zero, de acordo com o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o último trimestre dificilmente vai ser capaz de reverter o quadro estável obtido até aqui e surpreender com uma elevação substancial do PIB.
DESAFIOS
O ano foi desafiador para a indústria em seus diferentes segmentos presentes no ES. A celulose enfrentou uma baixa no cenário externo e a produção local chegou a cair 35% até outubro. A siderurgia viu seu mercado interno deprimido e sofreu os problemas relacionados ao abastecimento de minério de ferro, em razão da tragédia de Brumadinho.
Aliás, o rompimento da barragem de Brumadinho, no início de 2019 em Minas Gerais, deixou além de centenas de vítimas e prejuízos para o meio ambiente, vestígios prolongados para a nossa economia, que registrou grande instabilidade no segmento da mineração ao longo de todo o ano.
A indústria do petróleo no Espírito Santo, que está com a sua produção em declínio, também lembrou o quanto a dependência das commodities pode ser danosa para o crescimento sustentado da economia.
ALERTA
A combinação do desempenho ruim dessas indústrias reforça a necessidade de o Estado repensar sua base econômica e estimular a formação de cadeias de produtos acabados, com maior valor agregado. Vale destacar aqui que contar com as commodities não é o problema, contar apenas com elas é que pode ser perigoso. Uma economia fortemente ligada ao setor extrativo acaba ficando muito sujeita à volatilidade do mercado internacional.
ESTABILIDADE
Apesar do PIB capixaba indicar que fecharemos 2019 estagnados do ponto de vista econômico, a condição de estabilidade - das contas públicas, da relação entre os Poderes e do ambiente jurídico que o Espírito Santo conquistou ao longo dos últimos anos - faz com que o resultado que venha a ser obtido não seja tão traumático para a população e nem para o setor produtivo capixaba.
Além disso, olhar para alguns indicadores, como o da criação de 23 mil empregos até novembro e o da expansão do consumo das famílias - até setembro o comércio avançou quase 5% no Estado -, contribui para renovar o otimismo para 2020. Se 2019 está finalizando com um “quê” de insosso, o que esperamos para o ano que vem é uma economia temperada de bons resultados.
A coluna deseja a todos leitores e leitoras um 2020 com muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender!